Arquivo de Fevereiro de 2009
” Tirem as 20 melhores pessoas da Microsoft e ela será uma companhia insignificante.”
A medida do valor de um talento muda de empresa para empresa e da sua contribuição para o crescimento da empresa em todos os sentidos, seja na elaboração de estratégias ou na geração de resultados os talentos são peças chave para o sucesso.
A frase acima foi cunhada por ninguem menos do que Bill Gates, fundador da Microsoft, e está estampada no livro ” O jeito Microsoft”.
18 de Fevereiro de 2009 às 00:17
Sergio Oliveira
Olhamos para fora, olhamos para dentro, e agora o que fazer?
Segundo Martin Wolf, colunista do jornal britânico Financial Times, considerado por muitos como o mais influente jornalista financeiro do mundo, em entrevista a Revista Época Negócios, de fevereiro de 2009, a opção que nos resta é construir uma economia global mais equilibrada, com os países desenvolvidos se unindo aos países emergentes para reequilibrar as finanças internacionais ou o sistema se desintegrará.
Na conclusão da sua entrevista afirmou: “ Vivemos a maior crise das últimas sete décadas, e tudo deve ser feito para evitar que a inescapável recessão se transforme em algo pior. Mas é impossível eliminar a hipótese de crises, já que nem os mercados nem os governos podem ser perfeitos.”
Somando a sopa de letrinhas, a proposta é:
- Ao final de todo esse processo teremos uma nova ordem mundial, que será consolidada com o redesenho do sistema financeiro mundial, mais responsável, mais regulamentado e as empresas já ajustadas em porte e volume de produção para as novas demandas dos consumidores, bem mais modestas.
As pessoas tenderão a repensar o consumo desenfreado e se preocuparem mais com ter reservas financeiras, é a era da frugalidade, comprar somente o necessário, viver com o mínimo.
Isso é a redenção, será que vamos conseguir?
17 de Fevereiro de 2009 às 06:32
Sergio Oliveira
O estouro da bolha imobiliária dos Estados Unidos em 2007/2008, seguida da quebradeira generalizada dos bancos mundo afora expôs um lado oculto da gestão financeira mundial que somente os envolvidos na arquitetura financeira diabólica conheciam.
A falta de regulamentação e fiscalização nas operações bancárias nos Estados Unidos e na Europa permitiu que a criatividade aflorasse, e ao invés de melhorar o sistema para fortalecer as instituições eles partiram para uma gestão da autodestruição.
A crise financeira antecede a crise econômica, e o que ocorre neste momento é que a crise econômica já se instalou sem que a crise financeira tenha sido controlada.
O tamanho real do problema ninguém afirma com segurança, mas segundo reportagem divulgada dia 15/02/09, no jornal Estadão, que entrevistou vários analistas e economistas americanos e europeus, o circo montado se assemelha a uma fábrica em série de títulos podres, vinculados a hipotecas duvidosas que somam US$ 10,8 trilhões.
Outros US$ 12,37 trilhões estão alocados em empréstimos sem garantias como cartões de crédito e financiamentos de veículos.
Tanto os Estados Unidos quanto os 27 países que compõe o bloco da União Européia já se encontram oficialmente em recessão.
Com o agravamento da crise e a chegada da recessão o que era crédito bom passa a ser ruim em função do aumento da inadimplência, quanto maior a recessão, maior a inadimplência e assim não se consegue chegar ao fundo do poço, todo dia ele muda para o andar de baixo.
Uma coisa puxa a outra, a crise leva as empresas a demitir, o desemprego leva ao atraso nas prestações dos empréstimos, que por sua vez deteriora mais ainda as carteiras do bancos, o que aumenta a necessidade de novos socorros do governo, é uma ciranda sem fim.
Segundo a reportagem do Estadão, o governo americano já colocou nos bancos algo em torno de US$ 1,9 trilhão e pelo andar da carruagem poderá ter que aportar ainda entre US$ 2,0 trilhões e US$ 4,0 trilhões.
Valores astronômicos e que segundo o prêmio Nobel de economia, Paul Krugman, em recente entrevista ao jornal Valor Econômico, em jan/09, entende ser inviável em função do grande deficit que os Estados Unidos já apresenta. Na opinião de Krugmnan ele não acredita que os EUA teriam condições de gastar valores de US$ 3 tilhões em pacotes apenas para salvar bancos insolventes. Seria uma manobra muito arriscada.
Apenas 20 dias depois da entrevista, recalculando os numeros chegamos a conclusão que os gastos em socorros projetam superar bastante a cifra de US$ 3 trilhões, se não podia, já foi, agora é ver se pelo menos acalma o mercado.
O protecionismo dos mercados já é fato entre os países que, no desespero para assegurarem os empregos dentro das suas fronteiras, vinculam de forma velada as ajudas financeiras a ações de proteção, mesmo que digam o contrário.
Com isso o fluxo de capital que girava ao redor do globo tende a secar lentamente à medida que a crise se agravar.
Isso impactará também nas exportações, pois estão interligados. O Japão, que vive essencialmente de exportações, já havia perdido em dezembro passado 35% das suas vendas para exterior. Na China a queda foi de 17,5% em janeiro deste ano. No Brasil, considerando janeiro e a metade de fevereiro, comparado com o mesmo periodo do ano passado a queda foi de 22%. No caso do Brasil as exportações representam uma pequena parcela do nosso PIB, o que amortece o impacto da retração.
Por outro lado, as empresas que tem forte depêndencia do comércio exterior sofrem o impacto direto da redução das vendas para fora.
Outro ponto relevante a ser administrado é a fragilidade das empresas que estavam muito endividadas ou que super dimensionaram suas estruturas produtivas a custa de financiamentos acreditando que o crescimento mundial não teria fim.
Sendo fato que o as vendas irão declinar, as indústrias passam a ter capacidade ociosa, o que suspende novos investimentos em estrutura e isso freia a economia como um todo, gerando um processo de enfraquecimento das empresas e prejudicando a saúde financeira delas limitando as disponibilidades para cumprirem seus compromissos.
Com queda nas vendas e restrição no crédito para a renovação das operações de capital de giro a conta que irrigava o fluxo de caixa não fechou e o nome disso foi prejuízo líquido, o que não pode ser suportado por muito tempo, as General Motors da vida que o digam.
Neste novo cenário, cada dia mais sem previsões, essas empresas terão que se ajustar, reduzir de tamanho e se prepararem para o ciclo de recuperação da economia que cada dia dá sinais de que será mais longo do que gostaríamos.
Segundo os analistas, a recessão é inevitável nas principais economias do globo, salvando-se apenas uns poucos Países, puxados pela China, Índia e Brasil.
Portanto meus caros somem as informações e chegamos à conclusão que a encrenca é muito maior do que vimos até agora e o cenário dá sinais claros de que o pior ainda está por vir.
16 de Fevereiro de 2009 às 23:28
Sergio Oliveira
Aqui no Brasil as projeções de crescimento para o PIB para 2009 já giram na casa de 1% ao ano, que, diga-se de passagem, é melhor do que recessão.
O governo se esforça com o PAC e aumenta a oferta de crédito principalmente através dos bancos públicos, liderados pelo BNDES, pode ser uma saída, mas, dependerá muito do tamanho do estrago lá fora.
A nossa situação realmente é um pouco diferente, inclusive neste final de semana, quem leu os jornais, se deparou com várias entrevistas com economistas que apresentaram sinais positivos de retomada da nossa economia, seja através da recuperação da venda de veículos, seja no aumento do consumo de bens não duráveis.
Interessante observar que parte das receitas que estão sendo sugeridas para resolver os problemas mundo afora, já eram realidade no Brasil:
1) Ter bancos públicos que possam agir como agentes de governo, sempre que necessário, irrigando o mercado com emprestimos a juros aceitáveis. ( No varejo o BB fez 200 anos, a Caixa 148 anos, além do BNDES que atua no investimento, se fossem um só estaria entre os dez maiores do mundo)
2) Gastar tudo o que ganha, não poupar, isso ajudará a recuperar a economia mais rápida. (Somos mestres em gastar, nossa poupança interna é uma das mais baixas do mundo)
3) Bancos saneados (Nosso Proer, implantado na gestão FHC é um dos raros modelos de sucesso a ser copiado por todo o mundo)
4) Regulamentação do sistema financeiro (já em perfeito funcionamento, com bastante rigor)
- Vantagem inconteste:
5) Mercado interno forte (O Brasil está entre os dez maiores mercados consumidores do mundo)
- Variáveis incontroláveis:
6) Retomada do preço das comoditties. (aço, soja, carne, petróleo….)
7) A manutenção das exportações, como forma de sustentar o crescimento das nossas empresas.
8) O fluxo de investimento através de capital externo, já que não temos poupança interna representativa dependemos de dinheiro de fora para executar as obras de infra-estrutura e para as empresas multinacionais se financiarem.
15 de Fevereiro de 2009 às 07:34
Sergio Oliveira
Se algum dia for escrever algo
começe pelos rascunhos, eles libertam o pensamento,
Livres da forma, vida a todo o momento
Escrever sem compromisso é como vagar pela cidade
Quando menos se espera, uma novidade
Quando a mente estiver carregada, nada melhor do que pegar a estrada…
Colocar as idéias em ordem e fazer o seu rascunho digital
Quando colocar no papel, se for apenas um guardanapo, não faz mal…
Se resolver passar a limpo, seja sempre original!
13 de Fevereiro de 2009 às 23:18
Sergio Oliveira
Após a crise de 1929, enquanto muitos lamentavam, o pai de Warren Buffet (o bilionário n.1 do mundo atualmente), após perder o emprego, abriu uma corretora de ações, com dois outros amigos e foi de porta em porta oferecer investimentos em títulos e ações para aqueles raros investidores que salvaram parte do patrimônio.
Sua corretora cresceu, prosperou e ele se tornou uma pessoa influente na sua cidade Omaha, estado de Nebraska, nos Estados Unidos.
Considerando a crise econômica mundial atual e seus reflexos no Brasil, podemos afirmar que o setor automobilístico e toda a sua cadeia produtiva foi um dos mais afetados com a retração das vendas e a escassez de financiamentos bancários.
Interessante que há poucos dias conheci um empreendedor que fornece um tipo de componente para veículos, tendo como clientes principais duas montadoras.
Uma delas tinha 2500 fornecedores cadastrados, resolveu cortar 1000 e ficar com 1500, os que foram mantidos assumiram o total dos pedidos.
Qual a lógica?
Excluíram os fornecedores que, por algum motivo não apresentavam as melhores condições, sejam técnicas, financeiras ou não realizaram os investimentos em modernização recomendados.
Dentre os que ficaram um seleto grupo recebeu a proposta de celebração de um contrato de garantia de compra por um prazo de 36 meses, com o compromisso de que novos investimentos fossem realizados, para garantir ganhos de eficiência e produtividade.
Para esse empreendedor, em especial, a proposta recebida da montadora significa ter que aumentar a sua produção em 70% até dezembro de 2010, com escala crescente até 2011, prazo final do contrato.
Realmente não sei se é sorte ou competência, mas o que vejo é que, por maior que seja o problema de alguns, outros encontram os caminhos para sobreviver e prosperar.
Como chegar a este estágio?
No caso da corretora de ações fundada no auge da crise de 1929 e que deu certo o sucesso pode ter sido fruto de muita crença, dedicação e competência.
Já no caso da empresa atual que vende para as montadoras, acredito que no processo de escolha para decidir quais fornecedores permaneceriam e os que seriam prestigiados com pedidos maiores, certamente os critérios técnicos prevaleceram.
Sendo assim, investigar e entender como esses poucos fazem para sobreviver e triunfam pode ser um interessante dever de casa, em seguida, copiar e tentar ser melhor do que eles.
Essa é uma das formas através das quais o capitalismo se reinventa a cada ciclo de baixa quando se apressam em decretar a sua morte prematura.
Como disse hoje o comentarista Mauro Halfeld, na rádio CBN, :
“O sol nasce para todos, mas a sombra é para poucos”
12 de Fevereiro de 2009 às 22:15
Sergio Oliveira