Competitividade da China
8 de Setembro de 2009 às 09:41 Sergio Oliveira | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 713

Compreender a China e sua espetacular ascensão como potência mundial tem sido tarefa constante de mentes renomadas em todos os continentes.
Detentora de reservas econômicas que já superam os U$ 1,2 trilhões, sua condição financeira como nação é invejável e vem sendo utilizada pelo governo para apoiar a internacionalização da empresas daquele país.
No campo empresarial os chineses já foram vistos como produtores de bugigangas, mas, em uma década de evolução já ameaçam as mais inovadoras empresas ocidentais.
Eles investem pesadamente em aquisições estratégicas, desde a área de alimentos até produtoras de minério de ferro, o que lhes garantem matéria-prima para sustentar o crescimento acelerado seja via exportações, seja a partir da demanda interna.
Todos querem saber até onde vai essa expansão do poderio econômico e empresarial, um enigma a ser desvendado.
Um seminário realizado pela UFRJ, no dia 03/09/09, “Reposicionamentos Estratégicos, Políticas e Inovação em Tempos de Crise” teve como eixo central a discussão da ruptura histórica causada pela ascensão da China como grande potencia mundial, um debate travado por quem vive o meio empresarial brasileiro e conhece também a china em todos os aspectos.
Os trechos abaixo foram opiniões emitidas pelos palestrantes, extraídos de reportagens publicadas no Valor Econômico:
Professor Antonio Barros de Castro (UFRJ):
- Na China, há uma espécie de máquina armada em torno da competitividade. E eles são velozes. Quem fizer de conta que os chineses não existem vai morrer.
- A China é um desafio enorme para o Brasil, para avançarmos, por aqui, é preciso ações como deselitizar e multiplicar a pesquisa e desenvolvimento.
- Existe lá uma lógica econômica que não se dá por acidente.
- É ingênuo pensar que as empresas lá são competitivas apenas porque pagam salários baixos. Pelo contrário, há toda uma estratégia em torno do baixo custo.
- Os chineses não se preocupam em usar estados da arte da tecnologia, buscam unir soluções que garantam eficiência e competitividade.
- Eles, além do foco na exportação, desenvolvem estratégias para ampliar o poder de compra interno.
- No Brasil há amplas oportunidades de ampliar o mercado interno, aumentando a escala das empresas nacionais.
- Para isso é preciso também baratear os bens, tornando-os mais acessíveis para uma camada maior da população.
O consultor Mario Ripper, que atua de tecnologia da informação e telecomunicações, apresentou o exemplo da chinesa Hauwei, fabricante de equipamentos de telefonia, com faturamento de U$ 18 Bilhões, 100 mil empregados, sendo 37 mil atuando em pesquisa e desenvolvimento já é a sexta maior do mundo e tem 75% do seu faturamento fora do pais. Ele atribui esse espetacular desempenho ao:
- Foco ampliado no mercado interno.
- Disponibilidade de recursos financeiros oferecidos pelos bancos de desenvolvimento chineses.
- Estratégia de governo, que abriu o mercado para fabricantes estrangeiros, mas fixou obrigações de transferência de tecnologia e investimentos em segmentos estratégicos, como semicondutores, dentro da própria China.
Outro palestrante foi o Professor John Mathews, da Austrália, que escreveu o livro “Dragões multinacionais”:
- Eles conquistando espaço no mundo com competitividade, baixo custo e tecnologia de ponta.
- As multinacionais Chinesas se tornam cada vez mais competitivas por voltar-se para novas tecnologias.
- Tem foco no redesenho de produtos, processos, reorganização da produção.
- Tem como estratégia a compra de tecnologia, fazendo joint ventures, adquirindo participações minoritárias no exterior.
- Associam-se a empresas que já desenvolveram tecnologia, para não ter o custo de desenvolvimento.
- Investem pouco e tiram o máximo, quando se associam evitam o desenvolvimento do produto que tem custo elevado.
- Essas estratégias são antigas, já foram utilizadas pelo Japão e Coréia do Sul, mas o que surpreende é a velocidade com que as empresas chinesas estão atingindo esse nível de competitividade.
- O professor citou um estudo do Boston Consulting Group (BCG), que aponta as 100 empresas emergentes que estão mudando o mundo, das quais 41 são chinesas, incluindo a Chery, Lenovo e China Mobile. Neste estudo 13 empresas brasileiras foram incluídas: Braskem, Vale, Coteminas, Embraer, Gerdau, JBS-FRriboi, Marcopolo, Natura, Perdigão, Sadia, Petrobras, Votorantim e WEG.
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