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As promessas de empréstimos e financiamentos a juros zero podem ser uma realidade se forem subsidiados por entidades governamentais, como a Financiadora de Estudos e Projetos - FINEP.
Essa é uma das propostas da Agência de fomento INVESTE RIO, que recentemente divulgou à imprensa que pretende implementar, em conjunto com a FINEP, uma modalidade de financiamento nestas condições, como forma de estimular o crescimento das micro e pequenas empresas no estado do Rio de Janeiro. A condição básica para acessar os recursos será que as empresas apresentem propostas inovadoras.
Segundo reportagem publicada no jornal Valor Econômico, em 21/01/08, a INVESTE RIO atuará também, a partir de 2008, apoiando as micro e pequenas empresas que compõe a cadeia produtiva de grandes corporações já instaladas no estado e das que estão por vir.
A idéia das pequenas empresas se tornarem fornecedoras dessas grandes empresas já é uma realidade, porém, como os volumes demandados são expressivos e envolvem altos investimentos, seja em expansão da capacidade produtiva, seja em matéria prima, a carência de apoio é latente.
Muitos negócios naufragam quando aproveitam essas oportunidades, fato que ocorre por não terem se preparado adequadamente, em todos os aspectos.
A existência de uma Agência de Fomento que apoie esses pequenos negócios é fundamental, melhor ainda quando ela dispõe de condições diferenciadas e tenha uma visão completa das necessidades desses empreendedores.
Tal apoio deve mapear desde a demanda por crédito até a deficiência de capacitação gerencial.
O fortalecimento do gestor da empresa aumenta a chance de sucesso do negócio e diminui a taxa de risco de perda do recurso investido pela agência de fomento.
Conceder apenas o dinheiro para financiar o projeto, sem acompanhá-lo, é acreditar que o empreendedor está totalmente qualificado para tocá-lo adiante.
A grande realidade é que um projeto viável parte da premissa básica de que a empresa irá aumentar a produção, as vendas, o lucro, o recolhimento de impostos, dentre outros fatores.
O grau de complexidade para gerenciar o dia a dia da empresa também será aumentado e o empreendedor passará a se deparar com situações até então desconhecidas, por um motivo simples: sua empresa crescerá.
Os recursos financeiros previstos para o capital da Investe Rio possibilitarão, nos próximos quatro anos, empréstimos e financiamento num valor total estimado de R$ 2 bilhões, uma cifra nada desprezível.
Os riscos de tal iniciativa não se tornar realidade são sempre os mesmos, o uso político da instituição, o que desvirtua a finalidade e gera favorecimentos e a burocracia na análise e liberação dos empréstimos, o que afeta a credibilidade e a confiança nas propostas.
Para que isso não aconteça a transparência é fundamental, uma boa iniciativa é a divulgação mensal dos projetos aprovados e dos recursos liberados, além da participação de representantes dos empresários validando as decisões estratégicas quando essas forem afetas as empresas do estado.
27 de Janeiro de 2008 às 22:20
Sergio Oliveira
Um leitor do nosso blog enviou o seguinte questionamento:
“- Pretendo montar meu próprio negócio.
Sou Analista de Sistemas, com anos de experiência em Assistência Técnica em computadores, portanto, penso em abrir um negócio neste ramo. Meu sócio, não tem conhecimento em informática, mas tem amplo conhecimento em gestão empresarial. Lendo o artigo SOCIEDADES – UMA QUESTÃO DE EQUILÍBRIO, cheguei à conclusão que temos até então, dois dos três pilares: Conhecimento Técnico e Capacidade Gerencial. Mas ainda não temos totalmente o primeiro pilar: recursos financeiros.
O que você sugere para que possamos obter este último, porém, importante pilar para esta nossa nova empreitada?“
Caro Empreendedor,
Quando o recurso financeiro é o que falta para iniciar o negócio, estando os dois outros pilares fundamentais já atendidos, diria que vocês já trilharam boa parte do caminho a ser percorrido antes de abrir as portas.
A quantidade de empreendedores com recursos financeiros suficientes, mas sem uma boa idéia é muito maior do que o inverso, até por que boas idéias não são vendidas nas esquinas.
Veja que seu negócio nasce a partir de uma experiência adquirida na sua profissão atual. Isso é bastante interessante, imagino que você identificou uma necessidade não atendida neste nicho de mercado e implantará seu negócio oferecendo diferenciais que seus futuros concorrentes ainda não despertaram para eles.
Onde então buscar os recursos financeiros para complementar o valor necessário para abrir o negócio?
Antes de dizer onde, é preciso esclarecer qual o tipo de dinheiro que seria o mais recomendado para complementar o que falta e viabilizar a idéia:
- Tem que ser dinheiro de longo prazo, de preferência de alguém que se interesse em tornar-se sócio do negócio. Se não encontrar esse sócio e tiver que ser financiamento/empréstimo, atente para o prazo, o ideal que seja sempre maior que 24 meses, com carência (no mínimo seis meses) e juros menores que 1,5% ao mês.
Quaisquer condições menos favoráveis que essas poderão deixar seu negócio em dificuldades para honrar os compromissos das parcelas mensais.
Vamos às alternativas, vou listar algumas, das menos para a mais prováveis fontes de financiamentos que podem ser acessadas por novos empreendedores, isso não significa que são as únicas:
a) Bancos – A maioria dos bancos exigem que as empresas tenham pelo menos um ano de faturamento para terem acesso às linhas de crédito disponíveis. O máximo que você conseguirá de bancos, antes dos doze meses de faturamento comprovado será linhas de curto prazo, geralmente para antecipar os cheques pré-datados recebidos dos seus clientes. Desconheço algum banco que tenha linhas de crédito específicas para financiar a abertura de pequenos negócios.
b) Empresas de Capital de Risco (Venture Capital) – Você terá que elaborar um plano de negócios, esboçando a sua idéia, de forma detalhada e submetê-lo as empresas de Venture Capital, para análise. Sem querer desanimá-lo, o índice de aprovação é menor que 1% do total dos planos analisados. Eles buscam características específicas como negócios em setores com alto potencial de crescimento, baseado em inovações tecnológicas, ineditismo, dentre outras. No Brasil já temos a Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP), pode ser o ponto de partida para conhecer melhor do que se trata. Tem também um artigo escrito por mim, aqui no blog, no ano passado: A VORACIDADE DO CAPITAL DE RISCO.
c) Fundos de investimentos em empresas (Private Equity) – Você já deve ter lido ou visto alguém falando sobre a possibilidade de financiamentos via fundos de Private Equity, porém, esta é uma alternativa que não se aplica aos pequenos negócios. Eles se interessam por negócios que já faturam algumas dezenas de milhões de reais. Para conhecer um pouco mais sobre o tema veja o artigo da revista Amanhã, edição Junho/07, que fala da origem do Private Equity.
d) Anjos Investidores (Angel Investor) – Trata-se de Pessoas Físicas, endinheiradas (se é que existe este termo) com disposição para investirem em empresas, entrando como sócios no contrato social e auxiliando na gestão. Condição básica: Que os fundadores sejam preparados para tocar o negócio, que ele tenha alto potencial de crescimento, seja inovador, garanta margem de lucro esperada e ofereça uma boa liquidez quando chegar a hora de ir embora. Ao entrar, os anjos já definem o prazo máximo que irão permanecer. Quer conhecer um pouco mais, leia o artigo do Sebrae/SC sobre Anjos Investidores e acesse o site do Gavea Angels.
e) Dinheiro de parentes e amigos – por incrível que pareça, estes são os principais investidores em novos negócios no Brasil e no mundo, nove entre cada dez negócios que estréiam por aqui, tiveram injeção de recursos financeiros de uma destas duas fontes.
Não que eu desacredite nas demais, em momentos específicos e para empresas específicas elas serão úteis, ocorre que as exigências são tantas que o novo empreendedor fica pelo caminho e volta para os parentes e amigos, onde acaba se financiando. Aí você entende por que 99% das empresas brasileiras têm origem familiar.
Imaginemos que todas as fontes citadas não se tornaram realidade, resta então ver o quanto você e seu sócio têm no bolso e avaliar se vale a pena arriscar. Simplificar ao máximo, sem perder a essência da idéia. Se for possível, siga em frente.
A boa notícia é que após o primeiro ano de faturamento as portas dos bancos se abrem, inclusive para acesso a recursos do BNDES, os quais possuem, hoje, os menores juros disponíveis no mercado.
2 de Julho de 2007 às 22:26
Sergio Oliveira
Conheço empreendedores que iniciaram o seu negócio próprio, conhecem quase tudo na teoria, mas na prática, se perdem na condução do negócio.
Por mais que alguns críticos tentem relevar a segundo plano, a experiência acumulada na condução de negócios faz uma grande diferença.
Uma coisa é saber que um dia sua empresa terá uma crise financeira, a outra é viver uma crise financeira e passar várias noites sem dormir, e o pior, sem nenhuma solução a vista.
Treinar um empregado, investir no seu desenvolvimento, prepará-lo e depois perdê-lo para a concorrência, é dolorido, mas, muitas vezes você não tem nada a fazer naquele momento, um aumento de salário, para apenas um empregado pode contaminar toda a equipe. Logo, o termo reter talentos que você tanto estudou, volta para os livros e você vive então a dura realidade da limitação financeira imposta pelo porte do seu negócio.
Todos sabem que o lucro é fundamental, mas poucos conseguem chegar até ele e tocá-lo (dinheiro em caixa sobrando no final do mês). Para alguns isso parece até utópico. Já escutei depoimentos assim:
- “Estou a oito anos trabalhando, todos os dias arduamente e ainda não tirei nada da empresa. Tudo que ganho é reinvestido, quando chegará a minha hora?”
São angustias como essas que incomodam vários pequenos empresários, mas a trajetória é longa e os passos são lentos, é mais parecida com uma prova de resistência do que com uma prova de velocidade.
Algumas considerações e questionamentos podem te ajudar a encontrar uma luz no fim do túnel:
1) Seja prático e simples, passe a mão num lápis, papel e calculadora, faça você mesmo as contas e encontre as respostas:
- Sua empresa ganha ou perde dinheiro?
- Qual a sua margem de lucro por produto e total?
- Qual o faturamento mínimo mensal necessário para cobrir todas as despesas?
- Tem alguem ganhando dinheiro com negócios iguais ao seu?
- Se tem, o que você poderia copiar?
Feito as contas, conhecendo esses números básicos da empresa experimente implantar algo assim:
“NADA SUBSTITUI O LUCRO” (copiei do primeiro mandamento da TAM)
- Feche todos os ralos por onde vazam dinheiro, adquira fama de pão duro. ( Todos tem que ter esse sentimento e valorizá-lo).
- Gastos só para o que for essencial e tiver ligação direta com o cliente.
- Demita empregados ociosos, os que permanecerem tem que acumular funções. (Por que só você tem que viver no limite?)
- Crie metas mensais de resultado, de produtividade individual e envolva toda a equipe na busca destes desafios. Celebre ao conquistá-las.
As melhores soluções são sempre as mais simples e partem do óbvio.
Se depois de todas as tentativas, ainda não sobrar dinheiro no bolso….
… pare, respire fundo e não tem jeito, começe tudo de novo…
5 de Junho de 2007 às 07:48
Sergio Oliveira
Um bom começo para conhecer os caminhos da lucratividade é entender o que está sob seu controle e pode ser modificado para melhor. Falo dos fatores externos e internos que impactam no dia a dia da empresa.
Muitas vezes, a deterioração da saúde financeira da empresa é provocada por uma combinação desses fatores, que se alternam.
Os fatores externos, via de regra, são variáveis incontroláveis, estão fora da sua esfera de atuação. Você pode se prevenir, mas não alterá-las sozinho, geralmente são modificadas a partir de grandes mobilizações nacionais, como aconteceu recentemente com a Lei Geral da Micro e Pequena Empresa.
Os fatores internos, por sua vez, são totalmente gerenciáveis e representam quase que na totalidade a origem dos problemas financeiros (essa é uma informação valiosa).
É comum ver o empresário, no dia a dia, reclamando do governo, dos juros, do dólar alto (comércio), do dólar baixo (indústria), da economia, sem atentar para o fato de que se ele atuar firmemente para tornar sua empresa lucrativa, ele minimiza bastante os impactos desses fatores externos que não são gerenciáveis. (Já que os internos estão sob sua gestão)
A busca pela lucratividade passa pela definição da estratégia de atuação da empresa, que analisará os pontos fortes, pontos fracos, oportunidades e ameaças.
Se bem feita essa lição de casa, a atuação do negócio seguira uma linha de raciocínio que tentará aproveitar as oportunidades, desviando das ameaças, ressaltando os pontos fortes, minimizando os pontos fracos.
A sensibilidade para perceber onde os fatores externos poderão prejudicar o seu negócio, dependerá de muita observação e atenção aos sinais que muitas vezes vem codificados.
Só que para isso, é necessário que os fatores internos estejam domados e alinhados com as políticas e diretrizes da empresa, em suma, de nada adianta reclamar do que está errado lá fora se você não fez a lição de casa ainda, que é organizar da porta para dentro.
Nesse território quem manda é você e não adianta por a culpa nós outros, a responsabilidade pela falha será sua, assim como o mérito pelo acerto.
Lembrando que o ambiente de negócios é similar para todas as pequenas empresas, enquanto muitos erram, temos um bom número empreendimentos rentáveis e bem gerenciadas no mercado, essa amostragem é uma prova viva de que é possível ser pequena e rentável.
21 de Maio de 2007 às 07:15
Sergio Oliveira
Alguns mitos devem ser derrubados quando abordamos o tema lucro.
No Brasil prevalece o conceito de que ter lucro, sucesso empresarial e ganhar dinheiro é algo que deve ser buscado, mas deve ser ocultado. É como se o lucro fosse algo proibido, ilegal. Parte dessa cultura vem da natureza da nossa colonização, 500 anos se passaram e ainda lutamos contra esse legado.
Deixar em segundo plano a preocupação com o lucro e com o equilíbrio das contas (vale também para a nossa vida pessoal) nos mantem estacionados exatamente aonde estamos, é como se fosse um castigo severo. Isso é reforçado pela aceitação da situação atual, ignorando que nós somos os agentes de mudanças nas nossas empresas.
Isso é tão comum na maioria das famílias e pequenas empresas brasileiras, que uma das músicas que mais fizeram sucesso nos últimos tempos foi “ Deixa a vida me levar”, do Zeca Pagodinho, que ilustra bem como aceitamos o estado atual das coisas, vejam alguns alguns trechos: “Eu já passei por quase tudo nessa vida, em matéria de guarida espero ainda a minha vez…….Deixa a vida me levar, vida leva eu….agradecer e ser fiel ao destino que Deus me deu…”, é isso aí, pensando assim, não iremos a lugar algum.
Gastar menos do que ganha e fatura, equilibrar as contas e ter a noção exata de quanto vale, para sua empresa cada real ganho, é fundamental.
(volto ao assunto no próximo post)
19 de Maio de 2007 às 10:16
Sergio Oliveira
Desconheço um empreendedor que inicie seu novo negócio e que não queira que ele prospere e seja rentável.
Pense, se ao justificar os motivos que o levaram a empreender você afirmasse que sempre sonhou em abrir uma empresa para gerar empregos, ajudar a melhorar a vida dos seus empregados e pagar impostos para o governo desenvolver o nosso país.
A idéia é ótima, mas, quem irá financiar?
Lucro não é pecado, é condição básica para garantir a sua sobrevivência, da empresa e a realização dos itens listados acima, além de muitos outros.
Se a sua empresa não for lucrativa, por mais nobres que sejam as suas intenções a única coisa que você conseguirá fazer bem, de fato, é perder dinheiro.
Que me desculpem os filósofos, mas, o fundamento de todo negócio é o lucro.
Lucro é fonte de vida, é ponto de partida. É a partir dele que se delineia todas as demais implementações da empresa.
Sou um defensor dessa tese, principalmente para a pequena empresa que tem uma enorme dificuldade de acesso ao crédito, seja para crescimento ou para os momentos de estrangulamento financeiro.
A grande questão é que poucos empreendedores afirmam, sem pestanejar, que a sua empresa é lucrativa. Boa parte das pequenas empresas não resistem a uma verificação das suas contas, elas perdem dinheiro de fato, mas inconscientemente. Sendo assim, temos muito o que avançar nesse campo.
Quem encontrar a fórmula mágica pode patentear, terá achado o pote de ouro no fim do arco íris. Enquanto isso não aconteça, precisamos seguir em frente, pelos caminhos já conhecidos, porém, imbuídos de novas práticas e atitudes transformadoras da nossa cultura de gestão empresarial.
18 de Maio de 2007 às 23:50
Sergio Oliveira
Um novo empreendimento tem como sua face mais exposta a figura do sócio fundador.
Quem deu vida a empresa, geralmente transfere seu DNA do CPF para o CNPJ do novo negócio
Explico melhor:
Toda empresa ao ser criada terá uma cultura implantada e seguirá princípios e valores que costumam derivar das crenças de seu fundador.
Quem acompanhou as reportagens, no final do mês de abril, sobre a morte do publisher do jornal Folha de São Paulo, o Sr. Otávio Frias de Oliveira, pode ver, em todas as entrevistas e depoimentos sobre seus feitos e traços marcantes da personalidade, com destaque para o espírito empreendedor e a obsessão que tinha com relação a independência do jornal.
Fundador desorganizado cria empresa desorganizada
Fundador empreendedor cria empresa com espírito empreendedor.
Quando uma nova empresa se apresenta ao mercado essas características logo são percebidas e passam a compor o pacote que será avaliado por parceiros, bancos, fornecedores, para saberem se aliam ou não a ela.
Quanto maior for a confiança conquistada nesse começo, maiores serão as chances de sucesso.
Esse é um degrau importante, mas, é lógico que isso é só o começo, como pano de fundo teremos toda estruturação objetiva do negócio, que vai da escolha de qual mercado atuar, qual produto vender, como enfrentar a concorrência sem bater de frente, qual será o perfil dos empegados, enfim, todos os fatores combinados, de forma inteligente, é que permitirão a empresa operar com lucros ou não.
Se está ao seu alcance, nada melhor do que se preparar para uma boa estréia, o sol brilha para todos, só que alguns se esquecem de abrir as janelas.
16 de Maio de 2007 às 07:09
Sergio Oliveira
Um dos maiores dilemas do empreendedor ao abrir uma pequena empresa é quando ele entende que fez toda a lição de casa e os clientes não compareceram, na quantidade esperada, para que as vendas atingissem um valor que permitisse alcançar o ponto de equilíbrio na contas e ainda ter algum lucro.
Outra situação é quanto a empresa já está funcionando a algum tempo e decide-se que ela precisa crescer, mudar de patamar, ocupar novas fatias de mercado.
A necessidade de aumentar as vendas abre a discussão sobre qual é o melhor caminho para que isso aconteça.
Teorias a parte, sempre que converso com um empreendedor que está prestes a decidir por onde deve seguir, ele está pensando numa das quatro alternativas que abordo abaixo:
1) Vender mais, do produto atual para os clientes atuais – aqui você terá o menor custo para a expansão das vendas, se conseguir, ótimo, mas, nem sempre dá certo. Imagine que você venda geladeiras. Ninguém costuma comprar a segunda geladeira só porque está na promoção. Fere o conceito de utilidade. Se for roupas pode até funcionar, neste caso, como parte das compras acontece por impulso, o sucesso dependerá de uma boa abordagem de marketing.
2) Vender o produto atual para novos clientes - Este é o segundo posicionamento com o menor custo, descobrir novos clientes para os produtos atuais. Ampliando a base de clientes a preocupação passa a ser aumentar a produção, otimizar a capacidade instalada, geralmente sem a necessidade de novos investimentos.
3) Vender novos produtos para os clientes atuais – Acontece bastante quando a empresa já possui uma farta carteira de clientes, fieis aos produtos atuais e identifica-se a oportunidade da venda de novos produtos. Aproveitar a base atual de clientes pode ser uma grande sacada, muitas empresas fizeram isso e se deram bem.
A diversificação pode ser um bom negócio. O risco é incorrer em altos custos de desenvolvimento de novos produtos e a necessidade de novas instalações/máquinas para produzir. Uma boa alternativa é começar terceirizando, se for possível.
4) Vender novos produtos para novos clientes- Neste caso considero como sendo o surgimento de uma nova empresa, aproveitando apenas a estrutura física da empresa atual, desconsiderando os produtos existentes e os clientes atuais. Uma mudança de rota dessa envergadura apresenta os mesmos riscos da abertura de um novo negócio, o que ameniza é o fato dos sócios já contarem com a experiência do negócio anterior.
Concluindo, se esse é um dilema que tem estado presente no seu dia a dia, um bom ponto de partida é a revista “VENDA MAIS”, que você encontra nas bancas, trabalho sério e que dá dicas interessantes de cursos e livros, além de excelentes matérias dedicadas a quem quer decolar nas vendas. Tem também o site: www.vendamais.com.br, visite.
13 de Maio de 2007 às 23:04
Sergio Oliveira
A cinqüenta metros da minha casa tem uma panificadora, inaugurou a menos de um ano. A sede é própria, um prédio com aproximadamente 900 m², considerando o terreno o imóvel vale hoje mais de 1 milhão de reais.
Para montar a loja ele deve ter gasto mais uns R$ 300 mil, são produtos de 1ª linha, com preços idem.
Você deve estar imaginando que é uma excelente panificadora, seria, se não fosse um único problema, o seu dono.
Como assim?
Vou dar um exemplo do que acontece lá:
Sou um apreciador de pão de queijo, e comprava deles com fequência, até que percebi que sempre, no meio dos pães de queijo fresquinhos sempre tinha alguns duros, que pareciam ser do dia anterior.
Com o tempo fiquei amigo das balconistas e um dia tomei a liberdade e perguntei:
Vocês misturam as sobras do pão de queijo do dia anterior com os que são assados no dia?
Ela me respondeu:
- Nem sempre, só quando sobra! Meu chefe dá a ordem que para cada formada que sai nos coloquemos alguns pães de queijo do dia anterior, de forma que não sejam muitos, mas que até o meio-dia já tenhamos repassado para frente toda a sobra.
Quanto sobra a noite?
- Menos de dois quilos, por isso os clientes nem percebem, nunca reclamaram.
Você acha isso correto?
- Não, mas não sou paga para achar nada aqui, apenas para atender, se falar perco o meu emprego.
Não precisa nem dizer, quando quero comprar pães de queijo ou um bom bolo, pego o carro e vou a um outra panificadora que fica a uns dois kilometros da minha casa.
Quantas outras pessoas já devem ter percebido e fazem o mesmo?
Um quilo de pão de queijo custa R$ 14,00. Bela economia ele consegue fazer trapaceando seus clientes. São migalhas para quem investiu mais de um milhão de reais.
O incrível é que nos deparamos com situações dessa natureza com uma freqüência maior do que gostaríamos.
Isso me alegra por um único motivo, ainda há bastante espaço para empreendedores sérios que quando se estabelecem desbancam esses espertalhões.
12 de Maio de 2007 às 22:00
Sergio Oliveira
Essa é a segunda pergunta do nosso Leitor Beto, postada aqui no blog, que julgo de interesse comum, por isso compartilho com todos o que penso sobre o assunto:
2) Abrimos o capital da empresa familiar para crescer e não ficar para trás ou ficamos restritos ao mesmo negócio e ficamos sem sócios ?
Vou considerar que quando você se refere a “abrir o capital”, significa a entrada de sócios capitalistas, pois, para realizar uma oferta inicial de ações na bolsa de valores sua empresa já não seria mais pequena, estaria inclusive saindo do porte médio para grande. (Faturamento superior a 60 milhões ano)
Por ser uma empresa familiar é muito importante reunir para conversar as pessoas que tem o poder de decidir. Digamos que seja o Pai o fundador e ainda esteja na primeira geração. Então, Pai, mãe e filhos que já trabalham no negócio têm que analisar o estágio atual da empresa e pensá-la no futuro, onde vocês pretendem chegar. A partir daí traçar um plano para os próximos anos, penso em algumas alternativas:
a) Manter o negócio sob o controle familiar, mas buscar uma profissionalização - Vejo esse processo em curso nas pequenas empresas de sucesso quando ultrapassam um faturamento entre 3 e 5 milhões/ano, o que exige mais controles e uma dinâmica profissional na empresa. É prudente, a partir daí, compartilhar a condução do negócio com profissionais contratados no mercado, para suprir as deficiências de gestão dos sócios.
b) Optar por maximizar a rentabilidade, modernizando e otimizando o negócio, sem crescer muito - Conheço empresas que fizeram a opção de ter uma taxa crescimento menor que a média do setor. Nem sempre o crescimento desmedido é sinal de sucesso. A medida de sucesso empresarial que tenho é uma trilogia:
- Lucro Liquido para remunerar os sócios e permitir a empresa se modernizar.
- Empregados satisfeitos e bem pagos.
- Clientes felizes com os produtos e serviços ofertados.
c) Admitir sócios no negócio – essa é uma decisão que deve ser calculada e muito bem pensada, principalmente se o seu negócio e rentável e está equilibrado. Faça na reunião do seu conselho familiar (aqueles que gerem o negócio hoje) três perguntas:
- Por que precisaríamos de um sócio?
- O que a empresa e nós ganhamos com uma chegada de um sócio?
- O que temos a perder com a chegada de um sócio?
Se a sua necessidade é de um sócio capitalista, para aportar dinheiro no negócio, ele exigirá uma Plano de Negócios ou um Projeto de Crescimento, indicando oportunidades de mercado, nichos futuros a serem atendidos, projeções financeiras, qualificações dos proprietários, em suma, qual a segurança que vocês oferecem como sócios e para onde pretendem levar a empresa. Se você tiver isso em mãos e for consistente, por que não conseguir esses recursos em bancos, via financiamentos BNDES?
Apresente suas idéias de crescimento a pelo menos três bancos, se nenhum se interessar pelo seu projeto, alguma coisa está errado nele, precisa ser melhorado. Fundamente melhor.
Com a queda da taxa selic os bancos estão com rios de dinheiro que estavam alocados em títulos públicos e que, a partir de agora terão que ser direcionados para o crédito, principalmente para o financiamento do crescimento das empresas, isso faz com que eles estejam mais receptivos.
Se a decisão final for realmente admitir na empresa um novo sócio, a família tem que estar conciente que terá que dividir o poder e passar a prestar contas a um estranho, coisa que até então não acontecia. Alguns fundadores não admitem tal situação.
E, como sugestão, esteja acompanhado de um excelente advogado. A redação do novo contrato social será de fundamental importância para que seus interesses sejam preservados na nova empresa que surgirá após a inclusão do sócio capitalista.
21 de Abril de 2007 às 22:21
Sergio Oliveira
Beto, leitor do nosso blog postou alguns questionamentos, vou tentar responder um por vez para facilitar o entendimento:
1) Caso, queira “adotar”um sócio, como faço para avaliar o valor da nossa empresa?
Calcular o valor de uma pequena empresa é uma tarefa que não é considerada das mais fáceis, pois, temos vários fatores a serem avaliados e que podem provocar erros de entendimento. Se não for feito de maneira criteriosa as chances de vender a empresa por um valor inferior são grandes. Se errar para mais na precificação o negócio pode não acontecer. As duas situações devem ser evitadas.
Quando você pretende avaliar um imóvel chama um perito em avaliação de imóveis ou solicita a uma imobiliária uma avaliação comercial, e quando você precisa avaliar a sua empresa quem você chama? Começam aí as confusões.
Se fosse uma grande empresa seria fácil, eles têm acessos a grandes consultorias que realizam esse trabalho com confiabilidade.
E a pequena, por onde começar?
Você precisa conhecer conceitos de avaliação de projetos de investimento, que, com algumas adaptações são utilizados para avaliar empresas já em funcionamento. Estou falando de métodos como Fluxo de Caixa Descontado (FDC), Taxa Interna de Retorno (TIR), Payback, dentre outros.
Quem já leu um Guia de Franquias qualquer deve ter visto que toda oferta de um negócio é acompanhado por um quadro explicativo com várias informações como: investimento inicial, taxa de franquia, faturamento médio mensal por loja e prazo médio de retorno do investimento, pois bem, esse prazo médio de retorno nada mais é do que o tempo, em meses, que o empreendedor demorará para recuperar todo o capital investido na compra e implantação da franquia, uma das formas de calculá-lo é através do fluxo de caixa descontado.
Agregue a isso o conceito de custo de oportunidade. O investimento que será realizado no negócio tem que oferecer uma rentabilidade superior a uma aplicação financeira tradicional, considerando um fundo de renda fixa ou CDB, que oferecem risco próximo de zero.
Quais seriam os motivos que levariam alguém a sacar sua aplicação financeira e investir num negócio exposto a uma série de riscos? Isso só acontecerá se esse negócio oferecer rentabilidades maiores sobre o seu capital e que compensem a exposição aos riscos existentes e as horas trabalhadas, caso contrário o dinheiro permanecerá aplicado.
Logo, não existe uma forma única para se avaliar uma empresa, alguns usam os conceitos da Taxa Interna de Retorno, outros o Fluxo de Caixa Descontado e há ainda os que multiplicam o valor do lucro líquido mensal por um determinado número de meses, que variam de 12 a 36 meses.
Então qual é o mais correto?
Cada caso é um caso, por isso sugiro que tente chegar a três preços:
a) Preço mínimo – A soma dos preços dos bens que a empresa possui, imóveis, veículos, máquinas, computadores, móveis, utensílios e estoques, seria quase que um preço de liquidação, caso você precisasse vender a empresa em partes, fatias. (isso geralmente acontece quando não se encontra um comprador)
b) Preço médio – Seria o preço mínimo acrescido de uma adicional que pode ser calculado em função do lucro líquido mensal que a empresa oferece. Imagine que na sua empresa esse lucro seja de 10 mil/mês, você pode multiplicar esse valor por um fator que vai de 12 a 36 meses e acrescentá-lo ao valor final da empresa. Considere aqui o conceito de prazo médio de retorno que será utilizado pelo investidor – tem que ser interessante para ele sob o ponto de vista do custo de oportunidade.
c) Preço máximo – Esse seria o valor que estaria acima das suas expectativas, levaria em consideração o valor dos bens da empresa, o adicional do fluxo de caixa descontado e um acréscimo/prêmio que vem em decorrência da sua empresa oferecer um alto potencial de faturamento e lucro, que pode ser baseado em patentes registradas ou contratos de longo prazo firmados, situações específicas que garantam receitas atuais e futuras, além de uma rentabilidade superior a média do setor.
Do valor encontrado deve ser deduzido a soma das dívidas em bancos, com fornecedores, fiscais e trabalhistas.
Concluindo, não existe uma única regra, nem uma única formula, terá que ser feita um composição de critérios para que se chegue num preço justo de valor da empresa.
Mesmo que seja um bom negócio para quem comprar, é importante ter cautela para não “queimar” a empresa, é comum as negociações de venda ou de entrada de novos sócios demorarem até um ano para serem concretizadas.
18 de Abril de 2007 às 23:01
Sergio Oliveira
Toda fortuna, via de regra, está ou já esteve ligada a uma atividade empreendedora, bem sucedida, que permitiu a geração de riquezas e a acumulação de patrimônio.
Algumas famílias milionárias que já estão acima da 2ª geração, fizeram a opção de abandonar a atividade empreendedora e vivem hoje exclusivamente das rendas proporcionadas pelo patrimônio já constituído, sejam alugueis, rentabilidade de aplicações financeiras ou mesmo a venda de alguma propriedade para a manutenção do padrão de consumo e estilo de vida.
São nesses ambientes que são educados os filhos nascidos nessas famílias com alto poder aquisitivo, onde, comumente predomina a ausência de limites e por esse e outros motivos, vejo uma dificuldades enorme de acertarem na educação de seus filhos.
A forma como os pais se relacionam com o dinheiro, a maneira como lidam com os ímpetos de consumo (roupas, calçados, jóias..), as atividades de lazer (viagens freqüentes para o exterior, hotéis caros) e a aquisição de bens (carros, casas, sítios, barcos….) é que estabelecem na mente dos filhos os parâmetros aos quais estão submetidos, isso compõe o ambiente diário deles e influencia diretamente na formação de suas personalidades.
Conheço algumas exceções de comportamento, mas a regra é apresentar sinais exteriores de riqueza e fazer o máximo de propaganda disso, como forma de valorizar o status quo e os tornarem diferentes dos simples mortais.
Observo o comportamento de algumas dessas crianças e me assustam os ensinamentos que recebem e que levarão para a vida adulta sob a forma de conceitos:
1) Em casa: Os empregados são pessoas pobres, que não tiveram sorte na vida e hoje trocam seus serviços por um salário mensal insignificante (menor que a diária de um bom hotel), e tem que estar sempre sorrindo por terem esse emprego. Eles (filhos) se assemelham a príncipes e princesas e assim devem ser tratados. Neste território a lei é feita por eles.
2) Na escola: Freqüentam a melhor escola da cidade, os filhos aprenderam (em casa), que, se não existir aluno não existirá a escola e muito menos o professor, por conseqüência, os professores são seus empregados também, e por isso, lá eles podem quase tudo. Quando as coisas fogem do controle, pelo excesso de absurdos, a mãe ou o pai vai até a escola e estará tudo resolvido (geralmente vão só nesses momentos). O filho renova a sua credencial para continuar a desrespeitar as pessoas, desde o professor, o colega de sala de aula e, é lógico o faxineiro, infeliz deste, que não se cansa de catar os papéis que são arremessados ao chão.
3) Na vida social: Como foram “criados no meio” aqui eles tem assuntos de sobra, o repertório é vasto. Tudo deles é melhor do que dos outros, e o que eles não tem, é simples, é só comprar, as idas freqüentes ao shopping servem para isso. Vai do celular, o Ipod, a coleção de tênis, o Playstation 3, o game PSP e as roupas, sempre de grifes famosas.
4) Sobre o patrimônio: Esse é um assunto que não deveria lhes interessar, coisa de criança é futebol (se menino) ou brincar de boneca (se menina), mas é assustador quando resolvem repetir o que escutam em casa e acabam gravando:
a. “Lá em casa tem tanto carro que meu pai teve que alugar garagem para guardar todos.”
b. “Todo ano tenho que ir para a Disney em julho!”
c. “Minha casa é melhor do que a casa de todos os meus amigos.”
d. “Meu pai comprou uma moto nova que custou mais de R$ 100 mil…Quando crescer vou ganhar uma também!”
e. “No aniversário da minha mãe ela só aceita o presente do meu pai se as jóias forem compradas na H. Stern.”
E vai por aí afora, podemos observar que quase na totalidade, os valores dessas crianças estão alicerçados no ter, a posse de bens materiais e a demonstração explicita de poder (muitas vezes inconsciente) suplantam quaisquer virtudes que eles tenham, e tem, não duvide, só não foram trabalhadas no momento correto.
No plano pessoal encontramos uma criança triste, carente e distante dos pais, tão distante que as vezes nem os reconhecem mais como tal, a babá tem mais autoridade.
Na essência toda criança é igual, algumas pedem mais atenção e cuidados, outras menos, mas todos desejam afeto, proteção e necessitam de boa orientação para aprenderem a ter uma vida familiar e social saudável.
Ideal seria que as bases dessa educação fossem alicerçadas no respeito ao próximo, onde o ser suplanta o ter, e que o ter fosse apenas um detalhe, que passasse despercebido, pelo menos até que essa criança tenha consciência do que representam os valores matérias, de que nasceu numa família rica e a partir daí construa seu próprio destino.
O que deveria ser o ambiente ideal para a formação de jovens com futuro promissor, prontos para empreender, seja nas artes ou nos negócios, é na realidade uma fábrica de jovens sem rumo e sem destino, desinteressados e que não se sentem desafiados por nada, pois, já estão atendidos em todas as suas necessidades e desejos materiais. Vivem na sombra dos pais.
Transformam-se em adultos frágeis, possuidores de um grande vazio por não ter construído e nem conquistado nada, já lhe entregaram tudo pronto.
Esse é um dos motivos pelos quais as fortunas trocam de mãos de tempos em tempos, e surgem os novos ricos, que depois de algumas gerações, se esquecem de suas origens e….. cometem os mesmos erros.
Tal constatação só reforça a idéia de que:
” as oportunidades sempre existirão!”
18 de Março de 2007 às 22:12
Sergio Oliveira
Se ao abrir seu próprio negócio, sua meta principal for ficar rico a partir dessa empreitada, sugiro que você reveja os seus planos, essa premissa poderá contaminar a boa idéia a qual deseja empreender.
Tal possibilidade é tão remota como a paz no Oriente Médio, um erro clássico, já no início, compromete bastante a consolidação do empreendimento.
Depois de planejado o seu negócio, em bases reais, e já em funcionamento, cuide para que as metas mensais e anuais sejam desafiadoras, porém atingíveis.
Nada é mais desestimulante do que olhar para o número já sabendo que será impossível alcançá-lo. Para os seus funcionários é frustração pura, principalmente se você tiver implementado algum programa de remuneração variável, que significa para eles muito esforço na busca, e a decepção do não atingimento além de ser menos dinheiro no bolso.
Se não se sentir seguro para definir as metas da sua empresa, peça ajuda, contrate alguém para te auxiliar, permita que seus empregados opinem (você poderá se surpreender), construa um plano de crescimento, que se desdobre nas metas. Algo que seja desafiador, interessante do ponto de vista da geração de lucros e estimulante para quem estará envolvido na conquista desses resultados.
O bom senso agradece!
13 de Fevereiro de 2007 às 21:33
Sergio Oliveira
A vida pessoal do empreendedor caminha de mãos dadas com alma da empresa.
Tudo aquilo que for desejado pela família: um carro novo, viagem para a Disney ou mesmo gastos como roupas e calçados de marca, mas que não estão previstos no orçamento familiar, significa saques no caixa da empresa, o que nem sempre quer dizer que ela está preparada para suportar esses ímpetos de consumo.
Dinheiro em caixa não significa dinheiro disponível para o gasto, significa apenas dinheiro aguardando a data de vencimento dos compromissos já assumidos.
Sócio tem que viver com o pró-labore mensal, gastos extras, ao final do ano, quando for realizada a distribuição dos lucros.
Tal fato, se não observado e respeitado pode comprometer a saúde financeira da pequena empresa, a ponto de inviabilizá-la financeiramente, se isso acontecer:
- Nem carro novo, nem velho, vai de ônibus mesmo.
- Nem casa nova, nem velha, de volta ao aluguel.
- Nem viagem a Disney, nem escola particular, matrículas na pública.
Se o filme já é conhecido, pule essa cena, reorganize em casa e permita que a empresa respire, se fortaleça e quem sabe no futuro ela seja a grande financiadora dos seus sonhos e de sua família.
11 de Fevereiro de 2007 às 16:03
Sergio Oliveira
Recebi um e mail da leitora Ana Cristina, com o seguinte questionamento:
- Tenho 30 anos, um bom emprego e pretendo dentro de 15 anos montar um negócio próprio e conquistar a minha independência financeira, qual o melhor caminho?
Cara Ana Cristina, você estabeleceu dois objetivos no seu planejamento de futuro, conquistar os dois ao mesmo tempo é uma meta ousada, porém realizável. Dependerá apenas de você, sua determinação e atitudes para transformá-los em realidade.
Qual é o melhor caminho?
Na minha opinião devemos começar pelos conceitos. Os dois temas, negócio próprio e independência financeira possuem conceitos distintos.
Negócio Próprio - Você deverá identificar uma oportunidade de negócios, após estudos, pesquisas e observações. No momento julgado oportuno irá formalizar a abertura da empresa e iniciará as atividades. Contratando empregados, comprando, vendendo e no final do mês a empresa precisa apresentar um lucro líquido, que representará o retorno do capital investido, em parcelas mensais.
Independência Financeira - Significa não ter mais que trabalhar, seja como empregado ou como patrão. Ter a liberdade de decidir o que fazer do seu tempo, curtir filhos, netos, viajar, etc.., com a tranqüilidade de saber que os rendimentos obtidos nos investimentos serão suficientes para custear as suas despesas mensais e permitir que você viva a vida como planejou viver, sem grandes compromissos profissionais.
Observe que, além de conceitos distintos os dois objetivos são independentes e até certo ponto conflitantes, por isso é preciso detalhar bem as premissas no seu plano de futuro.
Se conquistar a independência financeira significa ter a liberdade de trabalhar quando quiser, abrir o negócio próprio significa não ter essa liberdade.
A sua proposta me diz: ” Vou trabalhar bastante para ter tranquilidade daqui a quinze anos e em seguida vou trocar essa tranquilidade por novos desafios”. Não há nada de errado nisso, so é preciso refletir bem se é isso mesmo que você quer!
Alguns questionamentos e dicas:
1) Se fosse hoje, qual seria o valor que estaria disposta o investir na abertura do negócio próprio?
2) Qual é a renda necessária, levando-se em consideração seus hábitos de consumo, que deverá ter e que permitirá a independência financeira planejada?
3) Com esses dois valores conhecidos, sabendo que o prazo para poupar será de 15 anos , faça uma estimativa do valor que deverá acumular no futuro e da poupança mensal necessária para atingí-lo.
4) Se o valor a ser poupado mensalmente for suportado por sua renda atual, inicie de imediato, se não, existem três possibilidades: aumente o prazo de acumulação de recursos, busque aplicações mais rentáveis ou reduza o valor total a ser acumulado no final do prazo.
5) Revise seu plano periodicamente e veja se suas as projeções de rentabilidade estão se confirmando.
6) Como estará acumulando recursos é importante que passe a ler mais (jornais e revistas) sobre mercado financeiro e oportunidades de investimento, existem uma série de alternativas além da poupança.
7) Conhecer mais sobre Gestão de Finanças Pessoais e Planejamento Financeiro é fundamental, recomendo a leitura de três livros sobre o assunto:
- Investimentos - Mauro Halfeld - Editora Fundamento
- Seu futuro financeiro - Louis Frankenberg - Editora Campus
- Dinheiro - os segredos de quem tem - Gustavo Cerbasi - Editora Gente
8) Como você terá um tempo considerável pela frente, faça cursos sobre gestão empresarial e aprenda o máximo que puder sobre a administração de uma pequena empresa, isso te fortalecerá e dará maior segurança quando chegar a hora de administrar a sua.
Concluindo, não existe um único caminho , várias são as alternativas para chegar nos seus dois objetivos. É primordial que você tenha firmeza nos seus propósitos, pois, muitas serão as tentações que você sofrerá pelo caminho e que tentarão te seduzir a gastar mais do que ganha e viver o hoje em detrimento do amanhã. Não acredite nisso, viva sim o hoje, mas não abra mão de construir o seu amanhã como você sempre sonhou!
28 de Janeiro de 2007 às 22:12
Sergio Oliveira
Na minha mente?
Na sua?
Nas revistas sobre negócios? (superficiais demais!)
Nos livros sobre gestão empresarial? (técnicos e extensos demais!)
Nas experiências vividas pelos empreendedores? (dispersas demais!)
Onde estarão então?
De forma isolada em nenhum deles!
Vejo boas idéias por toda parte, fragmentadas, desconexas, e dessa forma não produzem a sinergia necessária para provocar qualquer transformação positiva no ambiente empresarial.
Observe que, em gestão de pequenas empresas, os principais temas são reeditados ano após ano, colocam neles uma roupagem nova, mas os conceitos básicos são os mesmos.
Essa prática movimenta a indústria de edição de revistas, livros e palestras sobre gestão e negócios.
Somados todos os esforços, muito se diz, pouco se transforma. Na vida real posso afirmar que quase nada se evoluiu em termos de profissionalização nas pequenas empresas.
É como se os nossos empresários estivessem isolados numa ilha, náufragos, consumidos pelo instinto de sobrevivência, vivem apenas para garantir o hoje, como se o amanhã fosse algo tão incerto que não valeria a pena pensar nele.
O que fazer?
Essas boas ideais e melhores práticas precisam ser condensadas e ordenadas, seguindo a linha do bom senso, um roteiro, que seja simples, de fácil aplicação para o pequeno empresário, que no decorrer do dia representa diversos papéis nesse teatro que é a atividade empreendedora no nosso país.
Quem dará o primeiro passo?
Qual é o melhor modelo de gestão para fazer a sua pequena empresa crescer e dar lucros?
Construa o roteiro que mais se aplica ao seu negócio, não espere que alguém lhe entregue pronto ou venda sob forma de consultoria, isso não acontecerá!
21 de Janeiro de 2007 às 20:17
Sergio Oliveira
Se você já começou o seu negócio ou pretende começar, algumas perguntas são fundamentais e devem ser pontos de reflexão:
- Você tem um fluxo de caixa das suas finanças pessoais?
- Sua empresa tem um acompanhamento de Fluxo de Caixa diário?
- Se pedir para que você me explique em 5 minutos como está a condição financeira da sua empresa hoje, você consegue?
Organização financeira começa em casa. Nunca conheci um empresário que tenha as suas contas pessoais desorganizadas e que tenha uma empresa exemplar e que dê lucro.
A correlação é direta, empresário descontrolado na sua vida financeira pessoal é dono de empresa também descontrolada financeiramente.
Empresário organizado na sua vida pessoal é sinônimo de empresa organizada, o que aumenta as chances de lucro.
Conhecer as suas finanças e as da sua empresa é ponto de partida para fundamentar as decisões futuras que envolvam gastos e investimentos.
Se pretende iniciar o seu negócio ou organizar um já existente, comece estudando o fluxo de caixa. Sem dinheiro e pendurada de dívidas sua empresa não irá para lugar nenhum.
Uma oportunidade ímpar para aprender esses conceitos e como utilizá-los está agora disponível, através do site do SEBRAE/SP, na Academia Virtual do Empreendedor, faça já a sua inscrição. Esta é uma chance para aqueles que não tem tempo de freqüentar cursos presenciais, e acima de tudo é grátis.
30 de Novembro de 2006 às 23:11
Sergio Oliveira
A paralização das atividades da fábrica de calçados Samello, na cidade de Franca/SP, mostra que grandeza nem sempre é sinônimo de solidez.
Fundada em 1924 por Miguel Sábio de Mello, teve o seu auge na década de 90, quando chegou a empregar 2,7 mil pessoas. Hoje possui menos que 100 funcionários. Só em outubro foram demitidos 340 empregados após acordo com o Sindicato local.
Segundo reportagens divulgadas nos jornais Valor Econômico ( 16/11/06) e O Estado de São Paulo (17/11/06), a empresa entrou com pedido de recuperação judicial (concordata) justificando que encontra-se em série crise econômico-financeira motivada pelos seguintes fatores:
- Valorização do real
- Mais de 60% da produção voltada para a exportação
- Inadequada estrutura de financiamentos
- Concorrência chinesa
A falta de caixa para manter a produção levou a paralisação das atividades a mais de um mês. Para ser retomada a empresa estima necessitar de 5 milhões de reais de aporte financeiro.
Com o pedido de recuperação judicial a empresa se afasta da pressão dos credores, bancos e fornecedores e passa a ter condições de repensar o negócio.
O total da dívida foi apurada em 55 milhões de reais, já considerando salários e encargos financeiros.
Uma notícia boa é que o patrimônio da família é bem superior ao total da dívida. Apenas uma fazenda no Mato Grosso está avaliada em 60 milhões.
O processo de profissionalização foi iniciado em 2003/2004, com a criação de um conselho familiar e a contratação de profissionais do mercado para gerir a empresa. Naquele momento a empresa já se encontrava com a necessidade de saneamento financeiro.
O que o caso da Samello nos explicita?
Do ponto de vista gerencial:
- Que os problemas enfrentados no dia a dia pelas pequenas empresas também afligem as grandes. Muitas vezes achamos que algumas empresas são sólidas e grandes demais para quebrar, o que nem sempre é verdade.
- Algumas regras básicas se aplicam a todas as empresas, independente do porte. Cuidados como estar atento aos cenários prováveis, as mudanças de rota dos mercados, preferências dos clientes, os passos da concorrência e o principal, juntar tudo isso e tomar decisões rápidas. Nessa hora a empresa pede ajuda e um mês a mais pode significar sérias complicações.
Mas, de nada adianta colocar dinheiro novo em empresa que está perdendo dinheiro. O dreno tem que ser fechado e a empresa reposicionada. Caso contrário, mais dinheiro só amplia o problema.
Do ponto de vista Operacional, dentre os fatores citados gostaria de ressaltar dois:
- Inadequada estrutura de financiamento – Quando olhamos para uma empresa como a Samello, como meros observadores, imaginamos que ela tenha a possibilidade de negociar as melhores condições de financiamentos junto a bancos, conseguindo taxas mais baixas e prazos adequados ao tipo de necessidade financeira. O que também não é uma verdade, pois a própria declaração da empresa ressalta que o mix de recursos de bancos está concentrado no curto prazo e sufocando o caixa de empresa.
- Fluxo de Caixa negativo – As atividades foram paralisadas por falta de R$ 5 milhões de reais. De nada adianta ter um patrimônio em nome dos sócios superior a R$ 100 milhões de reais e não ter a liquidez mínima necessária para mantê-la funcionando.
Sou admirador da Samello, da sua história, da sua tradição, da qualidade dos seus produtos, da estratégia de abertura de lojas próprias e do seu reconhecimento no exterior como uma empresa 100% brasileira que tem condições de competir mundialmente e levar o nome do nosso País fronteiras afora, por isso, neste momento estou na torcida para que a empresa tenha êxito na sua recuperação judicial e volte a funcionar.
Desejo-lhes sorte!!!
21 de Novembro de 2006 às 21:57
Sergio Oliveira
O SEBRAE/SP divulgou nesta semana a versão atualizada do estudo sobre o financiamento de MPEs no estado de São Paulo.
Ele tem como objetivo identificar as principais formas utilizadas pelas empresas de micro e pequeno porte (MPEs) para financiar suas atividades, suas dificuldades, necessidades em termos de financiamento do negócio e também identificar o que pode ser feito para ampliar o acesso dessas empresas ao financiamento.
Um trabalho rico em informações e que deve ser leitura obrigatória de todo empreendedor que depende de recursos financeiros de terceiros para investir na sua empresa.
O relatório completo está disponível no site do Sebrae/SP, para acessá-lo clique aqui.
19 de Outubro de 2006 às 23:54
Sergio Oliveira
Existe uma grande diferença entre as duas situações:
Quando você busca um investidor como sócio ou mesmo financiamentos bancários via linhas de longo prazo, os olhares se voltam para a sua empresa em busca de algumas respostas básicas, capazes de explicar em que direção sua empresa vai.
A diferença de enquadramento entre “busca de apoio” e “pedido de socorro” é a antecedência com que você planejou o projeto de crescimento da sua empresa.
Quanto mais você estiver antecipado, estará com o tempo a seu favor, poderá validar as premissas de crescimento e debater o projeto como um todo. Neste caso a busca é de apoio.
Os investidores gostam disso, os bancos, idem.
Se você deixou para a última hora a busca de investidores ou bancos, foi tocando com recursos próprios e agora está sem fôlego financeiro, quase asfixiado, foi-se o capital de giro e o dinheiro que você consegue em bancos é só de curto prazo, logo, sua empresa está pedindo socorro.
Tal situação afasta os investidores e os bancos, pois, não existe um projeto de crescimento e sim um investimento na base do “eu acho”.
É sinal claro de falta de planejamento e capacidade gerencial deficiente, sabe qual a leitura que eles fazem?
- Seu negócio está em risco!
Nenhuma instituição ou investidor quer se associar ou se vincular a negócios em risco, por mais que você nomine como “Capital de Risco”, o que eles menos querem é perder dinheiro. O objetivo deles é o inverso, ganhar dinheiro, quanto mais, melhor.
Torne seu negócio atrativo, tenha um bom projeto de crescimento, se não for filantropia, só o lucro justifica a existência.
14 de Outubro de 2006 às 10:01
Sergio Oliveira