Arquivo de Março de 2009

Os riscos do excesso de confiança II

Imagine dois trabalhadores, um operário que recebia salário médio mensal de R$ 1.000,00 e um Diretor que era remunerado mensalmente por algo em torno de R$ 30.000,00.

Considere que os dois estavam na empresa a 10 anos, que foram surpreendidos com a demissão do emprego e que terão no dia do acerto os seguintes direitos:

- Saldo da conta do fundo de garantia – FGTS (8% ao mês sobre o salário base)

- Multa de 40% sobre o saldo do FGTS pela demissão sem justa causa.

- Proporcional de férias e 13º salário, (que dentre outras indenizações poderá chegar até três salários)

Feita as contas, no acerto final o operário levará para casa algo próximo de R$ 19.800,00 e o diretor receberá um polpudo cheque estimado de R$ 594.000,00.

Sabendo que a partir do acerto os dois estarão desempregados, e analisando os valores recebidos é notório que o operário saiu em desvantagem, porém, divida o valor recebido pelo diretor pelo valor recebido pelo operário e verá que a diferença será de 30 vezes, a mesma que existia entre o salário mensal dos dois, confira:

- R$ 30 mil divido por R$ 1 mil, da um multiplicador de 30 vezes, o mesmo resultado de R$ 594 mil divido por R$ 19,8 mil, a conta é matemática.

Se do ponto de vista financeiro o diretor leva vantagem, do ponto de vista do comportamento após a demissão, nem sempre.

Um operário com salário de R$ 1 mil mensal, está acostumado a levar uma vida regrada e a enfrentar situações difíceis. Faz parte do seu cotidiano.

Já o diretor demitido terá grandes dificuldades para reduzir seu padrão de vida, perderá o carro, o motorista, o cartão corporativo, deixará o terno e a gravata de lado e se isso estiver incorporado a sua identidade ele certamente entrará em parafuso.

É neste contexto conturbado que decisões importantes serão tomadas.

A primeira e a mais natural é sair imediatamente em busca de um novo emprego, se possível com o mesmo salário, ocorre que isso nem sempre se confirma e com o passar dos meses o profissional acaba tendo a sua autoconfiança minada.

Traçar um plano para garantir renda é fundamental.

O risco é demorar muito para agir e com isso consumir as reservas financeiras sem que a alternativa de renda tenha sido construída.

Para o operário iniciar um negócio com aproximadamente R$ 20 mil não será nada fácil, principalmente se ele não tinha planos de trilhar esse caminho. persistir na busca de um novo emprego poderá ser a melhor alternativa.

Se ele pensa em um dia ter o seu negócio próprio deverá fazer uma poupança em longo prazo, a fim de economizar o valor necessário para o negócio escolhido e também reservar uma valor para a despesa mensal até a empresa entrar na fase dos lucros que permitam uma retirada mensal a título de pró-labore.

Pensando no Diretor, a sua vantagem financeira será apenas aparente e ela só se transformará em vantagem real se ele for muito austero com os gastos na fase das vacas magras.

A idéia do negócio próprio para o Diretor é mais real, pois, o que ele tem de recursos financeiros provenientes do acerto daria para abrir uma boa empresa e ainda manter uma reserva financeira para os gastos da família por pelo menos o primeiro ano de vida do negócio.

Se as possibilidades para o Diretor são maiores, desde a experiência gerencial até a vantagem financeira, conseguir descer do pedestal e abrir mão do status será o seu maior desafio.

Interessante observar que quando se tem a vantagem financeira e a condição básica gerencial falta à coragem para abrir mão do conforto e partir para a luta.

Quando a garra e a coragem são os principais atributos falta à experiência gerencial e os recursos financeiros.

Esse é o grande dilema dos profissionais demitidos quando passam a pensar no negócio próprio como uma alternativa real de geração de renda, qualquer que seja a posição que ele ocupasse, de operário a diretor, a falta que fará a estruturação de alternativas ao emprego será imensa, mas como a necessidade faz a hora, de alguma forma eles terão que tirar o atraso e se qualificarem, se a escolha for pelo empreendedorismo.

1 comentário 28 de Março de 2009 às 00:48 Sergio Oliveira

Olhando por dentro das oportunidades

As dificuldades pelas quais passam as empresas neste momento são uma prova de fogo e um verdadeiro teste de resistência.

Ocorre que, se investigado mais a fundo encontraremos empresas vitoriosas, que contrataram bastante nos últimos anos, em virtude do crescimento e necessitam realmente de ajustes em função da queda nas vendas.

Por outro lado encontraremos empresas que já vinham com problemas, principalmente financeiros e de mercado e que aproveitaram a crise atual para embalar esses problemas e não mais pagar fornecedores, empregados e demais parceiros, numa clara manobra de oportunismo, que se transforma ao final num pedido de recuperação judicial.

Tem inclusive empresas que já se utilizaram deste recurso no passado e agora, novamente, recorrem à alternativa da recuperação judicial como último suspiro, bsta ver os relatos nos jornais diários.

Diria que, algumas empresas são uma grande aventura, onde os gestores se aproveitam de bons momentos do mercado como o que acabamos de assistir e criam negócios com bases frágeis, estruturas artificiais e que acabam ruindo quando as condições do mercado se tornam mais áridas e exigem mais dos modelos de negócios implantados e de um correto gerenciamento.

Seremos espectadores, neste ano de 2009, de uma quantidade acima do normal de aquisições de empresas em dificuldades por concorrentes em melhores condições e também da saída do mercado de competidores que não estavam preparados para o jogo real que teremos pela frente.

Isso representará uma perda para os que saem, mas deixará um sem número de oportunidades para aqueles que estiverem atentos, isto significa:

- Pode ser a sua chance!!!

1 comentário 5 de Março de 2009 às 01:40 Sergio Oliveira

Os riscos do excesso de confiança

Ninguém espera ser demitido, mas todos sabem da possibilidade e deveriam considerá-la desde o segundo dia de trabalho, ocorre que os anos passam, o empregado cresce junto com a empresa, torna-se confiante, e quer acreditar que ele está garantido e que se houverem demissões, aqueles empregados que se empenharam menos irão antes dele.

Isso é uma verdade parcial, pois, dependendo do tamanho da redução de pessoal necessária, a lista alcançará um número maior de pessoas e muitas vezes deixará de lado os critérios técnicos e passará a ser guiada pela necessidade da enxugar os custos da folha de pagamento, é neste momento que a foice se volta para os empregados mais antigos e mais qualificados, é o que chamo de “cortar na carne”, demite-se pessoas essenciais para a empresa pelo simples fato de não conseguir pagar seus salários e mantêm-se os novos que pesam menos.

Os empregados que ficam são tomados pelo pavor e medo de serem os próximos e para os que saíram fica a dura tarefa de procurar um emprego e tentar garantir uma renda de valor próximo da que acabaram de perder.

Situação nada desejável, mas que já é realidade de pelo menos um milhão de trabalhadores que perderam seus empregos desde outubro do ano passado.

A grande maioria não preparou um plano alternativo e agora, caso não encontrem um emprego passarão a pensar no negócio próprio como uma possibilidade de geração de renda.

Eles estão errados?

Diria que não, mas alguns cuidados precisam ser tomados.

Volto ao assunto nos próximos posts.

Adicionar comentário 1 de Março de 2009 às 01:15 Sergio Oliveira


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