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Os riscos do excesso de confiança II

28 de Março de 2009 às 00:48 Sergio Oliveira  | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 1444

Imagine dois trabalhadores, um operário que recebia salário médio mensal de R$ 1.000,00 e um Diretor que era remunerado mensalmente por algo em torno de R$ 30.000,00.

Considere que os dois estavam na empresa a 10 anos, que foram surpreendidos com a demissão do emprego e que terão no dia do acerto os seguintes direitos:

- Saldo da conta do fundo de garantia – FGTS (8% ao mês sobre o salário base)

- Multa de 40% sobre o saldo do FGTS pela demissão sem justa causa.

- Proporcional de férias e 13º salário, (que dentre outras indenizações poderá chegar até três salários)

Feita as contas, no acerto final o operário levará para casa algo próximo de R$ 19.800,00 e o diretor receberá um polpudo cheque estimado de R$ 594.000,00.

Sabendo que a partir do acerto os dois estarão desempregados, e analisando os valores recebidos é notório que o operário saiu em desvantagem, porém, divida o valor recebido pelo diretor pelo valor recebido pelo operário e verá que a diferença será de 30 vezes, a mesma que existia entre o salário mensal dos dois, confira:

- R$ 30 mil divido por R$ 1 mil, da um multiplicador de 30 vezes, o mesmo resultado de R$ 594 mil divido por R$ 19,8 mil, a conta é matemática.

Se do ponto de vista financeiro o diretor leva vantagem, do ponto de vista do comportamento após a demissão, nem sempre.

Um operário com salário de R$ 1 mil mensal, está acostumado a levar uma vida regrada e a enfrentar situações difíceis. Faz parte do seu cotidiano.

Já o diretor demitido terá grandes dificuldades para reduzir seu padrão de vida, perderá o carro, o motorista, o cartão corporativo, deixará o terno e a gravata de lado e se isso estiver incorporado a sua identidade ele certamente entrará em parafuso.

É neste contexto conturbado que decisões importantes serão tomadas.

A primeira e a mais natural é sair imediatamente em busca de um novo emprego, se possível com o mesmo salário, ocorre que isso nem sempre se confirma e com o passar dos meses o profissional acaba tendo a sua autoconfiança minada.

Traçar um plano para garantir renda é fundamental.

O risco é demorar muito para agir e com isso consumir as reservas financeiras sem que a alternativa de renda tenha sido construída.

Para o operário iniciar um negócio com aproximadamente R$ 20 mil não será nada fácil, principalmente se ele não tinha planos de trilhar esse caminho. persistir na busca de um novo emprego poderá ser a melhor alternativa.

Se ele pensa em um dia ter o seu negócio próprio deverá fazer uma poupança em longo prazo, a fim de economizar o valor necessário para o negócio escolhido e também reservar uma valor para a despesa mensal até a empresa entrar na fase dos lucros que permitam uma retirada mensal a título de pró-labore.

Pensando no Diretor, a sua vantagem financeira será apenas aparente e ela só se transformará em vantagem real se ele for muito austero com os gastos na fase das vacas magras.

A idéia do negócio próprio para o Diretor é mais real, pois, o que ele tem de recursos financeiros provenientes do acerto daria para abrir uma boa empresa e ainda manter uma reserva financeira para os gastos da família por pelo menos o primeiro ano de vida do negócio.

Se as possibilidades para o Diretor são maiores, desde a experiência gerencial até a vantagem financeira, conseguir descer do pedestal e abrir mão do status será o seu maior desafio.

Interessante observar que quando se tem a vantagem financeira e a condição básica gerencial falta à coragem para abrir mão do conforto e partir para a luta.

Quando a garra e a coragem são os principais atributos falta à experiência gerencial e os recursos financeiros.

Esse é o grande dilema dos profissionais demitidos quando passam a pensar no negócio próprio como uma alternativa real de geração de renda, qualquer que seja a posição que ele ocupasse, de operário a diretor, a falta que fará a estruturação de alternativas ao emprego será imensa, mas como a necessidade faz a hora, de alguma forma eles terão que tirar o atraso e se qualificarem, se a escolha for pelo empreendedorismo.

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