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O que é o tempo senão uma forma de medir o que passou e o que esta por vir?
Essa foi a melhor forma encontrada para nortear a humanidade, permitindo comparações dentro da idéia de passado, presente e futuro.
Ocorre que, quando pensamos em tempo de vida, essa pode não ser a melhor maneira de avaliar.
A medida do tempo varia de pessoa para pessoa em função da intensidade que dedicamos aquilo que mais gostamos.
Alguns se reinventam a cada dia e vivem a vida numa década, outros gastam toda a vida e se despedem dela sem ao menos ter conhecido a si próprio e muito menos ter encontrado algo ou alguém a quem valesse a pena se dedicar.
A verdadeira medida do tempo de vida é expressa na soma das realizações de cada um, por isso torna-se pessoal e intransferível.
10 de Março de 2010 às 08:32
Sergio Oliveira
Ao iniciar a sua jornada o empreendedor traça seus planos profissionais e pessoais, passado algum tempo faz uma pausa a fim de avaliar se aquilo que planejou aconteceu de fato.
Imaginem que para sua grata surpresa a empresa criada outrora vai muito bem, seus planos foram todos realizados, uma bela casa, carros do ano, viagens de férias, filhos bem formados, imóveis alugados e uma razoável economia financeira que garantirá a aposentadoria.
E agora, quais seriam as motivações seguintes?
Vejo dois caminhos:
- O primeiro é a opção de poucos, mas vem ganhando adeptos dentre os empreendedores atuais, que é diminuir o ritmo e usufruir do que foi conquistado, profissionalizando a empresa e dedicando mais tempo a família e para si próprio. Se possível dedicar algumas horas semanais numa entidade assistencial que vise à melhoria da sua comunidade.
- Já o segundo caminho, que é a opção da maioria, é quando a ambição saudável é trocada pela ganância e o nosso nobre empreendedor refaz os planos, e passa a desejar o poder eterno na empresa, uma coleção de carros importados, quem sabe um barco e até um avião, afinal, sonhar não paga pedágio e ele está livre para desejar.
E a família? Os planos pessoais? Onde foram parar?
Quando a segunda opção é a vencedora, eles acabam ficando para trás, não conseguem ou não querem acompanhar, sentem que são meros coadjuvantes neste filme que não tem definido ao certo seu gênero, se terminará como suspense ou drama.
Para o empreendedor obcecado pelo sucesso, as justificativas servem para acobertar tanto o certo como o errado, cada um usa como melhor lhe convier.
A visão de mundo que nos é vendida hoje é justamente a segunda, do poder, da cobiça, da traição e da ganância, são contra-valores que só afastam a nossa sociedade do melhor caminho.
Vendo o ambiente se comportar dessa forma me pergunto se os nossos filhos terão essa mesma visão de lista de desejos amparada basicamente no materialismo ou se migrarão para uma ambição mais comedida e saudável.
Será que estarão mais preocupados em reconstruir o que devastamos do que acumular indefinidamente, só pelo prazer de acumular?
Percebo alguns sinais positivos nesta direção e a minha esperança é que eles se frutifiquem.
16 de Fevereiro de 2010 às 18:10
Sergio Oliveira
Acreditar num Deus, seja ele qual for, faz parte da natureza humana.
Tal crença ajuda a explicar o inexplicável, a aceitar o inaceitável e dá forças para superar os mais intransponíveis obstáculos, isso sob a ótica de quem crê.
Para aqueles que entendem que tudo isso é uma grande bobagem, vale dizer que, 99% da população mundial faz parte de algum tipo de religião e professa sua crença, isso é milenar, e o descrente faz parte de míseros 1% que não crêem em algo ou alguém.
Nada de errado em não acreditar em Deus ou não crer, mas tudo de errado em não ser tolerante com as crenças e opções daqueles que estão a sua volta.
Uma empresa será sempre composta de pessoas, que tem suas particularidades, e que são tolerantes com seus pares e subordinados em prol de uma convivência harmônica e pacifica.
Ser empreendedor significa, também, respeitar as opções pessoais de cada um, ser tolerante com as diferenças e mais do que isso, ter a sensibilidade de aproveitar o melhor de cada um em prol do sucesso da empresa e por conseqüência, daqueles que nela trabalham.
São atitudes simples como o exercício da tolerância que dão solidez as empresas.
É na soma das diferenças que encontramos as soluções para os problemas do dia a dia no ambiente empresarial e fomentamos a criação de novos produtos e serviços.
Num ambiente com visões diferentes de mundo, afloram as ideias. Algumas empresas costumam chamar isso de equipes multidisciplinares, dê o nome que você quiser, mas pratique.
14 de Fevereiro de 2010 às 16:06
Sergio Oliveira
Tornar simples o que é complexo é o grande desafio do empreendedor.
Onde muitos encontram problemas o empreendedor enxerga solução e oportunidade. É como se a mente fosse treinada para ver por outros ângulos, utilizando uma lente diferenciada que permite a tradução dos sinais que ali se encontram.
Um negócio na vida real é a soma de múltiplas variáveis desordenadas, de difícil controle e conexão.
Mas, há de se considerar que o conceito de simples e complexo é mais subjetivo e pessoal do que se possa imaginar.
Para um financista uma montanha de cálculos de um projeto de investimento é como se fosse um passeio no parque, esse é o mundo dele, ele se preparou para isso, sua dedicação é para entender e elaborar o melhor e mais preciso de projeto, por isso parece tão fácil.
Pense neste mesmo financista com a tarefa de pintar um quadro ou fazer uma escultura? Como seria?
Quem nunca encontrou pelos bares aquele caricaturista, que olha para você discretamente algumas vezes e ao final chega até a sua mesa e oferece por poucos reais um retrato seu de alta qualidade, com todos os seus traços bem definidos, uma verdadeira obra de arte, feita em minutos.
Agora pense neste artista trabalhando na planilha de investimentos do financista, daria para confiar e realizar o investimento?
Realizar cálculos para o financista é simples, mas fazer um retrato é complexo, já para o artista fazer o retrato é um prazer e enfrentar uma planilha de cálculos será um sofrimento eterno.
O empreendedor entra neste contexto com o mesmo papel de um maestro, conhecendo todos os instrumentos, mas não necessariamente tocando todos com alta performance.
O que ele realmente precisa é conseguir realizar as melhores combinações com os estímulos que tem a sua disposição.
Assim acontece no mundo das idéias. O complexo pode e deve se tornar simples, a todo momento, permitindo o surgimento de novos negócios.
Se você é um candidato a empreendedor, experimente trocar a sua lente o observar tudo o que te cerca por novos ângulos.
26 de Janeiro de 2010 às 07:53
Sergio Oliveira
A compra da Casas Bahia pelo Pão de Açúcar pode ser interpretada de várias formas, desde uma saída estratégica para a família Klein, que vinha com dificuldades para manter o crescimento da rede até a vitória da persistência de Abílio Diniz que tem demonstrado uma determinação impressionante tanto na condução do grupo Pão de Açúcar como na aquisição de novos negócios.
Em minha opinião os dois grupos saem fortalecidos do negócio, mas o grande sucesso é do modelo de gestão implantado por Abílio Diniz, que conseguiu superar todos os obstáculos, desde 1990 quando o Grupo beirou a falência, passou pela saída da família do negócio em 1994 e a longa reestruturação implantada a duras penas. Em seu livro, Caminhos e Escolhas, Abílio conta parte dessa saga, dentre outras histórias.
Em 1999 ele deu a tacada estratégica, vendendo parte do grupo Pão de Açúcar para a rede de supermercados francesa, o Grupo Cassino, antecipando o movimento que viria a ser seguido por grandes empresas brasileiras, de se associar a grupos internacionais e implantar uma gestão profissionalizada aproveitando a experiência do novo sócio.
Na negociação de compra da Casas Bahia Abílio aceitou compartilhar o poder com a família Klein na nova empresa que será criada, mais uma demonstração de sabedoria, pois, trocou poder absoluto por maiores perspectivas de crescimento e ganhos reais na soma de forças. Estima-se que seja possível obter ganhos de escala que atinjam até quatro bilhões de reais por ano, considerando as operações do Ponto Frio, recém adquirido também. Um valor nada desprezível.
Os novos números do Grupo Pão de Açúcar são impressionantes:
- 8º grupo privado brasileiro, atrás apenas de empresas como Vale, JBS, Gerdau,Votorantim, Oi, Odebrech e Ambev.
- Receita anual Bruta: 40 bilhões de reais
- Líder absoluto no varejo, o segundo lugar é ocupado pelo Carrefour com faturamento bruto anual de R$ 22,5 bilhões.
- 137.000 empregados, o maior empregador do Brasil
- Passou a ser o maior anunciante brasileiro.
E para coroar todos esses feitos, reportagem divulgada hoje, dia 15/01/10, no jornal Valor Econômico veio com a seguinte manchete: “Pão de Açúcar tem melhor desempenho em 10 anos”, onde o destaque fica para o crescimento real de 4,1% nas vendas brutas em 2009, considerando as lojas que já estavam em funcionamento em 2008. Analisando apenas o 4º trimestre de 2009 o crescimento real foi de 5,5%.
Neste momento Abílio Diniz se consolida como um dos grandes gestores empresarias brasileiros, um modelo de determinação e competência a ser admirado e seguido.
15 de Janeiro de 2010 às 23:01
Sergio Oliveira
O Brasil é um celebre celeiro de herdeiros e uma fracassada fábrica de sucessores, basta analisar a história dos grandes grupos empresariais nacionais e das grandes fortunas pessoais para observar quantas delas permaneceram no grupo familiar ao longo dos últimos cinqüenta anos.
Exemplos como das famílias controladoras do Banco Itaú e do grupo Votorantim são exceções a regra e merecem um estudo de caso, pelo modelo vitorioso que implantaram na partilha do patrimônio, na sucessão de comando nas empresas e pela forma como os familiares se comportam com discrição e baixa exposição pessoal. Valoriza-se o CNPJ do grupo e não os CPFs.
Num processo de sucessão empresarial e partilha de patrimônio poucos são as famílias que resistem aos conflitos e intrigas, disputas que saem do ambiente familiar, ganham as páginas dos jornais, sobem para os tribunais e ninguém sabe como termina.
Quando o assunto for dinheiro e sentarem a mesa para partilhar irmãos, maridos, esposas, cunhados, genros, noras, filhos, sobrinhos e netos estará armada a confusão, não a laços familiares que resistam a algumas dezenas de milhões de reais e ao desejo de assumir o controle de uma grande empresa familiar.
Se você reside em alguma metrópole centenária como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife ou mesmo na sua cidade se ela tiver mais de 100 anos, poderá comprovar o que digo. Várias são as famílias ex-milionárias para as quais restaram apenas o sobrenome famoso e a nostalgia das histórias de um passado de riquezas.
De quem seria a culpa, se é que ela existe?
É difícil de atribuir, prefiro ressaltar o fato de que cada dia mais esses herdeiros podem e devem buscar apoio junto a consultores financeiros e áreas de gestão de grandes fortunas que existem nos bancos, onde encontrarão uma orientação adequada ao seu perfil e aos seus objetivos pessoais, contando com apoio de administradores, contadores, advogados e até psicólogos para se aconselharem, se necessário.
Em minha opinião pode ser uma alternativa interessante para manter e fazer crescer o patrimônio herdado quando se sentir inseguro para tomar as decisões necessárias, pois, a partir da partilha o herdeiro deixa de ser herdeiro e passa a ser o gestor do seu próprio futuro.
7 de Janeiro de 2010 às 01:13
Sergio Oliveira
O professor Antônio Barros de Castro* (UFRJ) escreveu artigo no jornal Valor Econômico, dia 28/08/09, com o título de “Enfrentando Rupturas”, gostei muito da sua abordagem simples, objetiva e direta, onde defendeu a idéia de que, em algum momento, países e empresas terão de enfrentar o desafio de reposicionar-se em um novo mapa econômico e geopolítico.
Segundo ele, a ascensão da China como nova potência mundial e a consciência de que o planeta terra não suporta o nível atingido pela universalização dos padrões de consumo moderno marcam profundamente o momento atual em que vivemos. Trata-se de um fenômeno em curso embalado pela crise financeira mundial.
Em sua opinião, “A ascensão da China, historicamente, só tem paralelo na emergência dos Estados Unidos no fim do século XIX. A derrocada financeira recentemente verificada, por sua vez, só encontra paralelo na crise de 29. E a própria questão ecológica, nas dimensões que vem adquirindo, tampouco tem precedente.”
Ele apresenta a ascensão da China, a crise financeira atual e a questão ecológica como três megaeventos, que isoladamente já seria capaz de provocar profundas transformações nas mais diferentes economias.
Afirma então que, “A combinação dos três, contudo, leva a uma verdadeira ruptura com o que conhecemos…os êxitos e fracassos na assimilação desses megaeventos dominarão por um bom período a evolução da economia mundial.”.
A crise, pela dimensão global deverá ser tratada por organismos internacionais como FMI e Banco Mundial.
Já a ascensão da China e seus efeitos impactam de forma diferente os países, que deverão tratá-la com políticas nacionais.
As empresas passam a operar em contextos profundamente alterados e deverão reaprender a construir resultados positivos nas suas atividades.
O texto detalha os megaeventos e ao final conclui que as dificuldades são enormes e intimidadoras, mas que em outros tempos reposicionamentos abrangentes e profundos foram implantados com sucesso. Que precisamos observar possíveis lições da história e aproveitar a natureza de forma mais amigável e mais criativa.
*Antônio Barros de Castro é professor da UFRJ e assessor da Presidência do BNDES. Considerado um dos grandes economistas do nosso País, com diversos livros publicados e uma enorme contribuição para o pensamento economico e empresarial nacional.
3 de Setembro de 2009 às 09:00
Sergio Oliveira