A fragilidade nas relações de trabalho
10 de Julho de 2009 às 00:01 Sergio Oliveira | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 1376

A partir da década de 90, com a falência do modelo japonês de gestão de pessoas, motivada pela forte crise econômica que assolou o país, assistimos uma migração gradual da proposta de emprego vitalício para a prática da manutenção do contrato de trabalho pelo tempo que interessasse a empresa.
Se antes tínhamos duas correntes opostas, com um debate robusto entre seus defensores, a ocidentalização na gestão de pessoas, em parte das empresas orientais, empobreceu a discussão e deu força a idéia de que precisávamos tirar o máximo dos empregados, estimulando a competição e pouco oferecendo em troca.
As modernas técnicas de gestão, estruturadas segundo as cartilhas do modelo americano de administração, foram desvirtuadas e afetaram as relações trabalhistas, deixando sem referência aqueles profissionais que ainda acreditavam que o melhor que poderiam fazer era se dedicarem ao extremo nas causas da empresa contribuindo para o seu crescimento.
O trabalhador atual vive em constante estado de alerta, sabe que não é mais uma peça essencial na engrenagem da empresa e que, para sua vaga estariam disponíveis no mercado, pelo menos dois outros profissionais, com qualificação superior, que aceitariam ganhar até 25% a menos para sair da condição de desempregado.
Além da ameaça de ser substituído a qualquer momento, fragilizam bastante as relações de trabalho os sistemas de promoção adotados internamente nas empresas, onde se estimula a competição entre os pares, o que leva ao individualismo exacerbado, e que, para um ser promovido outro tem que ser rebaixado ou demitido.
Em conseqüência disso, as relações de trabalho passaram a ser regidas mais pela desconfiança e medo do que pela lealdade, integridade e dedicação.
Embora o modelo atual esteja amplamente disseminado, algumas grandes corporações já perceberam que a exploração exacerbada da força de trabalho tem um limite e leva rapidamente ao esgotamento físico e mental dos colaboradores, prejudicando o que eles têm de mais valioso, sua força criativa e o exercício do intra-empreendedorismo.
Tendo identificado tal situação, algumas empresas já trilham o caminho de volta, em busca de um meio termo na gestão de pessoas, onde possam oferecer uma segurança relativa ao colaborador, sem comprometer o negócio, mas permitindo um resgate dos vínculos que, em minha opinião, se perderam no tempo e se tornaram perigosamente superficiais.
Como todo processo de mudança, acredito que esse também será lento e gradual, embalado pela atual crise financeira mundial, que deixou claro que, as idéias postas se afastaram do ideal, e que, obrigatoriamente passarão por uma reformulação, provocando também uma reflexão sobre as relações de trabalho e o resgate de valores essenciais como ética, respeito e crença, que deverão ser valorizados tanto quanto promoções e remuneração.
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1 Comentário Faça seu próprio
1. TOM | 11 de Agosto de 2009 às 21:45
CONCORDO, AS INSTABILIDADE NO QUADRO DAS EMPRESAS MOSTRAM COMO SÃO FRAGEIS, ESTAS SO CONSOLIDARAM QUANDO OFERECER SEGURANÇA RELATIVA AO COLABORADOR.
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