Publicações arquivadas sob Novos Negócios
Na construção de um novo negócio, uma das ferramentas mais úteis, a meu ver, são as redes de relacionamento, onde as pessoas têm a oportunidade de trocar experiências e conseguem com isso eliminar etapas que seriam vencidas na base da tentativa e erro.
Sempre que sou procurado para opinar sobre um novo negócio, primeiro escuto o que meu interlocutor tem a falar e depois analiso se na minha experiência de vida teria algo catalogado que, de alguma forma seja útil para ele nesta fase de pesquisa e decisão, caso contrário não arrisco o palpite.
Um cuidado grande que deve ser tomado por quem parte em busca de informações sobre um novo negócio é encontrar fontes confiáveis. Possíveis concorrentes nem sempre são verdadeiros nas suas afirmações, pelo simples fato de serem concorrentes.
Palpiteiros de plantão são aqueles cidadãos que nunca deram certo em nada, mas entendem de tudo, desde fabricação de turbina de avião até nanotecnologia, fuja destes falsos sábios.
Gosto muito do equilíbrio entre a experiência dos empreendedores que já estão nos seus negócios a mais de vinte anos com os novos empreendedores que estão conseguindo triunfar a partir de novas experiências baseadas em tecnologia ou mesmo simples ousadia de mudar coisas já consolidadas, que passam a ser ofertadas de uma forma inovadora.
Entidades de apoio como SEBRAE, FIESP, FIERJ, FIERG, Associações Comerciais, dentre outras são fundamentais, mas insuficientes, apesar de representarem, não vivem o dia a dia do negócio, nada contra os atendentes que orientam nos balcões, só uma ressalva.
Uma sugestão é listar as pessoas que mais entendem sobre o negócio que você pretende montar e tentar contato com elas, seja por e-mail, telefone, ou mesmo através de reportagens publicadas por eles sobre o tema. Professores renomados de universidades públicas são bastante ascessiveis. Veja na sua cidade quem seriam essas pessoas e tente um contato presencial
Dedique o tempo que for necessário nesta fase de pesquisa, mas, lembre-se sempre, nunca ouse acreditar que já sabe tudo e que está pronto, é preferível crer que já sabe o necessário para começar, mas que ainda terá muito a aprender.
7 de Maio de 2010 às 10:43
Sergio Oliveira
Ao iniciar a sua jornada o empreendedor traça seus planos profissionais e pessoais, passado algum tempo faz uma pausa a fim de avaliar se aquilo que planejou aconteceu de fato.
Imaginem que para sua grata surpresa a empresa criada outrora vai muito bem, seus planos foram todos realizados, uma bela casa, carros do ano, viagens de férias, filhos bem formados, imóveis alugados e uma razoável economia financeira que garantirá a aposentadoria.
E agora, quais seriam as motivações seguintes?
Vejo dois caminhos:
- O primeiro é a opção de poucos, mas vem ganhando adeptos dentre os empreendedores atuais, que é diminuir o ritmo e usufruir do que foi conquistado, profissionalizando a empresa e dedicando mais tempo a família e para si próprio. Se possível dedicar algumas horas semanais numa entidade assistencial que vise à melhoria da sua comunidade.
- Já o segundo caminho, que é a opção da maioria, é quando a ambição saudável é trocada pela ganância e o nosso nobre empreendedor refaz os planos, e passa a desejar o poder eterno na empresa, uma coleção de carros importados, quem sabe um barco e até um avião, afinal, sonhar não paga pedágio e ele está livre para desejar.
E a família? Os planos pessoais? Onde foram parar?
Quando a segunda opção é a vencedora, eles acabam ficando para trás, não conseguem ou não querem acompanhar, sentem que são meros coadjuvantes neste filme que não tem definido ao certo seu gênero, se terminará como suspense ou drama.
Para o empreendedor obcecado pelo sucesso, as justificativas servem para acobertar tanto o certo como o errado, cada um usa como melhor lhe convier.
A visão de mundo que nos é vendida hoje é justamente a segunda, do poder, da cobiça, da traição e da ganância, são contra-valores que só afastam a nossa sociedade do melhor caminho.
Vendo o ambiente se comportar dessa forma me pergunto se os nossos filhos terão essa mesma visão de lista de desejos amparada basicamente no materialismo ou se migrarão para uma ambição mais comedida e saudável.
Será que estarão mais preocupados em reconstruir o que devastamos do que acumular indefinidamente, só pelo prazer de acumular?
Percebo alguns sinais positivos nesta direção e a minha esperança é que eles se frutifiquem.
16 de Fevereiro de 2010 às 18:10
Sergio Oliveira
Tornar simples o que é complexo é o grande desafio do empreendedor.
Onde muitos encontram problemas o empreendedor enxerga solução e oportunidade. É como se a mente fosse treinada para ver por outros ângulos, utilizando uma lente diferenciada que permite a tradução dos sinais que ali se encontram.
Um negócio na vida real é a soma de múltiplas variáveis desordenadas, de difícil controle e conexão.
Mas, há de se considerar que o conceito de simples e complexo é mais subjetivo e pessoal do que se possa imaginar.
Para um financista uma montanha de cálculos de um projeto de investimento é como se fosse um passeio no parque, esse é o mundo dele, ele se preparou para isso, sua dedicação é para entender e elaborar o melhor e mais preciso de projeto, por isso parece tão fácil.
Pense neste mesmo financista com a tarefa de pintar um quadro ou fazer uma escultura? Como seria?
Quem nunca encontrou pelos bares aquele caricaturista, que olha para você discretamente algumas vezes e ao final chega até a sua mesa e oferece por poucos reais um retrato seu de alta qualidade, com todos os seus traços bem definidos, uma verdadeira obra de arte, feita em minutos.
Agora pense neste artista trabalhando na planilha de investimentos do financista, daria para confiar e realizar o investimento?
Realizar cálculos para o financista é simples, mas fazer um retrato é complexo, já para o artista fazer o retrato é um prazer e enfrentar uma planilha de cálculos será um sofrimento eterno.
O empreendedor entra neste contexto com o mesmo papel de um maestro, conhecendo todos os instrumentos, mas não necessariamente tocando todos com alta performance.
O que ele realmente precisa é conseguir realizar as melhores combinações com os estímulos que tem a sua disposição.
Assim acontece no mundo das idéias. O complexo pode e deve se tornar simples, a todo momento, permitindo o surgimento de novos negócios.
Se você é um candidato a empreendedor, experimente trocar a sua lente o observar tudo o que te cerca por novos ângulos.
26 de Janeiro de 2010 às 07:53
Sergio Oliveira
Quantas empresas que conhecemos sofrem com a ausência do empreendedor que constituiu o negócio?
Um exemplo celebre para essa situação são as lojas franqueadas, cujo empreendedor que compra a franquia participa de todo o processo de seleção, mas raramente está à frente do negócio, delega por completo aos funcionários a condução no dia a dia.
Como assíduos freqüentadores de Shopping que nos tornamos, experimente solicitar a presença do proprietário dizendo que você gostaria de fazer um elogio ou reclamação e verás que ele raramente está presente.
Em minha opinião, a ausência prolongada do empreendedor, principalmente nos pequenos negócios, compromete bastante a consolidação e o sucesso da empresa.
Boas idéias ou extensões de franquias estruturadas são um excelente ponto de partida para um novo empreendimento, mas não tem o poder de realizar milagres.
Os manuais de franquia são apenas um amontoado de folhas impressas, se não forem interpretadas, colocadas em prática e repassadas à equipe no tempo oportuno e correto.
Muitos bons negócios na origem se tornam apáticos e distantes dos seus clientes no decorrer do tempo, a ponto de ignorá-los e tratá-los apenas como uma fonte consumidora de produtos e serviços e também geradores de receitas, esse é o maior risco.
Ao menor sinal de que isso possa estar acontecendo o Sr. Consumidor buscará atenção num concorrente mais próximo.
Várias são as histórias de grandes negócios que sucumbiram por ignorar essas regras básicas e muitos são os relatos de pequenas empresas que se tornaram grandes por valorizar ao extremo a presença dos fundadores e sucessores na condução e como fonte de inspiração para os empregados no relacionamento com os clientes.
A partir de um determinado porte é impossível estar presente em todas as lojas, mas se bem gerido o crescimento da empresa pode-se implantar uma cultura que deriva das melhores práticas e que dê ao cliente a sensação de que o dono está sempre presente, mesmo que isso não seja verdade, a percepção é o que importa.
21 de Dezembro de 2009 às 23:36
Sergio Oliveira
A população mundial ultrapassará 9,2 bilhões de habitantes em 2050, segundo um relatório divulgado pela ONU (Organização das Nações Unidas) em março de 2007.
Segundo o estudo, o mundo terá um aumento de 2,5 bilhões de habitantes nos próximos 43 anos, passando dos 6,7 bilhões em julho de 2007 a 9,2 bilhões em 2050.
O aumento será absorvido, em sua maioria, pelos países em desenvolvimento, que sozinhos, estes países devem passar de 5,4 bilhões de habitantes em 2007 para 7,9 bilhões de habitantes em 2050.
Num novo estudo divulgado no último dia 23/09/09, a Agência para Agricultura e Alimentos, da ONU, estima que a produção mundial de alimentos terá que crescer 70% até 2050. Segundo o relatório expansão de área plantado consumirá cerca de 120 milhões de hectares nos próximos 40 anos em países em desenvolvimento, principalmente na América Latina e África Subsariana.
Caso isso não aconteça 370 milhões de pessoas ficarão sem alimentos até 2050, isso representa 5% da população mundial.
É neste cenário que o Brasil se desponta como um dos mais importantes produtores mundiais de alimentos e decisões estratégicas precisam ser tomadas urgentemente.
Não faz sentido liderar a exportação mundial de alimentos “in natura” se podemos e devemos ser um dos maiores exportadores de alimentos processados, agregando valor aos produtos e gerando aqui os boa parte dos empregos que virão dessa mega indústria mundial de alimentos que se necessita.
A criação da Brasil Foods, união da Sadia com a Perdigão, uma experiência de sucesso, que fez da BRF a maior produtora e exportadora mundial de carne de frango, uma das principais processadoras de carne de porco e a maior abastecedora de alimentos industrializados no país. A previsão de faturamento anual da companhia é de R$ 22 bilhões. As exportações da BRF alcançam 110 países e o grande desafio agora é criar uma marca global e conseguir vender para o mercado americano.
Outra estrondosa ascensão de empresas brasileiras processadoras de alimentos é a do frigorífico JBS - Friboi, que na semana passada divulgou a incorporação do Frigorífico Bertin e a aquisição da americana Piligrim`s Pride, o que transforma o JBS na a terceira maior empresa do Brasil e na maior empresa de proteína animal do mundo, com um faturamento líquido anual estimado em R$ 60,6 bilhões.
Negócios como o da Brasil Foods e da JBS Friboi são caminhos naturais a serem seguidos pelas empresas brasileiras de alimentos que pretendem competir em escala global, com isso todos os produtores de grãos ou de carne serão beneficiados, pois, é o Brasil representado lá fora com marcas globais e essas empresas só se consolidarão se estabelecerem fortes parcerias com pequenos e médios empreendedores ao longo de toda a sua cadeia produtiva.
Assim como o Sr. José Batista Sobrinho, o Zé Mineiro, abriu em anápolis/GO em 1953 o açougue Casa de Carne Mineira que se transformou na potência mundial que hoje é o JBS Friboi, temos no setor de alimentos espaço de sobra para novos empreendedores, principalmente se considerarmos que para 2050 ainda faltam 40 anos.
28 de Setembro de 2009 às 07:33
Sergio Oliveira
Sempre que vejo comparações do Brasil com demais países emergentes, principalmente a Índia, os argumentos apresentados realmente convencem e acabo aceitando a idéia de que em alguns aspectos eles estão a nossa frente, principalmente no campo educacional onde tem colhido bons frutos, considerando a quantidade de cientistas e PHDs indianos renomados, distribuídos por todo o mundo.
Quando penso no país como um todo para o ambiente empresarial, tenho algumas ressalvas com relação a Índia, apesar de admirá-la, principalmente pela bravura do seu povo.
Fatos como o divulgado hoje no jornal Valor Econômico, de que um agricultor indiano endividado pelo fracasso de sua lavoura, vendeu a esposa e filha para saldar dividas e ter dinheiro para comprar alimentos, para mim é o extremo do absurdo. O mais assustador é que a esposa que foi vendida aceitou a condição é afirmou que a família dela não tinha outra alternativa. Um problema cultural de difícil solução.
Num país que tem uma população estimada em 1,2 bilhões de pessoas, dos quais 70% vivem na área rural e sobrevivem da produção agrícola, a ausência de chuvas é uma verdadeira catástrofe, em todos os sentidos. Segundo dados do governo indiano, desde 2001, quase 90 mil agricultores suicidaram em função de dívidas.
Por coincidência, esta semana escutei o comentário do Sérgio Abranches, na rádio CBN e ele falava sobre um relatório divulgado pelo governo indiano, sobre o clima, informando que dobrará a emissão de gás carbônico até 2020 e até 2030 aumentará mais 80% sobre os volumes de 2020.
Considerando que a Índia está entre os cinco países mais poluentes do planeta, relatou Abranches que, os especialistas temem pelo fim das monções, temporada de fortes ventos acompanhada de chuvas, que viabilizam toda a agricultura por lá.
O rareamento dessas chuvas podem assumir uma dimensão catastrófica. Serão mais de 840 milhões de pessoas sem renda e até sem alimentos.
Por essas e outras que, apesar de todos os nossos problemas ainda aposto no Brasil como o País emergente em melhores condições, no conjunto, para receber recursos financeiros de investidores internacionais, que não sejam especulativos e sim alocados em novas fábricas e novos negócios, gerando valorosas cadeias produtivas que muito beneficiam as pequenas e médias empresas, oportunizando empregos e a melhoria na condição de vida da nossa população.
Aos indianos desejo bastante sorte, o futuro para eles está repleto de grandes desafios estruturais, ainda na linha da sobrevivência.
12 de Setembro de 2009 às 01:41
Sergio Oliveira
Empreendedores que conquistaram o sucesso através das suas empresas são merecedores de todas as honras e glórias, eles criaram e conduziram o negócio, superaram as dificuldades iniciais e venceram.
Estaria tudo perfeito se o declínio de um empreendimento não se iniciasse a partir do momento no qual os gestores estiverem convictos de que descobriram a fórmula mágica do sucesso naquele negócio.
Acreditar que um novo dia será uma repetição dos dias anteriores é oficializar a rotina e a percepção de que pouco precisará ser modificado, e que, mantidas as condições atuais o modelo de negócios vigente permanecerá rentável.
Uma constatação ao longo do tempo é de que uma trajetória de vitórias passadas não representa garantia de vitórias futuras.
O ambiente empresarial é dinâmico, para cada tipo e estágio do negócio as variáveis a serem consideradas podem se alterar.
Assim como o ambiente no qual a empresa está inserida é modificado em função do crescimento, as competências requeridas dos gestores também sofrem alterações.
Neste ponto está um dos principais limitadores do crescimento de negócios de médio porte que tem potencial para se tornarem grandes, mas ficam aprisionados pelas “verdades absolutas dos seus criadores”.
Costumo dizer aos empreendedores de sucesso que as competências que os trouxeram até aqui e lhes permitiram as vitórias já consolidadas podem não ser as mesmas que eles necessitarão para gerir os seus negócios daqui para frente.
O criador do negócio nem sempre aceita a constatação de que as suas competências também são colocadas a prova e que chegará um determinado momento da vida do empreendimento que ele terá que delegar parte das tarefas que antes executava para se concentrar em atividades mais nobres e exporar mais a sua visão empreendedora, que pode ser o seu grande trunfo.
Em minha opinião, não existe um meio termo neste caso, ou o criador do negócio permite o seu crescimento ou restringe, como forma de se sentir mais seguro centralizando as decisões e submetendo o negócio aos limites das suas competências.
Se afastar do operacional e concentrar na definição das macro estratégias, para alguns pode significar perda de poder, para outros sinônimos de sabedoria e uma crença na perpetuidade do negócio.
29 de Julho de 2009 às 20:07
Sergio Oliveira

A poucos dias conversava com um grupo de estudantes que estão no último ano do ensino médio e se preparam para o vestibular, o papo era sobre a importante decisão ao escolher qual caminho seguir na escalada profissional, muitas dúvidas, poucas respostas concretas, quase nenhuma certeza.
Num determinado momento surgiram às seguintes perguntas:
- O que aprendi até agora e o que aprenderei na universidade servirá para que?
- Onde poderá me levar?
- Quais serão os limites?
Minutos de reflexão….
Realmente o que se aprende hoje nas escolas tem cheiro de mofo, pouco servirá para o futuro desses estudantes, principalmente se eles estiverem sendo condicionado a decorar para conseguir uma boa colocação no vestibular (sorte que o nosso iluminado ministro da educação propôs, recentemente, mudanças neste arcaico modelo de seleção).
Todas essas dúvidas estão dentro de um mesmo contexto e o esclarecimento delas seria como abrir uma cortina e desvendar uma nova paisagem para olhos que procuram um novo mundo.
Falamos também sobre as alternativas do empreendedorismo e como se prepararem para ele durante um curso na universidade.
Emprego ou empreendedorismo, qual caminho seguir ao se formar?
Quando analisamos a pesquisa divulgada este ano pelo IPEA, sobre a taxa de desemprego entre os jovens no Brasil, identificamos que ela foi de 19% em 2005. Os jovens entre 17 e 24 anos representam 46,6% do total de desempregados do país e esse índice tem subido ano a ano. O cenário não é nada animador.
Fica a pergunta: vale a pena preparar os nossos jovens apenas para o emprego?
Acredito que não, precisamos urgentemente de vias alternativas que abram a mente desses jovens e desvendem um mundo além do emprego tradicional.
Segundo trecho do artigo divulgado no site do educador Gilberto Demenstein, “Surgem rapidamente novas profissões ou novas habilidades em velhas profissões. A FIA (Fundação Instituto de Administração), ligada à USP, fez um levantamento com especialistas sobre as atividades do futuro. Nenhuma delas tem cursos específicos nas universidades; seus conhecimentos estão espalhados. Isso significa a necessidade de uma visão multidisciplinar. Uma das profissões, segundo a FIA, é “gerente de ecorrelações”.
Se a preferência será por novos cursos que ainda nem foram regulamentados e preparamos os nossos jovens para os cursos tradicionais, ensinando-os a decorar, o que podemos esperar de espírito criativo, inovação e ousadia?
Quem tem filhos no ensino médio sabe do que estou falando, temos no nosso país um imenso vácuo onde habitam a dúvida, a incerteza e também a falta de iniciativa daqueles que são os responsáveis por pavimentar esses caminhos.
Nossas escolas e universidades ainda estão presas em grades curriculares que cumprem o necessário, baseadas no século passado e formando profissionais indecisos e sem direção.
Falar em empreendedorismo significa falar em formação de base, temos que começar lá no ensino fundamental, passar pelo ensino médio e chegar à universidade com o propósito de formar empreendedores, independente do curso que irão se graduar, aplicar conceitos básicos do empreendedorismo como ciência.
Hoje o empreendedorismo ainda é tratado como uma alternativa ao desemprego quando imagino que deveria ser uma alternativa antes do emprego, principalmente para aqueles que têm condições educacionais e financeiras para partir de imediato para essa alternativa.
O emprego sempre será a ocupação profissional da grande parcela dos trabalhadores, porém, não deveria ser a única, desenvolver alternativas além do emprego é fundamental para manter a mente viva e a nossa sociedade em evolução.
Tratar empreendedores de sucesso como heróis de gerra não é a melhor opção, precisamos mirar nos melhores e aprender com eles, neste quesito os americanos dão aula, apesar da imensa crise em que estão metidos a confiança no empreendedorismo permanece inalterada, esse é o caminho. O que faltou nos EUA e na europa foi regulamentação e ética, basta corrigir.
Precisamos de profissionais inconformados com a manutenção das coisas como elas são, pessoas conectadas na busca do novo, de novos processos, de empresas mais produtivas, da solução de problemas básicos como racionalizar os recursos naturais existentes, aproveitar os milhares de toneladas de lixos que geramos diariamente, novas soluções de moradia para a população de baixa renda, alternativas de transportes para uma população crescente, dentre tantos outros problemas que escondem oportunidades maravilhosas.
O novo mundo será habitado pelos empreendedores, os empregados apenas manterão o estado das coisas, como já fazem hoje.
10 de Abril de 2009 às 01:54
Sergio Oliveira
Quando o capital encontra a oportunidade está desenhado o casamento perfeito e nada mais poderia atrapalhar o surgimento de um novo negócio.
Que bom se assim fosse, mas as grandes idéias muitas vezes estão no estado bruto e até chegarem ao ponto de se transformarem num negócio de verdade passam por um longo período de lapidação.
A lapidação nada mais é do que um processo de refinamento da idéia, para que ela apresente seu verdadeiro brilho a ponto de encantar e despertar o real interesse dos detentores do capital em apoiar esse novo negócio.
O que observo no dia a dia é que o empreendedor que tem a capacidade de criar novas propostas de negócios e identificar oportunidades não tem a mesma habilidade para traduzir essas idéias de forma que elas convençam.
Geralmente o criador costuma estar a “mil por hora” nas suas idéias e isso dificulta que ele se concentre numa única proposta. É como o pintor de quadros habilidoso que tem toda a sua energia voltada para a arte, ele não consegue identificar o real valor de suas pinturas, sua vida é transpirar a criação de novos temas e seu dom é artístico. Quando ele encontra um bom marchand sua arte se transforma num negócio lucrativo.
Conheço empreendedores que são uma usina de idéias, só que com a torneira do tanque aberta, não conseguem represar nada, criam, jogam no ar, a idéia se perde e partem para outras viagens, assim vivem sem nada concretizar…
A habilidade para identificar uma oportunidade está mais relacionada a percepção aguçada e sensibilidade a flor da pele, já o detalhamento de uma proposta e sua tradução em números é uma habilidade essencialmente técnica, pede senso crítico apurado e capacidade de fechar o foco.
Raros são os caso onde a sensibilidade extrema para identificar oportunidades habita no mesmo corpo humano que também sabe fazer um detalhamento técnico de qualidade.
Já uma habilidade fundamental a todos nesse processo de criação de um novo negócio, seja em vôo solo ou com parcerias é a capacidade de relacionar e saber ouvir, sem elas não se vai a lugar algum.
Cresci escutando o dito popular: “ Deus não da asas para cobra” e isso apesar de simples e banal é uma grande verdade, imagine se o criador das idéias tivesse a capacidade técnica de refinar essas idéias e torná-las aplicáveis e ainda por cima detivesse capital de sobra para colocá-las em prática.
Acredito cada dia mais que essa necessidade das pessoas dependerem uma das outras para a criação de negócios vitoriosos é que torna tão fascinante e desafiadora a prática do empreendedorismo.
3 de Abril de 2009 às 08:07
Sergio Oliveira
Imagine dois trabalhadores, um operário que recebia salário médio mensal de R$ 1.000,00 e um Diretor que era remunerado mensalmente por algo em torno de R$ 30.000,00.
Considere que os dois estavam na empresa a 10 anos, que foram surpreendidos com a demissão do emprego e que terão no dia do acerto os seguintes direitos:
- Saldo da conta do fundo de garantia – FGTS (8% ao mês sobre o salário base)
- Multa de 40% sobre o saldo do FGTS pela demissão sem justa causa.
- Proporcional de férias e 13º salário, (que dentre outras indenizações poderá chegar até três salários)
Feita as contas, no acerto final o operário levará para casa algo próximo de R$ 19.800,00 e o diretor receberá um polpudo cheque estimado de R$ 594.000,00.
Sabendo que a partir do acerto os dois estarão desempregados, e analisando os valores recebidos é notório que o operário saiu em desvantagem, porém, divida o valor recebido pelo diretor pelo valor recebido pelo operário e verá que a diferença será de 30 vezes, a mesma que existia entre o salário mensal dos dois, confira:
- R$ 30 mil divido por R$ 1 mil, da um multiplicador de 30 vezes, o mesmo resultado de R$ 594 mil divido por R$ 19,8 mil, a conta é matemática.
Se do ponto de vista financeiro o diretor leva vantagem, do ponto de vista do comportamento após a demissão, nem sempre.
Um operário com salário de R$ 1 mil mensal, está acostumado a levar uma vida regrada e a enfrentar situações difíceis. Faz parte do seu cotidiano.
Já o diretor demitido terá grandes dificuldades para reduzir seu padrão de vida, perderá o carro, o motorista, o cartão corporativo, deixará o terno e a gravata de lado e se isso estiver incorporado a sua identidade ele certamente entrará em parafuso.
É neste contexto conturbado que decisões importantes serão tomadas.
A primeira e a mais natural é sair imediatamente em busca de um novo emprego, se possível com o mesmo salário, ocorre que isso nem sempre se confirma e com o passar dos meses o profissional acaba tendo a sua autoconfiança minada.
Traçar um plano para garantir renda é fundamental.
O risco é demorar muito para agir e com isso consumir as reservas financeiras sem que a alternativa de renda tenha sido construída.
Para o operário iniciar um negócio com aproximadamente R$ 20 mil não será nada fácil, principalmente se ele não tinha planos de trilhar esse caminho. persistir na busca de um novo emprego poderá ser a melhor alternativa.
Se ele pensa em um dia ter o seu negócio próprio deverá fazer uma poupança em longo prazo, a fim de economizar o valor necessário para o negócio escolhido e também reservar uma valor para a despesa mensal até a empresa entrar na fase dos lucros que permitam uma retirada mensal a título de pró-labore.
Pensando no Diretor, a sua vantagem financeira será apenas aparente e ela só se transformará em vantagem real se ele for muito austero com os gastos na fase das vacas magras.
A idéia do negócio próprio para o Diretor é mais real, pois, o que ele tem de recursos financeiros provenientes do acerto daria para abrir uma boa empresa e ainda manter uma reserva financeira para os gastos da família por pelo menos o primeiro ano de vida do negócio.
Se as possibilidades para o Diretor são maiores, desde a experiência gerencial até a vantagem financeira, conseguir descer do pedestal e abrir mão do status será o seu maior desafio.
Interessante observar que quando se tem a vantagem financeira e a condição básica gerencial falta à coragem para abrir mão do conforto e partir para a luta.
Quando a garra e a coragem são os principais atributos falta à experiência gerencial e os recursos financeiros.
Esse é o grande dilema dos profissionais demitidos quando passam a pensar no negócio próprio como uma alternativa real de geração de renda, qualquer que seja a posição que ele ocupasse, de operário a diretor, a falta que fará a estruturação de alternativas ao emprego será imensa, mas como a necessidade faz a hora, de alguma forma eles terão que tirar o atraso e se qualificarem, se a escolha for pelo empreendedorismo.
28 de Março de 2009 às 00:48
Sergio Oliveira
As dificuldades pelas quais passam as empresas neste momento são uma prova de fogo e um verdadeiro teste de resistência.
Ocorre que, se investigado mais a fundo encontraremos empresas vitoriosas, que contrataram bastante nos últimos anos, em virtude do crescimento e necessitam realmente de ajustes em função da queda nas vendas.
Por outro lado encontraremos empresas que já vinham com problemas, principalmente financeiros e de mercado e que aproveitaram a crise atual para embalar esses problemas e não mais pagar fornecedores, empregados e demais parceiros, numa clara manobra de oportunismo, que se transforma ao final num pedido de recuperação judicial.
Tem inclusive empresas que já se utilizaram deste recurso no passado e agora, novamente, recorrem à alternativa da recuperação judicial como último suspiro, bsta ver os relatos nos jornais diários.
Diria que, algumas empresas são uma grande aventura, onde os gestores se aproveitam de bons momentos do mercado como o que acabamos de assistir e criam negócios com bases frágeis, estruturas artificiais e que acabam ruindo quando as condições do mercado se tornam mais áridas e exigem mais dos modelos de negócios implantados e de um correto gerenciamento.
Seremos espectadores, neste ano de 2009, de uma quantidade acima do normal de aquisições de empresas em dificuldades por concorrentes em melhores condições e também da saída do mercado de competidores que não estavam preparados para o jogo real que teremos pela frente.
Isso representará uma perda para os que saem, mas deixará um sem número de oportunidades para aqueles que estiverem atentos, isto significa:
- Pode ser a sua chance!!!
5 de Março de 2009 às 01:40
Sergio Oliveira
Ninguém espera ser demitido, mas todos sabem da possibilidade e deveriam considerá-la desde o segundo dia de trabalho, ocorre que os anos passam, o empregado cresce junto com a empresa, torna-se confiante, e quer acreditar que ele está garantido e que se houverem demissões, aqueles empregados que se empenharam menos irão antes dele.
Isso é uma verdade parcial, pois, dependendo do tamanho da redução de pessoal necessária, a lista alcançará um número maior de pessoas e muitas vezes deixará de lado os critérios técnicos e passará a ser guiada pela necessidade da enxugar os custos da folha de pagamento, é neste momento que a foice se volta para os empregados mais antigos e mais qualificados, é o que chamo de “cortar na carne”, demite-se pessoas essenciais para a empresa pelo simples fato de não conseguir pagar seus salários e mantêm-se os novos que pesam menos.
Os empregados que ficam são tomados pelo pavor e medo de serem os próximos e para os que saíram fica a dura tarefa de procurar um emprego e tentar garantir uma renda de valor próximo da que acabaram de perder.
Situação nada desejável, mas que já é realidade de pelo menos um milhão de trabalhadores que perderam seus empregos desde outubro do ano passado.
A grande maioria não preparou um plano alternativo e agora, caso não encontrem um emprego passarão a pensar no negócio próprio como uma possibilidade de geração de renda.
Eles estão errados?
Diria que não, mas alguns cuidados precisam ser tomados.
Volto ao assunto nos próximos posts.
1 de Março de 2009 às 01:15
Sergio Oliveira
O atual momento econômico onde a crise de liquidez associada à redução das vendas castiga, sem piedade, desde as pequenas até as grandes corporações, trás no seu bojo uma grande oportunidade para aquisição de empresas que encontram dificuldades para manter o seu negócio em pleno funcionamento.
Vários fatores têm levado empresários a analisarem a possibilidade de venderem suas empresas, hipótese que antes nem era considerada.
A restrição ao crédito de uma forma geral, aliada ao alto grau de alavancagem de algumas empresas formou uma química explosiva que foi potencializada pelo vencimento de compromissos junto a fornecedores, impostos e a necessidade de honrar a folha de pagamento mensalmente, uma pressão descomunal sobre o caixa dos negócios que financiavam as suas atividades e projetos de crescimento com recursos de terceiros e concentrados no curto prazo.
Uma estratégia financeira que nada tinha de errado, aliás, era a mais usual dentre as empresas de pequeno e médio porte, o que ninguém contava era que o cenário sofreria uma mudança tão drástica e de forma tão rápida, a ponto de não permitir a transição para uma posição financeira mais confortável.
Fato é que o problema está instalado e a busca de alternativa é urgente e necessária. Cada empresa se socorre da forma que pode, seja buscando novas fontes de financiamento com prazos mais longos, seja liquidando ativos ou implantando um rigoroso programa de corte nos custos.
Ocorre nem todas as empresas possuem ativos para serem vendidos ou já esgotaram essas possibilidades, o aperto ainda persiste e seus sócios já vêem na venda no negócio uma alternativa para recuperarem parte do dinheiro investido.
Ideal que não estivesse ocorrendo tal situação, mas já que se trata de uma realidade, é importante relatar, as oportunidades de compra de empresas nunca estiveram tão favoráveis, tanto para aqueles que pretendem ampliar seus negócios via aquisições de concorrentes, quanto para quem se prepara para abrir um negócio próprio e poderá garimpar uma boa oportunidade de compra e já iniciar alguns passos à frente.
Importante observar que por estar com um preço de compra interessante não significa que todos os negócios serão lucrativos quando forem assumidos pelo novo empreendedor, investigue ao máximo o modelo do negócio e sua viabilidade, busque auxílio de contadores e advogados e muito cuidado para não comprar gato por lebre.
No mais, boas compras!
8 de Janeiro de 2009 às 22:11
Sergio Oliveira

Respondo a um comentário postado no blog, que traz consigo uma provocação:
“Ainda não achei um meio certo para ganhar dinheiro na internet, estou tentando, quero ser empreendedor, sou jovem e gostaria de saber o que fazer na internet ou não, para começar meu próprio negocio com pouco ou quase nada de investimento, pode parecer estranho isso, mais já li vários relatos de pessoas que começaram do zero, mais o engraçado é que essas pessoas não falam o caminho…talvez por medo de concorrência.
Espero que responda esse comentário, sei que seu blog é muito visitado, mais gostaria de sua opinião”
Prezado Leitor,
O que você procura é o que chamo de “Busca Constante da Fórmula Mágica”, que se sustenta no seguinte tripé:
a) Empreender com pouco ou quase nada de dinheiro
b) Construir um negócio vitorioso
c) Ganhar dinheiro o bastante para se aposentar aos 40 anos
Essa tal fórmula mágica não é tão fácil assim de ser encontrada, também procurei e não achei.
Se ela existir não será vendida barato. Quem detiver a verdadeira fórmula terá encontrado o segredo do sucesso.
Aliás, se tem alguém que até agora conseguiu ganhar dinheiro vendendo a “Fórmula Mágica” foi a autora do livro “ O Segredo”, Rhonda Byrne, que só do DVD do filme com o mesmo título vendeu mais de 2 milhões de cópias.
Veja só, todos estão em busca da mesma fórmula mágica, e o que será que aconteceu com os milhares de pessoas que leram o livro e assistiram o filme mundo a fora?
Na minha opinião: NADA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Por que?
Simplesmente porque partem da premissa de que querem ganhar dinheiro, enquanto a premissa correta deveria seguir uma seqüencia de atos:
1) Identificar uma oportunidade para empreender, uma necessidade não atendida, fazer algo diferente, que as pessoas desejem e que elas aceitem pagar um algo a mais por esse produto ou serviço.
2) Veja quais os conhecimentos serão requeridos para produzir este produto ou prestar esse serviço, se qualifique ou contrate alguém que tenha essas competências.
3) Realizar um bom planejamento de entrada no mercado, seja o mais detalhista possível, teste várias possibilidades, simule cenários e realize pesquisas de mercado.
4) Estude e se prepare para gerir um negócio de forma completa (lucratividade, custos, pessoal, clientes, vendas, compras….)
Enfim, Trabalhe duro, de sol a sol e aí sim, ao invés da “ Fórmula Mágica” para ganhar dinheiro você poderá ter pavimentado um longo caminho que te levará a construção de um negócio que poderá ser vitorioso ou não, pois, lembre-se sempre:
- Ninguém, nunca, em lugar algum poderá te garantir que terá sucesso na sua jornada empreendedora, porquê:
EMPREENDER É ASSUMIR RISCOS E CONVIVER COM ELES DE FORMA PLANEJADA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Te desejo uma Boa Sorte na sua caminhada!
16 de Setembro de 2008 às 08:10
Sergio Oliveira

Sociedade sempre será uma incógnita, traz consigo o benefício da soma de forças e de recursos e por outro lado expõe a nova empresa aos riscos das decisões compartilhadas.
Se for estruturada com regras claras de conduta, divisão de responsabilidades e fundamentada num compromisso muito forte entre as partes, as chances de dar certo são grandes.
Considero esses pontos fundamentais, eles funcionarão como um óleo lubrificante no relacionamento entre os novos empreendedores que resolveram tocar seus negócios em sociedade.
O que definirá o quanto irá durar e se irá triunfar será a química entre os sócios, que resulta de uma mistura de sonhos, ideais, valores e competências.
Por melhor que sejam os planos da nova sociedade, por maior que seja a oportunidade de mercado e por mais afinado que estejam os parceiros, as turbulências aparecerão com o tempo, elas são inevitáveis, só não conseguimos prever a intensidade.
Tanto é realidade que todo bom Plano de Negócios aborda as “Contingências internas e externas”, que nada mais são do um nome bonito e moderno para dizer:
- SIM, teremos problemas, e quando eles surgirem, serão tratados da seguinte forma….. (e aí fica a cargo da criatividade de cada empreendedor)
Ter habilidade para administrá-las será o grande segredo que permitirá que sigam em frente juntos.
No mundo das sociedades empresariais, as turbulências internas de relacionamento entre sócios são provocadas por diversos motivos, sendo que, em minha opinião os principais são:
1) Dificuldades financeiras para implantar o negócio da maneira correta e completa.
2) Retorno esperado não se confirma, o que coloca em posição oposta sócios otimistas e conservadores.
3) Expectativa de remuneração dos sócios superior a condição da empresa de suportar tais retiradas mensais.
4) Opiniões contrárias sobre decisões de investimento e direcionamento da empresa (novos produtos, novos mercados de atuação, contratação de empregados…)
5) Interferência de parentes e amigos nas decisões. (Pais, irmãos, esposas, maridos, filhos…)
Teria muitas outras para listar, mas todas as vezes que encontro pela frente um conflito entre sócios, pelo menos três da cinco situações listadas acima estão presentes e são suficientes para destruir a sociedade e se nada for feito para solucioná-las podem comprometer até o negócio.
Ao entrar numa nova sociedade ou mesmo numa já existente, o melhor momento para elaborar uma cartilha que será consultada em momentos de crise, que pode até ser intitulada de ” Regras de Relacionamento Entre Sócios”, é quando está tudo dando certo, deixar essas discussões para os momentos de instabilidade torna incerto e não sabido o futuro da empresa.
Aos que se interessam pelo tema recomendo a leitura do artigo ” Sociedades, uma questão de Equiliíbrio”, editado em 02/07/07.
13 de Setembro de 2008 às 17:35
Sergio Oliveira
Um leitor do nosso blog fez o seguinte questionamento:
” Penso em iniciar um Negócio Próprio, tenho R$ 20 mil para isso, porém, não sei o que fazer, qual ramo investir. Estou em dúvida sobre um Salão de Beleza, Transporte Escolar ou um Cyber Café somente com jogos em rede, o que faço?”
Prezado Leitor,
A sua dúvida é a mesma de milhares de brasileiros que pensam em começar sua vida empreendedora.
Saiba também que, mais de 80% dos negócios são iniciados com valor de capital próximo ao que você dispõe neste momento.
Mas, antes de você decidir por qual ramo de atividade irá empreender é recomendável que consiga identificar de forma bastante clara pontos fundamentais que determinarão o sucesso ou fracasso do seu negócio.
Ajuda bastante montar um quadro comparativo, que permitira uma avaliação dentro da relevância que você considera, sugiro alguns ítens:
- Valor do investimento total
- Horas de trabalho/dia/finais de semana e feriados
- Necessidade de empregados - quantos?
- Concorrência
- Lucro líquido
- Prazo de Retorno do Investimento
- Perspectiva de Crescimento (pontue de 1 a 10)
- Sua capacidade para gerir este negocio (pontue de 1 a 10)
- Satisfação Pessoal (pontue de 1 a 10)
O valor do capital sempre será um forte limitador, pois deixa de fora negócios que demandam investimentos superiores ao que você tem de disponibilidade, mas , nem por isso você deve desistir.
Avalie bem cada uma das alternativas, elimine, acrescente, esta é a hora que você pode e deve errar.
No momento da decisão escolha aquele que mais pontos alcançar dentro do seu quadro comparativo, pesa bastante o fato de você se identificar com a atividade e, podendo combinar, alie também ao que oferecer as melhores margens de lucro e perspectivas de crescimento.
Estude e investigue bastante antes de investir seu valioso capital.
Sucesso,
Sérgio Oliveira
16 de Julho de 2008 às 23:23
Sergio Oliveira

Olho para a frente e tento imaginar como será o empreendedor do futuro. Vejo um profissional com bom domínio dos conceitos básicos de gestão e em condições de conduzir o seu negócio.
Alguns sinais me levam a pensar assim, os quais compartilho:
A) A pesquisa realizada em 2007, pelo Sebrae, com o título “Fatores Condicionantes e Taxa de Sobrevivência e Mortalidade das Micro e Pequenas Empresas no Brasil 2003-2005”, identificou que o percentual de sobrevivência, de pelo menos dois anos, saltou de 51% em 2002, para 78% em 2005, por uma série de fatores, dentre eles uma melhor qualificação e capacitação do empreendedor. Esse comportamento é crescente e tende a se consolidar, graças ao apoio de entidades como SEBRAE, FEDERAÇÕES ESTADUAIS (FIESP, FIERJ…), ASSOCIAÇÕES COMERCIAIS…
B) As universidades já tratam o tema empreendedorismo como uma matéria essencial na preparação de administradores, contadores, economistas, engenheiros e advogados. Cursos de graduação em empreendedorismo, autorizados e reconhecidos pelo MEC já são 17, fora os demais que estão em processo de reconhecimento e centenas de pós-graduação. Essa popularização explica por que estamos migrando de empreendedores por necessidade para empreendedores por oportunidade. (ver pesquisa GEM 2007)
C) O desenvolvimento de planos de negócios é um exercício praticado por jovens conectados, que já perceberam que o emprego estará cada dia mais escasso. (2800 candidatos por vaga foi a média de inscritos para as vagas de trainee mais cobiças, ofertadas por multinacionais de 1ª linha neste ano, no Brasil.)
Mas, se o futuro será realmente com empreendedores mais capacitados, em qual arena será travado o duelo da competição empresarial, na busca por maiores fatias de mercado e clientes?
Em minha opinião, a vitória dependerá da habilidade em realizar as conexões corretas entre as diversas informações e comportamentos que estão em processo de formação/consolidação e que serão os vetores da nova era empresarial.
Num rápido exercício e sem a pretensão de esgotar o assunto, aponto cinco tendências para essa nova era:
1) A capacidade do empreendedor de estabelecer parcerias com colaboradores, fornecedores e clientes. Por incrível que pareça percebo as pessoas voltando a valorizar a confiança, a ética e o respeito nas relações comerciais e pessoais. Cumprir o combinado, sistematicamente, terá mais valor que um contrato assinado.
2) Os pequenos negócios se agruparão em forma de caravana, (para se fortalecer) onde a cada parada ela se reabastece, equipa, dispensa, contrata e segue viagem num formato adaptado às necessidades do novo trecho que será percorrido. Essa parada será adequada a cada grupo de empresas, seja por semana, mês, semestre, ano…, cada grupo de afinidade praticará um intervalo de tempo específico.
3) Cada dia que passa nós entramos mais na era das rupturas, reais, planejadas e também das forçadas (fictícias). Saber diferenciá-las será decisivo. Novas tecnologias, novas experiências, exercerão uma pressão muito grande nas decisões. Transitar no “novo” mundo exigirá muita cautela e precisão. As mudanças necessárias ao negócio do seu vizinho podem não se aplicar ao seu. Estar preparado para fugir das verdades absolutas e dizer não a algumas propostas será vital.
4) O nível de tolerância com empresas que poluem, devastam, contamina o solo, descartam resíduos não tratados, contratam trabalhadores informais, utilizam mão de obra infantil e que não garantam seus produtos e serviços, será próximo de zero.
5) Transformar a realidade a sua volta, para melhor, será o grande desafio de uma empresa. Assim que ela deverá ser percebida: Responsável, simples e útil para a construção de um futuro melhor, em todos os sentidos.
Qual o prazo que o empreendedor tem para se adequar?
- Depende, o futuro pode ser a partir de amanhã para alguns e daqui a dez anos para outros.
O que realmente importa é que seja dado o primeiro passo na direção de aproveitar cada ação diária para construir uma identidade, uma estratégia de sucesso, é que esta possa se converter no grande diferencial da sua empresa para os clientes.
20 de Junho de 2008 às 00:44
Sergio Oliveira
A falta de definição clara dos rumos a seguir é como uma nuvem negra que paira nos céus das pequenas empresas e turva a mente e o cérebro de todos.
A praticidade nas ações diárias simplifica o discurso, torna mais fácil o entendimento da mensagem que precisa chegar à equipe, que é quem efetivamente constrói o resultado.
O empreendedor é o gestor maior e como tal deve se comportar. Negócios de sucesso têm a frente pessoas visionárias, acompanhadas de um forte senso prático.
A estruturação de uma empresa pode ser realizada de várias formas, um modelo de sucesso que vem ganhando força ultimamente é considerar as diferentes dimensões que se interelacionam no ambiente interno e externo.
Como sugestão, considere as dimensões Pessoas, Sócio-ambiental, Negócios e a Financeira. Abaixo desses tópicos encaixe tudo o que você faz e que tenha relevância, desça ao grau de detalhamento necessário, ou seja, aquele que permita o correto entendimento, por mais simples e básico que seja o nível de estudo dos seus colaboradores.
Mapeadas todas as ações desenvolvidas por dimensão e ajustadas às interligações entre elas, cada colaborador deverá conhecer o “quebra-cabeças” do negócio e saber qual peça ele é neste jogo, entender o que é esperado dele, quanto ele custa para a empresa e quanto ele pode e deve gerar de retorno.
De forma figurada, seria interessante que eles recebessem uma cartilha com o seguinte título: “COMO CONTRIBUIR PARA O CRESCIMENTO DA EMPRESA E CRESCER JUNTO”, ali estaria uma síntese do que é mais importante e diria até vital para a sobrevivência. Sou um adepto das regras claras. Isso gera obrigações para ambas as partes.
Estabeleça uma fatia interessante do lucro líquido (a partir de 25%) e a distribua entre os empregados, isso aumenta o comprometimento e muda a percepção da equipe com relação à valorização do time.
Estimule as sugestões, crie uma premiação em função da relevância da idéia. Torne público os vencedores, todos querem ser reconhecidos numa competição saudável.
Tome cuidado para esse exercício não ficar muito filosófico, recorde-se ao título desse artigo: “ SEJA PRÁTICO”, e para isso nada melhor do que começar a discussão pela última linha do DRE - Demonstrativo de Resultados do Exercício, ou seja, o Sr. Lucro Líquido!
2 de Maio de 2008 às 07:54
Sergio Oliveira

Fico muito assustado quando chego numa empresa e sou apresentado a um novo gestor contratado para “salvar a empresa”.
A recepção geralmente é assim:
- Passamos por alguns problemas internos e/ou de mercado e contratamos tal profissional para solucionar. A partir de agora a empresa entrará num novo ciclo e reverteremos os resultados negativos e blá, blá, blá, blá, blá……
Caro leitor, se realmente existisse um profissional que detivesse a fórmula mágica salvadora de empresa em dificuldade, quanto ele cobraria pelos serviços prestados?
Alguém vindo de fora poderá ter tal assertividade?
Na medida esperada?
No tempo necessário?
Como o orçamento disponível?
Será aceito pela equipe?
A transformação proposta será sólida?
Na realidade os resultados nada mais são que o produto final de uma conjugação de diversos fatores, que vão desde o comportamento do mercado (visão externa) a forma como o proprietário da empresa é percebido pelos seus empregados (visão interna).
Uma nova gestão poderá representar uma etapa importante no trajeto, mas nada trará de efeito se estiver desacompanhada dos exemplos necessários para se reestabelecer a crença de todos os parceiros no futuro da empresa.
Recordo-me sempre de um trecho do filme de Cristóvão Colombo que retrata a viagem na busca de uma rota marítima para o oriente, com o título “1942, A conquista do Paraíso”.
A tripulação, já descrente da possibilidade de estar na direção correta para encontrar terra firme, tinham no comandante Cristóvão Colombo a única figura capaz de salvá-los, já que era ele o responsável pela direção da Nau e das Caravelas.
Tal direção nada mais era do que o divisor entre a vida ou morte. Se estivessem no rumo certo encontrariam terra firme e estariam salvos, se a direção estivesse errada significaria o fim, não teriam mais água e nem alimentos para testar uma nova rota.
Nas pequenas empresas várias situações se assemelham a uma expedição rumo ao desconhecido. Os recursos são escassos e nem sempre as condições são favoráveis.
Caro empreendedor o melhor caminho é se preparar para gerir sua empresa, a viagem será emocionante e guardará diversas surpresas agradáveis e desagradáveis, a vida é assim. Caberá apenas a você tornar essa expedição o mais previsível possível.
Quem for por esta rota não precisa recorrer a santos milagreiros e muito menos acreditar em Duendes e Gênios da Lâmpada.
8 de Março de 2008 às 15:45
Sergio Oliveira

Conheço executivos de multinacionais que são extremamente competentes, gestores acima da média e que ano após ano tem contribuído sobremaneira para o crescimento das empresas para as quais trabalham.
Convivo também com executivos de empresas públicas que poderiam estar ocupando os postos mais qualificados em empresas globais.
Considerando que trabalham para empresas com propósitos diferentes e que os ambientes corporativos são opostos, o que eles teriam em comum?
Diria que são Gestores irreverentes, que, independente da corporação a qual estão vinculados, se prepararam para liderar e entenderam a essência do conceito de que lucratividade é essencial.
Esses profissionais estão à frente de projetos ousados e que foram confiados a eles pela competência instalada. Eles sabem formular estratégias, vender idéias, liderar equipes, gerenciar conflitos e o principal, buscar um resultado final que traga solução para o cliente e que seja fonte de lucros para a empresa.
São peças-chaves para a corporação, um exemplo vivo de entrega de corpo e alma, são apresentados como exemplo a ser seguido pelos demais empregados. No mercado de trabalho estão cotados a preço de ouro.
Toda essa massagem de ego para encobrir o óbvio: suas idéias e criações são apropriadas e escrituradas em nome da empresa empregadora, uma transferência formal de direito de criação e que nem sempre retorna ao criador sob forma de participação direta nos lucros gerados pela inovação.
Além de terem suas criações apropriadas ainda correm um risco que julgo ser maior, essa entrega total, o conjunto de competências desenvolvidas, acabam conduzindo tais profissionais a cargos importantes, que trazem consigo uma série de benefícios e mordomias, com as quais ele acaba se acostumando e abaixa a guarda, muitos chegam a perder a própria identidade, não são ninguém além de um cartão de visitas timbrado com a logo da sua religião: a empresa.
Bom ou ruim?
Bom se ele souber planejar sua carreira, vida pessoal, não gastar tudo o que ganha, poupar e desenvolver um plano “B” para quando quiser deixar a condição de empregado.
Ruim se o padrão de vida estabelecido consumir toda a renda, não sobrar nada para poupar e a vida social intensa não deixar espaço para a preparação de um plano “B”.
Às vezes me pergunto como seriam esses profissionais conduzindo as suas próprias empresas. O que seriam capazes de gerar de novas idéias, novos produtos e novos empregos.
Quem já trabalhou como empregado sabe, que, por mais espetacular que seja a empresa empregadora, sempre existirão situações com as quais você não concorda e que quase nada poderá fazer para mudar, situações que são fonte permanente de insatisfação e estresse e que você acaba “aceitando” por conveniência.
O emprego bem remunerado gera acomodação e afasta esses grandes talentos da atividade empreendedora, muitos preferem se intitular intra-empreendedores e vivem felizes com esse título, mas lá no intimo creio que por diversas vezes se sentiram tentados a ousar e começar um negócio próprio.
Sempre carreguei comigo o lema que é título desse artigo,
“DESCULPE-ME, NÃO ESTOU A VENDA!”. Necessito sempre de ter uma cópia da chave que abre a porta de saída, sem traumas.
Tudo tem um limite e quando o preço a ser pago for muito caro na sua escala de valores, não hesite, coloque em prática o seu plano “B”!
15 de Fevereiro de 2008 às 23:43
Sergio Oliveira
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