Arquivo de Julho de 2009
Empreendedores que conquistaram o sucesso através das suas empresas são merecedores de todas as honras e glórias, eles criaram e conduziram o negócio, superaram as dificuldades iniciais e venceram.
Estaria tudo perfeito se o declínio de um empreendimento não se iniciasse a partir do momento no qual os gestores estiverem convictos de que descobriram a fórmula mágica do sucesso naquele negócio.
Acreditar que um novo dia será uma repetição dos dias anteriores é oficializar a rotina e a percepção de que pouco precisará ser modificado, e que, mantidas as condições atuais o modelo de negócios vigente permanecerá rentável.
Uma constatação ao longo do tempo é de que uma trajetória de vitórias passadas não representa garantia de vitórias futuras.
O ambiente empresarial é dinâmico, para cada tipo e estágio do negócio as variáveis a serem consideradas podem se alterar.
Assim como o ambiente no qual a empresa está inserida é modificado em função do crescimento, as competências requeridas dos gestores também sofrem alterações.
Neste ponto está um dos principais limitadores do crescimento de negócios de médio porte que tem potencial para se tornarem grandes, mas ficam aprisionados pelas “verdades absolutas dos seus criadores”.
Costumo dizer aos empreendedores de sucesso que as competências que os trouxeram até aqui e lhes permitiram as vitórias já consolidadas podem não ser as mesmas que eles necessitarão para gerir os seus negócios daqui para frente.
O criador do negócio nem sempre aceita a constatação de que as suas competências também são colocadas a prova e que chegará um determinado momento da vida do empreendimento que ele terá que delegar parte das tarefas que antes executava para se concentrar em atividades mais nobres e exporar mais a sua visão empreendedora, que pode ser o seu grande trunfo.
Em minha opinião, não existe um meio termo neste caso, ou o criador do negócio permite o seu crescimento ou restringe, como forma de se sentir mais seguro centralizando as decisões e submetendo o negócio aos limites das suas competências.
Se afastar do operacional e concentrar na definição das macro estratégias, para alguns pode significar perda de poder, para outros sinônimos de sabedoria e uma crença na perpetuidade do negócio.
29 de Julho de 2009 às 20:07
Sergio Oliveira
O empreendedor que se orgulha demais dos seus feitos corre o risco de ficar parecido com um pavão.
Suas realizações, na sua opinião, são sempre superiores, suas idéias são as melhores e tudo o que ele faz deve ser elogiado e aplaudido.
Sabemos que no ambiente empresarial, o dia a dia é composto de erros e acertos, e a busca incessante é para acertar mais do que errar, permitindo que a última linha do balanço mensal, a que demonstra o lucro, feche positiva e com um valor que seja igual o maior do que o esperado pelo planejamento estratégico e financeiro.
O fato é que, ninguem consegue isso sozinho.
qualquer coisa diferente disso são plumas e paetês.
A não ser que estejamos diante de um novo gênio da história da humanidade, comportamentos dessa natureza limitam o crescimento da própria empresa, afastando os talentos que nela trabalham , pois, ninguém suporta um gestor que acredita que o mundo gira ao seu redor.
Abrir os olhos e a cabeça, exercitar a tolerância, escutar as idéias do outros e reconhecê-las quando tiverem valor é um bom caminho para recuperar a humildade e ser reconhecido com um verdadeiro líder e não como um “Empreendedor Pavão”.
Lembrando que as penas do corpo dessa bela criatura viram espanador e as do rabo acabam em vasos de decoração, definitivamente esse não é um final glorioso.
22 de Julho de 2009 às 09:14
Sergio Oliveira
A partir da década de 90, com a falência do modelo japonês de gestão de pessoas, motivada pela forte crise econômica que assolou o país, assistimos uma migração gradual da proposta de emprego vitalício para a prática da manutenção do contrato de trabalho pelo tempo que interessasse a empresa.
Se antes tínhamos duas correntes opostas, com um debate robusto entre seus defensores, a ocidentalização na gestão de pessoas, em parte das empresas orientais, empobreceu a discussão e deu força a idéia de que precisávamos tirar o máximo dos empregados, estimulando a competição e pouco oferecendo em troca.
As modernas técnicas de gestão, estruturadas segundo as cartilhas do modelo americano de administração, foram desvirtuadas e afetaram as relações trabalhistas, deixando sem referência aqueles profissionais que ainda acreditavam que o melhor que poderiam fazer era se dedicarem ao extremo nas causas da empresa contribuindo para o seu crescimento.
O trabalhador atual vive em constante estado de alerta, sabe que não é mais uma peça essencial na engrenagem da empresa e que, para sua vaga estariam disponíveis no mercado, pelo menos dois outros profissionais, com qualificação superior, que aceitariam ganhar até 25% a menos para sair da condição de desempregado.
Além da ameaça de ser substituído a qualquer momento, fragilizam bastante as relações de trabalho os sistemas de promoção adotados internamente nas empresas, onde se estimula a competição entre os pares, o que leva ao individualismo exacerbado, e que, para um ser promovido outro tem que ser rebaixado ou demitido.
Em conseqüência disso, as relações de trabalho passaram a ser regidas mais pela desconfiança e medo do que pela lealdade, integridade e dedicação.
Embora o modelo atual esteja amplamente disseminado, algumas grandes corporações já perceberam que a exploração exacerbada da força de trabalho tem um limite e leva rapidamente ao esgotamento físico e mental dos colaboradores, prejudicando o que eles têm de mais valioso, sua força criativa e o exercício do intra-empreendedorismo.
Tendo identificado tal situação, algumas empresas já trilham o caminho de volta, em busca de um meio termo na gestão de pessoas, onde possam oferecer uma segurança relativa ao colaborador, sem comprometer o negócio, mas permitindo um resgate dos vínculos que, em minha opinião, se perderam no tempo e se tornaram perigosamente superficiais.
Como todo processo de mudança, acredito que esse também será lento e gradual, embalado pela atual crise financeira mundial, que deixou claro que, as idéias postas se afastaram do ideal, e que, obrigatoriamente passarão por uma reformulação, provocando também uma reflexão sobre as relações de trabalho e o resgate de valores essenciais como ética, respeito e crença, que deverão ser valorizados tanto quanto promoções e remuneração.
10 de Julho de 2009 às 00:01
Sergio Oliveira