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A família Batista, controladora do JBS Friboi, o maior frigorífico de carne bovina do mundo, fundou em julho do ano passado o Banco JBS no qual tem adotado uma estratégia de atuação que considero vencedora e que certamente trará clientela cativa e bons lucros.
O banco financia o pecuarista com a finalidade específica de engorda dos bois, que ao estarem prontos para o abate serão vendidos ao frigorífico JBS, que em seguida paga o banco.
O sucesso da operação estará calcado na correta construção da operação, seja prazo, taxa de juros e as exigências que serão feitas do agropecuarista, o desenho é bom e tudo para dar certo.
O pecuarista poderia obter esses recursos através de outros bancos e outras linhas de crédito, mas, quando a operação de crédito é construída envolvendo o produtor da matéria-prima e a empresa que utilizará essa matéria-prima fecha-se um ciclo positivo.
O banco parceiro precisa ser especialista no segmento de atuação e conhecer o comportamento do mercado consumidor ao qual será destinado o produto final, com isso realiza-se a avaliação de risco de crédito de ambas as empresas, e monta uma operação de crédito específica, direcionada a cadeia produtiva daquela grande corporação, que, em alguns casos, suporta o risco do financiamento, melhorando a avaliação do seu fornecedor e minimizando o risco de inadimplência o que permite a redução da taxa de juros e a exigência de garantias adicionais.
O sonho de todo banco é emprestar e ter a certeza de que o capital retornará para os seus cofres. Se não existisse inadimplência o mercado financeiro seria perfeito do ponto de vista de disponibilidade ilimitada de recursos, com prazo a sumir de vista, mas não é o caso, o risco existe e o grande trabalho é tentar minimizá-lo.
A exigência de garantias que hoje é o principal gargalo para os empreendedores quando procuram um financiamento é uma das formas encontrada pelo banco de tentar controlar o retorno do dinheiro emprestado. O problema é que os pequenos e médios negócios nem sempre dispõem dessas garantias para oferecê-las.
Práticas desta natureza, como a do Banco JBS, fortalecem as empresas que recebem o apoio, com reflexos positivos na produtividade e redução de custos financeiros, a roda gira e todos ganham.
O empreendedor poderá se planejar, com a segurança de que terá os recursos necessários para incrementar o seu negócio, o frigorífico garante a matéria-prima e o banco cumpre o seu papel de realizar lucros através da intermediação de operações financeiras, remunerando seus acionistas.
Louvável a iniciativa, que poderia servir de exemplo para outros bancos e grandes corporações que poderiam compor e apoiar seus fornecedores vinculados a cadeia produtiva, facilitando o acesso ao crédito e dinamizando a economia.
11 de Junho de 2009 às 09:59
Sergio Oliveira
“Temos uma indústria com 4 anos de vida, que vem crescendo bastante, nosso imobilizado gira em torno de R$ 350mil e temos uns R$ 150mil em estoque.
Faturamos em média R$100mil/mês, e considerada a sazonalidade e o aumento da capacidade produtiva que tivemos recentemente, poderemos faturar até R$200mil/mês. A rentabilidade liquida fica em torno de 25%.
Devemos aproximadamente R$250mil em operações de Longo prazo e R$100mil no curto prazo.
Meu sócio quer vender sua parte, mas como não tenho dinheiro para comprar, precisaremos vender o negócio com um todo e cada um sair com a sua parte.
Por qual valor poderia vender, considerando todas essas informações?”
Prezado Leitor,
Para calcular o preço de venda da sua empresa seria necessário maior detalhamento das informações, mas podemos elaborar algumas considerações que podem ajudá-lo, vamos aos fatos:
- A empresa tem 4 anos de vida e fatura hoje R$ 100.000,00 por mês, sua capacidade de produção foi ampliada e conta agora com possibilidades de suportar vendas de até R$ 200.000,00/mês.
- A rentabilidade líquida é de 25%.
- Imobilizado de R$ 350.000,00 e estoques de R$ 150.000,00
- Dívidas de R$ 350.000,00, sendo R$ 250.000, no longo prazo e R$ R$ 100.000, no curto prazo.
Qual seria o valor de venda deste negócio?
O cálculo do valor de venda de um negócio é simples, mas é preciso muito cuidado para não colocar a venda por um preço maior do que vale e também para não vender por menos que se pode alcançar com essa venda.
Já vi muitas empresas serem vendidas utilizando o método mais fácil, que seria somar os bens mais estoques (350 mil+150 mil) e subtrair dele o total das dívidas (350 mil), o que daria um valor líquido, neste caso, a ser pago pela empresa de R$ 150 mil , considerando que os passivos trabalhistas, tributários e outros que houver ficarão vinculados ao CNPJ atual e que um novo CNPJ será aberto para abrigar os novos sócios.
Esse é o sonho de todo comprador de empresas, pagar o valor de liquidação, se possível em suaves parcelas, que serão amortizadas a partir do lucro que o próprio negócio irá propiciar.
Para os sócios que colocam a empresa a venda é natural que considerem o método acima como ponto de partida, mas também agreguem todos os pontos positivos da empresa, é o que chamamos de ativos intangíveis, que são a carteira de clientes já formada, os produtos desenvolvidos, a rentabilidade líquida oferecida pela empresa, o ponto comercial, os recursos humanos já treinados, o modelo de gestão do negócio, tudo isso consumiu tempo, dinheiro e sem dúvida nenhuma faz parte do sucesso do empreendimento e deverá fazer parte da precificação da empresa.
Considerando que são os dois extremos no cálculo do preço de uma empresa, o de liquidação e um completo contemplando todos os ativos intangíveis possíveis, o valor de venda estará, na maioria dos casos entre estes dois valores.
No artigo “Quanto Vale a sua empresa” falo um pouco das metodologias utilizadas, mas o fundamental é difinir esses limites mínimo e máximo e sair em busca dos interessados.
Hoje existem empresas especializadas em avaliação e venda de empresas, sites onde você pode cadastrar a empresa a venda, avalie se vale a pena ir por esse caminho ou buscar dentro da sua rede de relacionamento, fornecedores ou concorrentes um eventual interessado.
Diria que encontrar o comprador certo é o grande desafio, o preço será uma conseqüência da negociação.
Segundo Warrem Buffett, considerado o maior investidor do mundo, “Se você precisar de uma calculadora para saber se vale ou não a pena comprar um negócio, não deve comprá-lo. Quando um investimento é bom salta aos olhos”
O momento favorece a venda de empresas inovadoras e rentáveis, pois, muitos investidores capitalistas estão perdendo o sono só de pensar que ainda este ano a taxa de juros selic será menor que 10% ao ano e que as aplicações financeiras terão rendimento líquido em torno de 8% ao ano.
É razoável pensar que alguns deles sairão em busca de investimentos que lhes permitam rentabilidade maior do que isso e ao encontrarem pela frente um negócio que lhes salte aos olhos como disse Buffett, com baixo risco e rentabilidade líquida em torno de 25% ao ano considero que será bastante atraente e tentador.
31 de Maio de 2009 às 11:18
Sergio Oliveira
O Presidente Lula em pronunciamento no encerramento do Seminário Empresarial Brasil – Turquia, na sexta passada, bateu forte nos empresários brasileiros que operaram com derivativos e tiveram perdas pesadas em função da variação do dólar em 2008.
O termo utilizado por ele para classificar esses empresários foi de “Trambiqueiros” e sua crítica foi aos que ganham muito dinheiro sem produzir nada e especulando.
Lembrando que dentre as nossas empresas que perderam bilhões de reais nessas condições estão o grupo Votorantim, a Aracruz e a Sadia. A Votorantim teve que vender banco BV para o Banco do Brasil, a Aracruz foi incorporada pela VCP e a Sadia após perdas de R$ 2,6 bilhões sucumbiu e teve que se curvar a Perdigão que a comprou formando a partir de agora a Brasil Foods.
Ironia do destino ou não, em julho de 2006 a Sadia foi a mercado e fez uma oferta pública pelas ações da Perdigão, uma transação que recebe o nome de oferta hostil por ser lançada sem uma negociação prévia com a empresa que se pretendia adquirir, que no caso era a Perdigão.
Através da oferta hostil a idéia era adquirir 50% mais uma ação do capital da Perdigão, assumir o seu controle e anexá-la a Sadia, a operação não obteve êxito e ficou tudo como estava.
Trambiqueiros ou não apostar em derivativos especulativos é como pegar uma mala cheia de dinheiro e ir para Las Vegas, de cassino em cassino apostando na sorte, você tanto pode voltar com duas ou dez malas cheias de dinheiro como também pode perder até as meias e voltar nu.
Gostar de jogo é uma divertida forma de viver a vida e quem aposta seu próprio dinheiro não deve satisfação a ninguém, nem mesmo ao presidente da república.
Quando falamos de empresas que possuem capital aberto em bolsa o assunto muda, elas devem satisfação a todos os acionistas que investiram na empresa por acreditar na seriedade da gestão, nos conselhos de administração atuantes e todo o aparato que essas companhias possuem de suporte a decisão e mesmo assim foram surpreendidos com tamanho prejuízo.
Transparência na gestão, com responsabilidade esse é o ponto que fica como aprendizado após esse triste episódio que ficará marcado na história empresarial brasileira.
27 de Maio de 2009 às 08:20
Sergio Oliveira
Segundo reportagem divulgada no Jornal Valor Econômico, de 22/05/09, a Sony anunciou que, nos próximos três anos, irá reduzir pela metade o número de fornecedores, que hoje são aproximadamente 2,5 mil, serão 1,2 mil.
Essa seleção de fornecedores terá como objetivo comprar em volumes maiores, a preços menores, com uma redução de custos de até 20%.
Esse procedimento é padrão em mega corporações como a Sony, foi utilizado na Nissan quando o brasileiro Carlos Ghosn assumiu sua presidencia mundial e está no pacote de reestruturação esperadas de um CEO, em momentos de crise e queda nas vendas, sendo bem recebido por acionistas, que desejam dos gestores atitudes proativas para manutenção da lucratividade da empresa.
Na minha opinião, desenvolver fornecedores, buscar redução nos preços de insumos e matéria-prima, conseguir o menor preço possível na compra é condição básica da gestão de um negócio e não uma ação a ser desencadeada apenas em momentos de dificuldade.
A pergunta que fica é:
- Se será possível tocar o negócio com apenas 50% dos fornecedores atuais, manter a qualidade e ainda conseguir reduzir o preço em até 20%, por que não foi feito antes? Se tivesse sido implementado a três anos qual teria sido a economia e o contribuição para o lucro da empresa?
A reflexão vale para todos, desde o pequeno ao grande, comprar bem, a todo momento, ter o melhor insumo, ao menor preço possível, reflete diretamete no preço final dos produtos vendidos, pequenas diferenças de preço ao consumidor podem ser determinantes para a conquista de maiores fatias de mercado e consolidação da empresa.
23 de Maio de 2009 às 09:13
Sergio Oliveira
Olhamos para fora, olhamos para dentro, e agora o que fazer?
Segundo Martin Wolf, colunista do jornal britânico Financial Times, considerado por muitos como o mais influente jornalista financeiro do mundo, em entrevista a Revista Época Negócios, de fevereiro de 2009, a opção que nos resta é construir uma economia global mais equilibrada, com os países desenvolvidos se unindo aos países emergentes para reequilibrar as finanças internacionais ou o sistema se desintegrará.
Na conclusão da sua entrevista afirmou: “ Vivemos a maior crise das últimas sete décadas, e tudo deve ser feito para evitar que a inescapável recessão se transforme em algo pior. Mas é impossível eliminar a hipótese de crises, já que nem os mercados nem os governos podem ser perfeitos.”
Somando a sopa de letrinhas, a proposta é:
- Ao final de todo esse processo teremos uma nova ordem mundial, que será consolidada com o redesenho do sistema financeiro mundial, mais responsável, mais regulamentado e as empresas já ajustadas em porte e volume de produção para as novas demandas dos consumidores, bem mais modestas.
As pessoas tenderão a repensar o consumo desenfreado e se preocuparem mais com ter reservas financeiras, é a era da frugalidade, comprar somente o necessário, viver com o mínimo.
Isso é a redenção, será que vamos conseguir?
17 de Fevereiro de 2009 às 06:32
Sergio Oliveira
O estouro da bolha imobiliária dos Estados Unidos em 2007/2008, seguida da quebradeira generalizada dos bancos mundo afora expôs um lado oculto da gestão financeira mundial que somente os envolvidos na arquitetura financeira diabólica conheciam.
A falta de regulamentação e fiscalização nas operações bancárias nos Estados Unidos e na Europa permitiu que a criatividade aflorasse, e ao invés de melhorar o sistema para fortalecer as instituições eles partiram para uma gestão da autodestruição.
A crise financeira antecede a crise econômica, e o que ocorre neste momento é que a crise econômica já se instalou sem que a crise financeira tenha sido controlada.
O tamanho real do problema ninguém afirma com segurança, mas segundo reportagem divulgada dia 15/02/09, no jornal Estadão, que entrevistou vários analistas e economistas americanos e europeus, o circo montado se assemelha a uma fábrica em série de títulos podres, vinculados a hipotecas duvidosas que somam US$ 10,8 trilhões.
Outros US$ 12,37 trilhões estão alocados em empréstimos sem garantias como cartões de crédito e financiamentos de veículos.
Tanto os Estados Unidos quanto os 27 países que compõe o bloco da União Européia já se encontram oficialmente em recessão.
Com o agravamento da crise e a chegada da recessão o que era crédito bom passa a ser ruim em função do aumento da inadimplência, quanto maior a recessão, maior a inadimplência e assim não se consegue chegar ao fundo do poço, todo dia ele muda para o andar de baixo.
Uma coisa puxa a outra, a crise leva as empresas a demitir, o desemprego leva ao atraso nas prestações dos empréstimos, que por sua vez deteriora mais ainda as carteiras do bancos, o que aumenta a necessidade de novos socorros do governo, é uma ciranda sem fim.
Segundo a reportagem do Estadão, o governo americano já colocou nos bancos algo em torno de US$ 1,9 trilhão e pelo andar da carruagem poderá ter que aportar ainda entre US$ 2,0 trilhões e US$ 4,0 trilhões.
Valores astronômicos e que segundo o prêmio Nobel de economia, Paul Krugman, em recente entrevista ao jornal Valor Econômico, em jan/09, entende ser inviável em função do grande deficit que os Estados Unidos já apresenta. Na opinião de Krugmnan ele não acredita que os EUA teriam condições de gastar valores de US$ 3 tilhões em pacotes apenas para salvar bancos insolventes. Seria uma manobra muito arriscada.
Apenas 20 dias depois da entrevista, recalculando os numeros chegamos a conclusão que os gastos em socorros projetam superar bastante a cifra de US$ 3 trilhões, se não podia, já foi, agora é ver se pelo menos acalma o mercado.
O protecionismo dos mercados já é fato entre os países que, no desespero para assegurarem os empregos dentro das suas fronteiras, vinculam de forma velada as ajudas financeiras a ações de proteção, mesmo que digam o contrário.
Com isso o fluxo de capital que girava ao redor do globo tende a secar lentamente à medida que a crise se agravar.
Isso impactará também nas exportações, pois estão interligados. O Japão, que vive essencialmente de exportações, já havia perdido em dezembro passado 35% das suas vendas para exterior. Na China a queda foi de 17,5% em janeiro deste ano. No Brasil, considerando janeiro e a metade de fevereiro, comparado com o mesmo periodo do ano passado a queda foi de 22%. No caso do Brasil as exportações representam uma pequena parcela do nosso PIB, o que amortece o impacto da retração.
Por outro lado, as empresas que tem forte depêndencia do comércio exterior sofrem o impacto direto da redução das vendas para fora.
Outro ponto relevante a ser administrado é a fragilidade das empresas que estavam muito endividadas ou que super dimensionaram suas estruturas produtivas a custa de financiamentos acreditando que o crescimento mundial não teria fim.
Sendo fato que o as vendas irão declinar, as indústrias passam a ter capacidade ociosa, o que suspende novos investimentos em estrutura e isso freia a economia como um todo, gerando um processo de enfraquecimento das empresas e prejudicando a saúde financeira delas limitando as disponibilidades para cumprirem seus compromissos.
Com queda nas vendas e restrição no crédito para a renovação das operações de capital de giro a conta que irrigava o fluxo de caixa não fechou e o nome disso foi prejuízo líquido, o que não pode ser suportado por muito tempo, as General Motors da vida que o digam.
Neste novo cenário, cada dia mais sem previsões, essas empresas terão que se ajustar, reduzir de tamanho e se prepararem para o ciclo de recuperação da economia que cada dia dá sinais de que será mais longo do que gostaríamos.
Segundo os analistas, a recessão é inevitável nas principais economias do globo, salvando-se apenas uns poucos Países, puxados pela China, Índia e Brasil.
Portanto meus caros somem as informações e chegamos à conclusão que a encrenca é muito maior do que vimos até agora e o cenário dá sinais claros de que o pior ainda está por vir.
16 de Fevereiro de 2009 às 23:28
Sergio Oliveira
Aqui no Brasil as projeções de crescimento para o PIB para 2009 já giram na casa de 1% ao ano, que, diga-se de passagem, é melhor do que recessão.
O governo se esforça com o PAC e aumenta a oferta de crédito principalmente através dos bancos públicos, liderados pelo BNDES, pode ser uma saída, mas, dependerá muito do tamanho do estrago lá fora.
A nossa situação realmente é um pouco diferente, inclusive neste final de semana, quem leu os jornais, se deparou com várias entrevistas com economistas que apresentaram sinais positivos de retomada da nossa economia, seja através da recuperação da venda de veículos, seja no aumento do consumo de bens não duráveis.
Interessante observar que parte das receitas que estão sendo sugeridas para resolver os problemas mundo afora, já eram realidade no Brasil:
1) Ter bancos públicos que possam agir como agentes de governo, sempre que necessário, irrigando o mercado com emprestimos a juros aceitáveis. ( No varejo o BB fez 200 anos, a Caixa 148 anos, além do BNDES que atua no investimento, se fossem um só estaria entre os dez maiores do mundo)
2) Gastar tudo o que ganha, não poupar, isso ajudará a recuperar a economia mais rápida. (Somos mestres em gastar, nossa poupança interna é uma das mais baixas do mundo)
3) Bancos saneados (Nosso Proer, implantado na gestão FHC é um dos raros modelos de sucesso a ser copiado por todo o mundo)
4) Regulamentação do sistema financeiro (já em perfeito funcionamento, com bastante rigor)
- Vantagem inconteste:
5) Mercado interno forte (O Brasil está entre os dez maiores mercados consumidores do mundo)
- Variáveis incontroláveis:
6) Retomada do preço das comoditties. (aço, soja, carne, petróleo….)
7) A manutenção das exportações, como forma de sustentar o crescimento das nossas empresas.
8) O fluxo de investimento através de capital externo, já que não temos poupança interna representativa dependemos de dinheiro de fora para executar as obras de infra-estrutura e para as empresas multinacionais se financiarem.
15 de Fevereiro de 2009 às 07:34
Sergio Oliveira

Em momentos de crise que conhecemos realmente as pessoas, assim também acontece com os verdadeiros empreendedores.
As decisões precisam ser tomadas, breves e certeiras, apesar das indecisões, quanto mais precisa melhor.
É uma questão de sensibilidade revestida por conhecimento e coragem.
Se tiver que demitir, demita, mas fale a verdade, olhando nos olhos de quem está sendo despedido.
Se tiver que cortar fonecedores, faça, mas deixe as portas abertas, num futuro próximo você poderá precisar dele novamente.
Aos empregados e demais parceiros que permanecerem com vínculos com sua empresa explique que a sobrevivência de ambos dependerá de um algo mais de cada um.
Do empregado, mais dedicação.
Do fornecedor, mais qualidade, pontualidade e preço.
Dos demais parceiros o comprometimento com o seu negócio, dentro de um conceito “ganha - ganha”.
Em momentos de dificuldades é que paramos para avaliar o que fizemos de certo e de errado, não conheço oportunidade melhor para discutir processos, custos e produtividade.
O medo de perder o emprego, o cliente, as vendas, faz com que as pessoas abram os canais de comunicação e fiquem atentos as propostas que serão feitas.
Ninguém quer perder, o que acontece é que acabamos nos acomodando quando vivemos longos períodos de calmaria.
Não que eu defenda a crise, mas sem dúvida que ela nos deixa mais alerta.
Os periodos de dificuldade se encarregam de fazer a seleção natural das espécies e os empreendedores também não escapam de ser colocados a prova a todo momento.
Mais adrenalina, mais criatividade, sempre existirão oportunidades,
Que todos consigam superar esse período de tubulência e saiam fortalecido pelas experiências.
Os empreendedores mais preparados estarão a frente do processo de mudança e das suas mãos acabam se materializando as oportunidades mais lucrativas e prósperas, que serão os motores do novo ciclo de crescimento que está por vir.
1 de Dezembro de 2008 às 23:37
Sergio Oliveira

Uma situação emblemática que vivemos neste momento no Brasil é o fato de algumas empresas consideradas exemplos nos setores que atuam, cobiçadas por grandes grupos internacionais e que optaram por abrir capital através da bolsa de valores terem sofrido desvalorização, quando consideramos o preço de suas ações listadas em bolsa.
Elas prepararam as suas ofertas iniciais de ações, foram vitoriosas na maioria dos casos, conquistaram a confiança de centenas de investidores, um casamento perfeito, dinheiro barato e de longo prazo em troca de ações, mas o que aconteceu nos anos seguintes não foi tão espetacular assim, vejam:
A) Analisando o universo das empresas que abriram capital nos últimos quatro anos, através de oferta inicial de ações, segundo reportagem da revista Exame, edição 923, de 30/07/08, (portanto antes do pico da crise financeira mundial), cerca de 70% dessas empresas valiam, naquela data, menos do que no momento da abertura de capital.
Por que isso aconteceu?
Você encontrará várias explicações, principalmente por parte dos bancos que coordenaram a oferta e gestores das empresas, mas tenho a minha opinião pessoal:
- Para se chegar ao preço que a ação será ofertada na sua estréia, de uma forma bem simplista, é analisada a condição atual da empresa (estrutura de ativos e passivos) acrescida das oportunidades de crescimento, como se fosse realizada uma precificação da empresa para venda naquele momento.
- Os projetos futuros irão gerar um fluxo de caixa, que incorporado aos resultados já recorrentes permitirá uma rentabilidade tal, que justifica o valor proposto por ação para a oferta inicial.
- Só compra a ação quem acreditou nas propostas.
- Ocorre que tudo não passa de projeções e expectativas, que passam a incorporar o prospecto da oferta inicial registrado na CVM, se transformando num compromisso formal a ser cumprido pela empresa.
- Caso esses compromissos e expectativas de geração de resultados não se confirmem, os resultados reais serão inferiores, reduzindo assim o valor projetado para empresa naquele momento, o que, automaticamente, provocará uma desvalorização no preço ação.
- A conta é matemática, se o resultado compromissado não se confirmar, a empresa valerá menos do que foi avaliada e o preço da ação cairá, mas quem perde efetivamente são aqueles tem ações dessas empresas na sua carteira de investimentos.
- Vale lembrar que uma parte considerável do dinheiro arrecadado nestas ofertas iniciais foi para o bolso dos acionistas majoritários e sócios controladores, que se transformaram em novos milionários e bilionários, como foi amplamente propagado pela imprensa.
- Dinheiro em espécie que esses controladores podem fazer o que quiserem e que nada sofre com a queda das ações, o que acabou acontecendo nos anos seguintes à abertura de capital. Isso sem falar das polpudas comissões que os agentes que prepararam as empresas para a abertura de capital receberam a título de comissão pelos serviços prestados.
- Se todas as empresas que abriram o capital através de oferta inicial de ações tivessem sofrido com desvalorização das ações poderíamos dizer que estávamos vivenciando uma tragédia financeira e que o mercado de ações no Brasil não funcionaria nestes novos tempos, mas não foi isso que aconteceu.
- Como explicar que empresas como a GP Investimentos, dentre outras na data da publicação da reportagem (30/07/08) acumulavam rentabilidade superior a 100%?
Considerando as empresas que perderam valor ficam alguns questionamentos:
Quantas delas entregaram o que foi prometido em termos de resultados?
- Será que seus projetos futuros foram superestimados?
- Será que os prazos de retorno desses projetos foram encurtados para antecipar geração de fluxo de caixa e com isso ter uma ação no lançamento com um preço melhor?
- De quem é a responsabilidade pelo cumprimento das metas que foram estabelecidas?
- As metas de resultados eram irreais?
- Onde estão os gestores que prometeram e não entregaram?
- Além do acionista minoritário, quem mais perdeu dinheiro com isso?
Guardadas as proporções a regra da entrega de resultados vale tanto para as grandes como para as pequenas empresas, a diferença é que uma grande empresa com capital aberto e ações listadas em bolsa é obrigada a tornar público os seus resultados e assim os acionistas e analistas conseguem verificar se ela está conquistando resultados e crescendo, já na pequena empresa a ausência de controles e a dificuldade na apuração de resultados dificultam as conclusões.
É lógico que essa análise crítica só faz sentido balizando pelo comportamento das bolsas até o mês de julho de 2008, onde ainda estávamos numa condição de normalidade, o que veio depois, nem Freud explica…
6 de Novembro de 2008 às 08:19
Sergio Oliveira
Caros leitores acho que ficaremos loucos se tentarmos entender o que está acontecendo nos mercados financeiros mundo a fora, principalmente se a nossa difícil missão for tentar decifrar o comportamento do mercado de ações, que vive dias de euforia, crescendo 10% e no dia seguinte caindo 12%, quem entende?
- Garanto que eu não!
Não minha opinião, o que agrava o problema é que tem muita gente tentando interpretar e explicar, o que não conhecem por completo.
São os mesmos que semanas antes do agravamento da crise, no mês de agosto/setembro estavam numa acalorada discussão se a bolsa de valores de São Paulo iria fechar o ano com 80 mil pontos ou se seria mais perto de 85 mil.
Essa era discussão e naquele momento não vi ninguém falando que em outubro estaríamos apostando no dia que ela cairia abaixo de 30 mil pontos.
Hoje tudo indica que teremos mais um dia de cão no mercado financeiro, tudo graças a entrevistas de personalidades importantes que fariam um grande favor se ficasse de bico fechado, eles abrem a boca e os mercados despencam, qual o conteúdo da fala?
Geralmente o que já foi dito nos dias anteriores, portanto nenhum fato novo, o que muda é o repetidor da noticia.
A repetição das velhas notícias já é o bastante para as pessoas correrem e venderem suas ações, complicando mais ainda a situação.
Tenho uma proposta interessante para resolver a tal crise atual:
Vamos decretar um luto mundial de 30 dias, com algumas regras claras:
1) Todas as autoridades ficam proibidas de falar, principalmente o Lula. (nada de gripinha, marolinha, pergunte ao Bush…. chega de bravatas)
2) Fechar as bolsas de valores, mundo a fora, pelos mesmos 30 dias, com o índice do dia, reabrir após o luto.
3) As pessoas comuns entram em processo de reflexão e seguem para os seus trabalhos e suas empresas e fazem o que sabem de melhor: produzir.
4) Baixar um decreto celestial obrigando as televisões e jornais a procurar e divulgar só as boas notícias, as boas idéias que irão contribuir para a recuperação da economia mundial e a melhoria da vida das pessoas. (Acho que eles vão sofrer bastante….)
5) Libere geral ao final do 30º dia, de preferência num sábado, creio que as pessoas estarão mais serenas e poderemos ter um recomeço pós-diluvio.
O texto está chegando ao fim e me esqueci de dizer quem seria o defunto a ser velado, que na realidade seria um velório duplo:
- O Sr. Oportunismo e a Sra Irracionalidade, que já iriam tarde!
24 de Outubro de 2008 às 07:39
Sergio Oliveira
Quando você está no meio de um grande problema, que parece impossível de ser resolvido, um primeiro passo a ser dado é tentar identificar o problema, de forma clara, isso já servirá de base para a busca de soluções.
O passo seguinte é saber se o tal problema foi criado dentro da sua empresa ou sua origem se deu no ambiente externo.
Se for criado no ambiente interno da empresa, a solução deverá ser caseira, meticulosamente elaborada para tratá-lo e eliminá-lo o mais rápido possível, pois, como foi dito, trata-se de um grande problema e isso pode expor a empresa a riscos.
Se for um problema que vem do ambiente externo, você não terá nenhum controle sobre ele, o máximo que conseguirá fazer é se preparar para não sofrer tanto os efeitos negativos que ele poderá causar a sua pequena empresa.
A sua ação é muito mais para neutralizar os impactos desse grande problema do que efetivamente para solucioná-lo, já que ele está fora do seu controle e gestão.
Gerenciamento de riscos, de uma forma bastante simples é listar tudo o que pode dar errado, em todas as áreas da sua empresa, eleger os mais relevantes e pensar em quais ações seriam executadas caso eles viessem a se tornar realidade.
De forma complementar, é importante a construção de pelo menos três cenários, um otimista, um de normalidade e um de catástrofe, vinculando a cada um deles os riscos relevantes selecionados e que tenham a possibilidade de ocorrer caso aquele cenário se confirme.
A construção da proteção contra os riscos deve ser elaborada pensando sempre no cenário mais pessimista, na maior exposição imaginável.
Se sua empresa estiver preparada para enfrentar o cenário mais pessimista estará teoricamente preparada para enfrentar as adversidades nos demais, onde os problemas seriam mais brandos.
O que é comum acontecer quando temos longos períodos de bonança é que as pessoas tendem a achar que investir tempo e dinheiro na preparação para enfrentar as adversidades é desperdício de recursos, quando na realidade isso se refere ao que a empresa tem de mais precioso a ser preservado, a sua sobrevivência.
É como achar que uma fábrica de papel por nunca ter pegado fogo fica desobrigada de contratar um seguro contra incêndio.
A crise econômica mundial atual deixa evidente a realidade, empresas centenárias, com faturamentos de bilhões de dólares não se prepararam para a crise que estava por vir e mais do que isso, realizaram operações financeiras de risco (apostas em derivativos) que nada tinham a ver com a sua atividade principal, aumentando mais ainda a sua exposição aos riscos e fragilizando sua capacidade de suportar crises.
O preço pelo descuido, para algumas, foi ter que vender parte ou toda a empresa pelo preço de liquidação, a 20, 30, 50% do valor real.
Fatos que ficarão marcados na história empresarial para sempre.
E nas nossas modestas pequenas empresas, o que fazer?
O fato de ser modesta não significa que tem que ser mal gerenciada.
Negligenciar o que acontece debaixo do seu nariz ou a sua volta é cometer os mesmos erros que essas grandes corporações cometeram.
Nos Estados Unidos o FED já admite a recessão, prevendo a recuperação da atividade econômica apenas em 2010.
Fatalmente teremos por aqui reflexos na nossa economia, o que pedirá de cada empresário bastante atenção e preparação.
Esteja pronto para tomar decisões rápidas, e de preferência as mais apropriadas para cada situação, isso poderá criar um ambiente favorável para sua empresa, o que permitirá que ela enfrente essa fase de turbulência sofrendo o mínimo possível.
O Produto Interno Bruto do Brasil crescerá este ano, segundo as previsões do Banco Central, algo em torno 5%, já para 2009 as provisões são da ordem de 4%. Isso é uma notícia extremamente importante é que traz segurança, significa que a crise por aqui será menos intensa e que podemos sair dela melhor do que entramos.
Se o crescimento será mantido, o fim do mundo ainda não será desta vez para o Brasil e as oportunidades estarão aí, bem a sua frente, mas antes precisam ser desvendadas e é fundamental que a sua empresa esteja em condições de identificar a aproveitar tais oportunidades.
Agilidade e Vitalidade são as palavras de ordem!
15 de Outubro de 2008 às 21:13
Sergio Oliveira
Olhe para a sua prateleira de produtos a venda e identifique se nela tem itens cujo o preço está atrelado a cotação do dólar, mesmo que parcialmente.
Se sim, dê uma avaliada no seu estoque e veja o quanto ainda tem para ser vendido.
Calcule o quanto o faturamento desses produtos representa do total das suas vendas mensais, se for bastante, se prepare para aumentar preços, isso será inevitável.
Ontem tivemos o dólar fechando o dia com a cotação em R$ 2,29. Era para ser maior, só não foi graças ao Banco Central que vendeu dólares para acalmar o mercado, já que em determinados momentos a cotação ultrapassou a barreira dos R$ 2,50.
Várias negociações de importação e exportação foram suspensas pelo fato de ninguém saber qual seria o valor do dólar para fechamento dos contratos, tamanha foi à oscilação.
Se considerarmos que o dólar em 1/08/08 era comercializado pelo valor de R$ 1,55 e ontem fechou o dia sendo vendido por R$ 2,29, faça as contas, a diferença de R$ 0,74 representa um aumento real no custo das mercadorias vendidas de 47,74%, se elas forem importadas e conseqüentemente seguirem a variação do dólar.
Dá pra subir 47% de um dia para outro? Impossível!
Algumas alternativas:
1) Se tem estoques, e já estão pagos, absorva parte destes ganhos, aumente um pouco os preços, coloque dinheiro em caixa, e passe a cotar diariamente seus fornecedores, faça compras menores, pois a tendência são as vendas diminuírem.
2) Se não tem estoques tente dividir o prejuízo com o seu fornecedor, pois, ele pode ter estoques comprados e pagos quando o dólar era R$ 1,55, com isso você repassa menos para os preços.
3) Se tiver que comprar e pagar com o valor do dólar do dia, e ele se mantiver neste patamar ou acima de R$ 2,29, calcule o seu preço de venda, veja se é possível uma redução de margem de lucro, se for possível faça.
4) Uma alternativa importante, mas que nem sempre é viável é a substituição por produtos que não tenham tanta dependência do dólar, mesmo que você fuja um pouco da sua proposta de negócios, se conseguir manter as vendas será válida como medida emergencial.
5) Esteja atento ao comportamento dos consumidores, se as vendas caírem muito, avalie a necessidade de realizar ajustes de estrutura como forma de reduzir despesas fixas.
6) Fique de olho no ponto de equilíbrio do seu negócio, se as vendas não atingirem o patamar mínimo necessário significa que naquele mês você terá prejuízo, isso sim é sinal de problemas pela frente.
Se você estiver preparado para gerenciar o seu negócio saberá o momento correto de tomar as decisões e isso fará toda a diferença perante os concorrentes.
O momento é de estar a postos e bastante bem informado!
9 de Outubro de 2008 às 08:02
Sergio Oliveira

Tenho acompanhado o desenrolar da crise financeira mundial, passo a passo, o assunto me interessa muito mais pelo fato histórico do que pela tragédia.
Ela já assumiu proporções magníficas e desde ontem já se admite a sua presença no Brasil.
A divulgação pelo Banco Central do Brasil de um plano para salvamento dos Bancos Brasileiros com dificuldades de captar dinheiro é a prova viva de que precisamos também estar preparados para enfrentá-la.
E na sua pequena empresa, quais são os efeitos imediatos?
Creio que o principal deles é para as pequenas empresas que financiam o seu capital de giro junto a bancos, principalmente desconto de cheques e duplicatas, assegure-se com o seu banco de que suas linhas de crédito serão mantidas, isso lhe dará tranquilidade para continuar vendendo com os prazos atuais.
Caso não tenha tanta certeza de que suas linhas de crédito serão mantidas, recomendo algumas ações:
1) Diminua os prazos de parcelamento de vendas em cheques e passe a praticar a venda parcelada nos cartões de crédito, as operadoras são mais estáveis e devem continuar garantindo o desconto da venda efetuada, como a taxa de antecipação do cartão é mais alta, tente negociá-la.
2) Evite comprar mercadorias para formar estoques, a partir do momento que estão dentro de sua empresa ou são capital próprio represado ou representa uma conta junto a fornecedores que precisará ser paga, aumentando a sua necessidade de capital.
3) A venda à vista é o melhor remédio, portanto, veja quais produtos você pode dar um desconto maior e deixe-os em evidência, isso fará uma bem danado para sua empresa, pois, colocará dinheiro em caixa, sem ter a necessidade de pagar juros ou depender de bancos.
4) Os fornecedores estão bastante assustados também, a tendência é de queda nas vendas, para todos, o que refletirá de imediato para o seu negócio e também para eles, portanto exercite duas práticas, se tiver que comprar a prazo negocie prazos maiores, se for à vista tente ampliar o desconto obtido, o momento é oportuno para negociar.
5) Suspenda investimentos que não sejam vitais, alguns projetos podem ser postergados se não estão ligados diretamente com a atividade da empresa. Tudo aquilo que consumir recursos financeiros e não colocar dinheiro no Caixa de imediato deve ser repensado.
Enfim, o momento pede cautela, observar atentamente o desenrolar dos fatos, sem no entanto entrar em pânico, se sua empresa tiver dinheiro em CAIXA, tudo ficará mais fácil, o aluguel, folha de pagamento, energia, água, fornecedores precisam ser pagos e não ter dinheiro para isso é um grande problema.
7 de Outubro de 2008 às 08:56
Sergio Oliveira
As promessas de empréstimos e financiamentos a juros zero podem ser uma realidade se forem subsidiados por entidades governamentais, como a Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP.
Essa é uma das propostas da Agência de fomento INVESTE RIO, que recentemente divulgou à imprensa que pretende implementar, em conjunto com a FINEP, uma modalidade de financiamento nestas condições, como forma de estimular o crescimento das micro e pequenas empresas no estado do Rio de Janeiro. A condição básica para acessar os recursos será que as empresas apresentem propostas inovadoras.
Segundo reportagem publicada no jornal Valor Econômico, em 21/01/08, a INVESTE RIO atuará também, a partir de 2008, apoiando as micro e pequenas empresas que compõe a cadeia produtiva de grandes corporações já instaladas no estado e das que estão por vir.
A idéia das pequenas empresas se tornarem fornecedoras dessas grandes empresas já é uma realidade, porém, como os volumes demandados são expressivos e envolvem altos investimentos, seja em expansão da capacidade produtiva, seja em matéria prima, a carência de apoio é latente.
Muitos negócios naufragam quando aproveitam essas oportunidades, fato que ocorre por não terem se preparado adequadamente, em todos os aspectos.
A existência de uma Agência de Fomento que apoie esses pequenos negócios é fundamental, melhor ainda quando ela dispõe de condições diferenciadas e tenha uma visão completa das necessidades desses empreendedores.
Tal apoio deve mapear desde a demanda por crédito até a deficiência de capacitação gerencial.
O fortalecimento do gestor da empresa aumenta a chance de sucesso do negócio e diminui a taxa de risco de perda do recurso investido pela agência de fomento.
Conceder apenas o dinheiro para financiar o projeto, sem acompanhá-lo, é acreditar que o empreendedor está totalmente qualificado para tocá-lo adiante.
A grande realidade é que um projeto viável parte da premissa básica de que a empresa irá aumentar a produção, as vendas, o lucro, o recolhimento de impostos, dentre outros fatores.
O grau de complexidade para gerenciar o dia a dia da empresa também será aumentado e o empreendedor passará a se deparar com situações até então desconhecidas, por um motivo simples: sua empresa crescerá.
Os recursos financeiros previstos para o capital da Investe Rio possibilitarão, nos próximos quatro anos, empréstimos e financiamento num valor total estimado de R$ 2 bilhões, uma cifra nada desprezível.
Os riscos de tal iniciativa não se tornar realidade são sempre os mesmos, o uso político da instituição, o que desvirtua a finalidade e gera favorecimentos e a burocracia na análise e liberação dos empréstimos, o que afeta a credibilidade e a confiança nas propostas.
Para que isso não aconteça a transparência é fundamental, uma boa iniciativa é a divulgação mensal dos projetos aprovados e dos recursos liberados, além da participação de representantes dos empresários validando as decisões estratégicas quando essas forem afetas as empresas do estado.
27 de Janeiro de 2008 às 22:20
Sergio Oliveira
Um leitor do nosso blog enviou o seguinte questionamento:
“- Pretendo montar meu próprio negócio.
Sou Analista de Sistemas, com anos de experiência em Assistência Técnica em computadores, portanto, penso em abrir um negócio neste ramo. Meu sócio, não tem conhecimento em informática, mas tem amplo conhecimento em gestão empresarial. Lendo o artigo SOCIEDADES – UMA QUESTÃO DE EQUILÍBRIO, cheguei à conclusão que temos até então, dois dos três pilares: Conhecimento Técnico e Capacidade Gerencial. Mas ainda não temos totalmente o primeiro pilar: recursos financeiros.
O que você sugere para que possamos obter este último, porém, importante pilar para esta nossa nova empreitada?“
Caro Empreendedor,
Quando o recurso financeiro é o que falta para iniciar o negócio, estando os dois outros pilares fundamentais já atendidos, diria que vocês já trilharam boa parte do caminho a ser percorrido antes de abrir as portas.
A quantidade de empreendedores com recursos financeiros suficientes, mas sem uma boa idéia é muito maior do que o inverso, até por que boas idéias não são vendidas nas esquinas.
Veja que seu negócio nasce a partir de uma experiência adquirida na sua profissão atual. Isso é bastante interessante, imagino que você identificou uma necessidade não atendida neste nicho de mercado e implantará seu negócio oferecendo diferenciais que seus futuros concorrentes ainda não despertaram para eles.
Onde então buscar os recursos financeiros para complementar o valor necessário para abrir o negócio?
Antes de dizer onde, é preciso esclarecer qual o tipo de dinheiro que seria o mais recomendado para complementar o que falta e viabilizar a idéia:
- Tem que ser dinheiro de longo prazo, de preferência de alguém que se interesse em tornar-se sócio do negócio. Se não encontrar esse sócio e tiver que ser financiamento/empréstimo, atente para o prazo, o ideal que seja sempre maior que 24 meses, com carência (no mínimo seis meses) e juros menores que 1,5% ao mês.
Quaisquer condições menos favoráveis que essas poderão deixar seu negócio em dificuldades para honrar os compromissos das parcelas mensais.
Vamos às alternativas, vou listar algumas, das menos para a mais prováveis fontes de financiamentos que podem ser acessadas por novos empreendedores, isso não significa que são as únicas:
a) Bancos – A maioria dos bancos exigem que as empresas tenham pelo menos um ano de faturamento para terem acesso às linhas de crédito disponíveis. O máximo que você conseguirá de bancos, antes dos doze meses de faturamento comprovado será linhas de curto prazo, geralmente para antecipar os cheques pré-datados recebidos dos seus clientes. Desconheço algum banco que tenha linhas de crédito específicas para financiar a abertura de pequenos negócios.
b) Empresas de Capital de Risco (Venture Capital) – Você terá que elaborar um plano de negócios, esboçando a sua idéia, de forma detalhada e submetê-lo as empresas de Venture Capital, para análise. Sem querer desanimá-lo, o índice de aprovação é menor que 1% do total dos planos analisados. Eles buscam características específicas como negócios em setores com alto potencial de crescimento, baseado em inovações tecnológicas, ineditismo, dentre outras. No Brasil já temos a Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP), pode ser o ponto de partida para conhecer melhor do que se trata. Tem também um artigo escrito por mim, aqui no blog, no ano passado: A VORACIDADE DO CAPITAL DE RISCO.
c) Fundos de investimentos em empresas (Private Equity) – Você já deve ter lido ou visto alguém falando sobre a possibilidade de financiamentos via fundos de Private Equity, porém, esta é uma alternativa que não se aplica aos pequenos negócios. Eles se interessam por negócios que já faturam algumas dezenas de milhões de reais. Para conhecer um pouco mais sobre o tema veja o artigo da revista Amanhã, edição Junho/07, que fala da origem do Private Equity.
d) Anjos Investidores (Angel Investor) – Trata-se de Pessoas Físicas, endinheiradas (se é que existe este termo) com disposição para investirem em empresas, entrando como sócios no contrato social e auxiliando na gestão. Condição básica: Que os fundadores sejam preparados para tocar o negócio, que ele tenha alto potencial de crescimento, seja inovador, garanta margem de lucro esperada e ofereça uma boa liquidez quando chegar a hora de ir embora. Ao entrar, os anjos já definem o prazo máximo que irão permanecer. Quer conhecer um pouco mais, leia o artigo do Sebrae/SC sobre Anjos Investidores e acesse o site do Gavea Angels.
e) Dinheiro de parentes e amigos – por incrível que pareça, estes são os principais investidores em novos negócios no Brasil e no mundo, nove entre cada dez negócios que estréiam por aqui, tiveram injeção de recursos financeiros de uma destas duas fontes.
Não que eu desacredite nas demais, em momentos específicos e para empresas específicas elas serão úteis, ocorre que as exigências são tantas que o novo empreendedor fica pelo caminho e volta para os parentes e amigos, onde acaba se financiando. Aí você entende por que 99% das empresas brasileiras têm origem familiar.
Imaginemos que todas as fontes citadas não se tornaram realidade, resta então ver o quanto você e seu sócio têm no bolso e avaliar se vale a pena arriscar. Simplificar ao máximo, sem perder a essência da idéia. Se for possível, siga em frente.
A boa notícia é que após o primeiro ano de faturamento as portas dos bancos se abrem, inclusive para acesso a recursos do BNDES, os quais possuem, hoje, os menores juros disponíveis no mercado.
2 de Julho de 2007 às 22:26
Sergio Oliveira
Conheço empreendedores que iniciaram o seu negócio próprio, conhecem quase tudo na teoria, mas na prática, se perdem na condução do negócio.
Por mais que alguns críticos tentem relevar a segundo plano, a experiência acumulada na condução de negócios faz uma grande diferença.
Uma coisa é saber que um dia sua empresa terá uma crise financeira, a outra é viver uma crise financeira e passar várias noites sem dormir, e o pior, sem nenhuma solução a vista.
Treinar um empregado, investir no seu desenvolvimento, prepará-lo e depois perdê-lo para a concorrência, é dolorido, mas, muitas vezes você não tem nada a fazer naquele momento, um aumento de salário, para apenas um empregado pode contaminar toda a equipe. Logo, o termo reter talentos que você tanto estudou, volta para os livros e você vive então a dura realidade da limitação financeira imposta pelo porte do seu negócio.
Todos sabem que o lucro é fundamental, mas poucos conseguem chegar até ele e tocá-lo (dinheiro em caixa sobrando no final do mês). Para alguns isso parece até utópico. Já escutei depoimentos assim:
- “Estou a oito anos trabalhando, todos os dias arduamente e ainda não tirei nada da empresa. Tudo que ganho é reinvestido, quando chegará a minha hora?”
São angustias como essas que incomodam vários pequenos empresários, mas a trajetória é longa e os passos são lentos, é mais parecida com uma prova de resistência do que com uma prova de velocidade.
Algumas considerações e questionamentos podem te ajudar a encontrar uma luz no fim do túnel:
1) Seja prático e simples, passe a mão num lápis, papel e calculadora, faça você mesmo as contas e encontre as respostas:
- Sua empresa ganha ou perde dinheiro?
- Qual a sua margem de lucro por produto e total?
- Qual o faturamento mínimo mensal necessário para cobrir todas as despesas?
- Tem alguem ganhando dinheiro com negócios iguais ao seu?
- Se tem, o que você poderia copiar?
Feito as contas, conhecendo esses números básicos da empresa experimente implantar algo assim:
“NADA SUBSTITUI O LUCRO” (copiei do primeiro mandamento da TAM)
- Feche todos os ralos por onde vazam dinheiro, adquira fama de pão duro. ( Todos tem que ter esse sentimento e valorizá-lo).
- Gastos só para o que for essencial e tiver ligação direta com o cliente.
- Demita empregados ociosos, os que permanecerem tem que acumular funções. (Por que só você tem que viver no limite?)
- Crie metas mensais de resultado, de produtividade individual e envolva toda a equipe na busca destes desafios. Celebre ao conquistá-las.
As melhores soluções são sempre as mais simples e partem do óbvio.
Se depois de todas as tentativas, ainda não sobrar dinheiro no bolso….
… pare, respire fundo e não tem jeito, começe tudo de novo…
5 de Junho de 2007 às 07:48
Sergio Oliveira
Um bom começo para conhecer os caminhos da lucratividade é entender o que está sob seu controle e pode ser modificado para melhor. Falo dos fatores externos e internos que impactam no dia a dia da empresa.
Muitas vezes, a deterioração da saúde financeira da empresa é provocada por uma combinação desses fatores, que se alternam.
Os fatores externos, via de regra, são variáveis incontroláveis, estão fora da sua esfera de atuação. Você pode se prevenir, mas não alterá-las sozinho, geralmente são modificadas a partir de grandes mobilizações nacionais, como aconteceu recentemente com a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa.
Os fatores internos, por sua vez, são totalmente gerenciáveis e representam quase que na totalidade a origem dos problemas financeiros (essa é uma informação valiosa).
É comum ver o empresário, no dia a dia, reclamando do governo, dos juros, do dólar alto (comércio), do dólar baixo (indústria), da economia, sem atentar para o fato de que se ele atuar firmemente para tornar sua empresa lucrativa, ele minimiza bastante os impactos desses fatores externos que não são gerenciáveis. (Já que os internos estão sob sua gestão)
A busca pela lucratividade passa pela definição da estratégia de atuação da empresa, que analisará os pontos fortes, pontos fracos, oportunidades e ameaças.
Se bem feita essa lição de casa, a atuação do negócio seguira uma linha de raciocínio que tentará aproveitar as oportunidades, desviando das ameaças, ressaltando os pontos fortes, minimizando os pontos fracos.
A sensibilidade para perceber onde os fatores externos poderão prejudicar o seu negócio, dependerá de muita observação e atenção aos sinais que muitas vezes vem codificados.
Só que para isso, é necessário que os fatores internos estejam domados e alinhados com as políticas e diretrizes da empresa, em suma, de nada adianta reclamar do que está errado lá fora se você não fez a lição de casa ainda, que é organizar da porta para dentro.
Nesse território quem manda é você e não adianta por a culpa nós outros, a responsabilidade pela falha será sua, assim como o mérito pelo acerto.
Lembrando que o ambiente de negócios é similar para todas as pequenas empresas, enquanto muitos erram, temos um bom número empreendimentos rentáveis e bem gerenciadas no mercado, essa amostragem é uma prova viva de que é possível ser pequena e rentável.
21 de Maio de 2007 às 07:15
Sergio Oliveira
Alguns mitos devem ser derrubados quando abordamos o tema lucro.
No Brasil prevalece o conceito de que ter lucro, sucesso empresarial e ganhar dinheiro é algo que deve ser buscado, mas deve ser ocultado. É como se o lucro fosse algo proibido, ilegal. Parte dessa cultura vem da natureza da nossa colonização, 500 anos se passaram e ainda lutamos contra esse legado.
Deixar em segundo plano a preocupação com o lucro e com o equilíbrio das contas (vale também para a nossa vida pessoal) nos mantem estacionados exatamente aonde estamos, é como se fosse um castigo severo. Isso é reforçado pela aceitação da situação atual, ignorando que nós somos os agentes de mudanças nas nossas empresas.
Isso é tão comum na maioria das famílias e pequenas empresas brasileiras, que uma das músicas que mais fizeram sucesso nos últimos tempos foi “ Deixa a vida me levar”, do Zeca Pagodinho, que ilustra bem como aceitamos o estado atual das coisas, vejam alguns alguns trechos: “Eu já passei por quase tudo nessa vida, em matéria de guarida espero ainda a minha vez…….Deixa a vida me levar, vida leva eu….agradecer e ser fiel ao destino que Deus me deu…”, é isso aí, pensando assim, não iremos a lugar algum.
Gastar menos do que ganha e fatura, equilibrar as contas e ter a noção exata de quanto vale, para sua empresa cada real ganho, é fundamental.
(volto ao assunto no próximo post)
19 de Maio de 2007 às 10:16
Sergio Oliveira
Desconheço um empreendedor que inicie seu novo negócio e que não queira que ele prospere e seja rentável.
Pense, se ao justificar os motivos que o levaram a empreender você afirmasse que sempre sonhou em abrir uma empresa para gerar empregos, ajudar a melhorar a vida dos seus empregados e pagar impostos para o governo desenvolver o nosso país.
A idéia é ótima, mas, quem irá financiar?
Lucro não é pecado, é condição básica para garantir a sua sobrevivência, da empresa e a realização dos itens listados acima, além de muitos outros.
Se a sua empresa não for lucrativa, por mais nobres que sejam as suas intenções a única coisa que você conseguirá fazer bem, de fato, é perder dinheiro.
Que me desculpem os filósofos, mas, o fundamento de todo negócio é o lucro.
Lucro é fonte de vida, é ponto de partida. É a partir dele que se delineia todas as demais implementações da empresa.
Sou um defensor dessa tese, principalmente para a pequena empresa que tem uma enorme dificuldade de acesso ao crédito, seja para crescimento ou para os momentos de estrangulamento financeiro.
A grande questão é que poucos empreendedores afirmam, sem pestanejar, que a sua empresa é lucrativa. Boa parte das pequenas empresas não resistem a uma verificação das suas contas, elas perdem dinheiro de fato, mas inconscientemente. Sendo assim, temos muito o que avançar nesse campo.
Quem encontrar a fórmula mágica pode patentear, terá achado o pote de ouro no fim do arco íris. Enquanto isso não aconteça, precisamos seguir em frente, pelos caminhos já conhecidos, porém, imbuídos de novas práticas e atitudes transformadoras da nossa cultura de gestão empresarial.
18 de Maio de 2007 às 23:50
Sergio Oliveira
Um novo empreendimento tem como sua face mais exposta a figura do sócio fundador.
Quem deu vida a empresa, geralmente transfere seu DNA do CPF para o CNPJ do novo negócio
Explico melhor:
Toda empresa ao ser criada terá uma cultura implantada e seguirá princípios e valores que costumam derivar das crenças de seu fundador.
Quem acompanhou as reportagens, no final do mês de abril, sobre a morte do publisher do jornal Folha de São Paulo, o Sr. Otávio Frias de Oliveira, pode ver, em todas as entrevistas e depoimentos sobre seus feitos e traços marcantes da personalidade, com destaque para o espírito empreendedor e a obsessão que tinha com relação a independência do jornal.
Fundador desorganizado cria empresa desorganizada
Fundador empreendedor cria empresa com espírito empreendedor.
Quando uma nova empresa se apresenta ao mercado essas características logo são percebidas e passam a compor o pacote que será avaliado por parceiros, bancos, fornecedores, para saberem se aliam ou não a ela.
Quanto maior for a confiança conquistada nesse começo, maiores serão as chances de sucesso.
Esse é um degrau importante, mas, é lógico que isso é só o começo, como pano de fundo teremos toda estruturação objetiva do negócio, que vai da escolha de qual mercado atuar, qual produto vender, como enfrentar a concorrência sem bater de frente, qual será o perfil dos empegados, enfim, todos os fatores combinados, de forma inteligente, é que permitirão a empresa operar com lucros ou não.
Se está ao seu alcance, nada melhor do que se preparar para uma boa estréia, o sol brilha para todos, só que alguns se esquecem de abrir as janelas.
16 de Maio de 2007 às 07:09
Sergio Oliveira
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