Arquivo de Janeiro de 2009
Durante o primeiro semestre de 2008 quase que a totalidade dos analistas econômico-financeiros defendiam com fervor a tese de que o mundo realmente era plano, que não existiam mais fronteiras e que o PIB mundial cresceria a taxas entre 4 e 5% ao ano, indefinidamente.
A grande pergunta que não foi respondida de forma clara, naquele momento, era de onde vinha toda essa geração de riquezas e qual era o segredo de tamanha prosperidade mundial, uns diziam que era o fator China outros afirmavam que o mundo teria encontrado a fórmula para crescer e se transformar como antes nunca visto.
Hoje sabemos que o mundo não era tão plano assim e que o consumo desenfreado, baseado na crença de que alguns teriam atingido o estágio da fartura plena estava com o fim mais próximo do que imaginávamos.
Como ator principal neste filme, que migrou rapidamente do gênero de aventura para terror e pânico, o sistema financeiro mundial, capitaneado pelos bancos de investimento (livres, leves e soltos ate então), eram as grandes vedetes da economia globalizada, na realidade viviam do ofício de fabricar dinheiro, irrigando de forma farta, porém irreal as economias dos países nos quais atuavam.
Os mecanismos eram os mais criativos possíveis, seja fomentando o mercado empresarial através de contratos de derivativos exóticos, seja vendendo cotas de fundos de investimento lastreados em financiamentos habitacionais americanos, onde o imóvel objeto da garantia tinha seu valor superestimando e do tomador do crédito era exigido apenas que estivesse vivo para assinar o contrato, não precisava ter idoneidade cadastral, muito menos emprego, podendo até ser um imigrante ilegal.
Nada realmente importava além de efetivar mais um contrato e manter a roda da fortuna girando.
Para quem assistiu no passado o seriado “Ilha da Fantasia”, onde tudo era lindo e maravilhoso e não existiam problemas que tivessem o poder de estragar a festa, sabe exatamente do que estou falando, na realidade, foi criado um mundo irreal onde muitos sonhavam em viver e não perderam a oportunidade de comprar o ingresso quando a oportunidade bateu a sua porta.
Hoje conhecendo um pouco mais dos bastidores desta grande lambança mundial, que tem mais odor de chiqueiro de porco do que perfume francês como foi vendido, posso afirmar que realmente não teria como dar certo.
Tamanha era a desordem, descontrole e ousadia, que o golpe do administrador de fundos americano, o Sr. Bernard Madoff, entrará para a história financeira mundial. Ele conseguiu captar de investidores a cifra nada desprezível de U$ 50 bilhões de dólares, e como num passe de mágica evaporou com todo esse dinheiro.
Ficamos sabendo que ele nunca havia prestado contas aos investidores, isso mesmo, os bilionários que investiam com ele tinham vergonha de pedir extratos ou qualquer outro tipo de prestação de contas.
Diligencias e auditorias, nem pensar, Sr. Madoff estava acima de qualquer suspeita, ex-presidente da bolsa de empresas de tecnologia- Nasdaq e com amigos investidores ilustes como Steven Spielberg, o famoso cineasta, era um luxo investir nos fundos administrados por ele.
Bastou alguém precisar de dinheiro e pedir um resgate um pouco mais expressivo para que toda a farsa fosse desvendada.
O que assusta é que as cotas desse fundo (sem fundos) foi comercializada em 17 países, por bancos como Santander, Fortis, UBS, Cajá Madrid e Banco Espírito Santo e foram ofertados para os seus clientes afortunados como sendo uma opção de investimento rentável…
Sendo tamanha a confusão na economia mundial, como fica o Brasil nesta história?
Como as minhas análises são de um simples mortal, pelo pouco que entendi, penso assim:
1) Por mais que digam contrário, o mundo não irá acabar, continuarão a existir pessoas, consumo, comércio, indústria e prestação de serviços, mesmo que em escala nacional, considerando uma situação extrema.
2) Depois de toda bebedeira vem a ressaca, segundo os grandes líderes mundiais, reunidos em Davos na Suíça nesta semana, a crise mundial deverá durar pelo menos três anos (não acreditem muito, são os mesmos que falaram que a festa não tinha hora para acabar e que tinha vinho a vontade para todos)
3) O Brasil também esteve presente na festa, bebeu do vinho santo e também sofrerá com a ressaca, como bebemos menos a dor de cabeça será menor, mas existirá.
4) Não acredite em salvação divina, faça a sua parte, o seu dever de casa, por maior que seja a boa vontade do governo o cobertor é curto e pode não alcançar a sua empresa.
5) Para os que sucumbirem ficará a experiência, aos que sobreviverem terão a chance de consolidar o seu negócio a partir de novas premissas e perspectivas, já ajustadas para um cenário de recomeço.
Como quisemos acreditar, na bolha da internet em 1999, que o mundo a partir de então seria virtual, o que não aconteceu, na crise atual acreditamos numa nova proposta, um novo mundo econômico plano e pleno, o que também não se confirmou.
Voltemos então para as nossas tribos com a promessa de recomeçar, de não mais acreditar nestes causos e fazer o que sempre fizemos bem, trabalhar para solidificar e modernizar as nossas empresas cada dia mais, sem fórmulas mágicas.
29 de Janeiro de 2009 às 06:45
Sergio Oliveira
Sempre acreditei que toda empresa deveria ter um modelo de gestão definido, declarado, e implantado, se possível registrado em cartório e listado no contrato social, para que todos soubessem quais são os ventos que norteiam tal organização.
Diversas empresas nascem e morrem ser ter conhecido de forma clara qual foi o modelo de gestão adotado na sua condução.
Isso é grave, pois, ao ser fechada a empresa leva consigo os empregos que ela gerava, deixando trabalhadores desempregados e também representa destruição de valor, sejam recursos financeiros, intelectuais ou tempo dos sócios que investiram no negócio.
Como não existe cemitério para empresas mortas, sequer conseguimos preservar a sua memória, para que sirva de consulta para futuros empreendedores, com o objetivo de que aprendam com os erros dos outros e iniciem seus negócios um pouco mais conscientes do que não deve ser feito e o que pode ser melhorado.
No mundo empresarial todos preferem cremar e ocultar seus erros.
Se no planejamento estratégico tradicional construímos visão, missão e valores, seguidos da definição de metas e plano de ação eu acrescentaria aí um detalhamento explicito do modelo de gestão a ser adotado, definindo as regras claras e criando um ritual a ser seguido para que aquilo que foi definido seja seguido à risca pelos gestores.
É como se fosse um dogma, um mantra, uma identidade que diferenciará a empresa dos seus concorrentes, deverá servir para explicar e entender os erros e os acertos na condução do negócio.
A ausência de um modelo de gestão claro cria um vácuo na empresa, onde habitam todos os tipos de criaturas indesejáveis, desde os acomodados até aqueles que jogam contra o sucesso do negócio.
As decisões corporativas são opção entre o sim e o não, entre o fazer agora ou esperar um pouco mais e num extremo até crescer ou ficar parado no tempo.
Toda decisão corporativa deve estar alinhada com os objetivos traçados para a empresa e deles só podem se afastar se a causa for relevante, a ponto de tornar necessário, se for o caso, a revisão e a adequação dos objetivos traçados.
De nada adianta ter um planejamento estratégico e um plano de ação se não estiver muito claro para toda a equipe como as metas serão cumpridas e como será medido e reconhecido o desempenho individual e do grupo pelas conquistas.
O modelo de gestão tem o papel de integrar o conjunto de informações geradas no ambiente interno e externo da empresa, unificar tudo isso e transformar num mapa através do qual a empresa se norteará para chegar aos seus objetivos.
Quanto maior for a qualidade da integração das informações, mais assertiva a disseminação dos “por quês” se adotar tal modelo de gestão, maiores serão os acertos na condução do negócio.
Ocorre que o modelo de gestão é uma ferramenta e ele é executado a partir de premissas, diretrizes, objetivo e metas e se este conjunto de informações estiver dissociado é como usar um mapa com excelente qualidade gráfica, só que indicando o local errado a ser alcançado.
Toda empresa pode e deve ter um modelo de gestão implantado, por mais simples que seja, ele deve existir, seja um orientador como um moderno GPS ou mesmo uma milenar bússola, é melhor do que se guiar pelas estrelas.
23 de Janeiro de 2009 às 07:05
Sergio Oliveira
O atual momento econômico onde a crise de liquidez associada à redução das vendas castiga, sem piedade, desde as pequenas até as grandes corporações, trás no seu bojo uma grande oportunidade para aquisição de empresas que encontram dificuldades para manter o seu negócio em pleno funcionamento.
Vários fatores têm levado empresários a analisarem a possibilidade de venderem suas empresas, hipótese que antes nem era considerada.
A restrição ao crédito de uma forma geral, aliada ao alto grau de alavancagem de algumas empresas formou uma química explosiva que foi potencializada pelo vencimento de compromissos junto a fornecedores, impostos e a necessidade de honrar a folha de pagamento mensalmente, uma pressão descomunal sobre o caixa dos negócios que financiavam as suas atividades e projetos de crescimento com recursos de terceiros e concentrados no curto prazo.
Uma estratégia financeira que nada tinha de errado, aliás, era a mais usual dentre as empresas de pequeno e médio porte, o que ninguém contava era que o cenário sofreria uma mudança tão drástica e de forma tão rápida, a ponto de não permitir a transição para uma posição financeira mais confortável.
Fato é que o problema está instalado e a busca de alternativa é urgente e necessária. Cada empresa se socorre da forma que pode, seja buscando novas fontes de financiamento com prazos mais longos, seja liquidando ativos ou implantando um rigoroso programa de corte nos custos.
Ocorre nem todas as empresas possuem ativos para serem vendidos ou já esgotaram essas possibilidades, o aperto ainda persiste e seus sócios já vêem na venda no negócio uma alternativa para recuperarem parte do dinheiro investido.
Ideal que não estivesse ocorrendo tal situação, mas já que se trata de uma realidade, é importante relatar, as oportunidades de compra de empresas nunca estiveram tão favoráveis, tanto para aqueles que pretendem ampliar seus negócios via aquisições de concorrentes, quanto para quem se prepara para abrir um negócio próprio e poderá garimpar uma boa oportunidade de compra e já iniciar alguns passos à frente.
Importante observar que por estar com um preço de compra interessante não significa que todos os negócios serão lucrativos quando forem assumidos pelo novo empreendedor, investigue ao máximo o modelo do negócio e sua viabilidade, busque auxílio de contadores e advogados e muito cuidado para não comprar gato por lebre.
No mais, boas compras!
8 de Janeiro de 2009 às 22:11
Sergio Oliveira

Retornando de férias resolvi fazer o que a muito tempo não fazia, navegar pelo Blog do Empreendedor de forma descompromissada e reler parte dos textos escritos.
Foram 142 artigos publicados em 26 meses, sobre assuntos diversos, alguns clássicos outros bem atuais, mas sempre voltados para situações que fazem parte do cotidiano do empreendedor, a maioria deles sem prazo de validade, o que torna o blog mais útil do ponto de vista de conteúdo.
O Blog atingiu nesta semana a marca de 160.000 acessos, desde a sua fundação, registrando picos superiores a 1000 acessos por dia nos finais de semana.
Foram 303 comentários das mais diversas naturezas, alguns consegui responder outros não, mas foram contribuições valiosas dos nossos leitores que interagiram através do blog e se identificaram de alguma forma com os artigos ou se sentiram provocados por eles.
Se os elogios são bem vindos, as críticas sinceras também.
Confesso que as vezes falta inspiração e tempo para redigir, alguns artigos dormi com eles por várias semanas até que o raciocínio fosse fechado da melhor maneira.
Ser simples, orientar sem influenciar e relatar casos sem realizar julgamentos foram alguns dos objetivos que nortearam o blog até aqui, os quais serão mantidos.
Para 2009 algumas novidades, um novo projeto gráfico do blog, podcasting quinzenal e temas ainda não abordados.
A meta será publicar pelo menos um artigo por semana, já o podcasting abordará acontecimentos importantes e que valem a pena serem ressaltados, como a divulgação de pesquisas e estudos voltados para o empreendedorismo.
Enfim, desejo a você nosso leitor um ano de 2009 repleto de bons negócios e muita energia.
7 de Janeiro de 2009 às 02:03
Sergio Oliveira