Arquivo de Novembro de 2008

De volta as origens, práticas básicas de gestão empreendedora

Tubar  o empreendedor - Tubar  o empreendedor

Nestes tempos malucos onde empresas centenárias, admiradas, idolatradas quebram como se fossem um frágil junco alguns empreendedores param e se perguntam:

a) Se quero realmente fazer certo na gestão do meu negócio, por onde devo começar?

b) Qual caminho devo seguir?

Se fosse escrever um livro hoje adotaria o seguinte título:

“DE VOLTA AS ORIGENS – PRÁTICAS BÁSICAS DE GESTÃO EMPREENDEDORA”

Seria uma tentativa de afirmar o óbvio, mas creio que valeria a pena.

Quando tudo está tão confuso, como parece estar, precisamos parar e recomeçar, e nada melhor do que se concentrar no básico e garantir a sobrevivência da empresa.

Avalie com está o seu conhecimento com relação a conceitos elementares e ferramentas de gestão, coisas simples que tem um efeito prático imediato:

a) Na gestão financeira é preciso dominar fluxo de caixa, ciclo operacional, ciclo financeiro, apuração de custos, formação de preço de venda, ponto de equilíbrio e margem de lucro

b) Na Gestão estratégica avalie pontos fortes, pontos fracos, oportunidades e ameaças. Em seguida revise o seu planejamento estratégico deixando bem claro o posicionamento da empresa com relação ao mercado de atuação. Uma boa prática aqui é partir para um plano de ação definindo o que fazer, quem fará, como fará e quando será feito. Estabeleça metas, avalie mensalmente se os resultados foram alcançados. Repita o procedimento mês a mês.

c) Na Gestão tributária é preciso ter um bom contador, o que não dispensa o empreendedor de conhecer os regimes de tributação para saber o que melhor enquadra para sua empresa. Liste os tributos que sua empresa paga regularmente, alíquotas, periodicidade, se tem algum tipo de compensação, defina qual o melhor planejamento tributário que se encaixa a atividade desenvolvida no seu negócio.

d) Na Gestão de Pessoas conheça o custo real da sua folha de pagamento, considerando salários, encargos (FGTS, INSS), 13º salário, férias, licença médica, licença maternidade, ações/indenizações trabalhistas, transporte, alimentação. Saiba como contratar e demitir de acordo com a lei, isso minimiza impactos futuros, como por exemplo, indenizações por dano moral.

e) Na Gestão de Riscos mantenha em dia o seguro da empresa, dos sócios e dos empregados, identifique tudo o que pode dar errado e expor a empresa, cuide para que esses fatores sejam minimizados ou controlados.

Teria outros aspectos para relatar, mas até aqui está bom, se o empreendedor tiver domínio desses e outros pontos considerados básicos, com certeza ele estará mais bem preparado para atravessar períodos de turbulência e colocar sua empresa na rota de crescimento.

2 comentários 21 de Novembro de 2008 às 22:23 Sergio Oliveira

Valor da Empresa - Vale quanto entrega

Gestor Espelho - Gestor Espelho
Uma situação emblemática que vivemos neste momento no Brasil é o fato de algumas empresas consideradas exemplos nos setores que atuam, cobiçadas por grandes grupos internacionais e que optaram por abrir capital através da bolsa de valores terem sofrido desvalorização, quando consideramos o preço de suas ações listadas em bolsa.

Elas prepararam as suas ofertas iniciais de ações, foram vitoriosas na maioria dos casos, conquistaram a confiança de centenas de investidores, um casamento perfeito, dinheiro barato e de longo prazo em troca de ações, mas o que aconteceu nos anos seguintes não foi tão espetacular assim, vejam:

A) Analisando o universo das empresas que abriram capital nos últimos quatro anos, através de oferta inicial de ações, segundo reportagem da revista Exame, edição 923, de 30/07/08, (portanto antes do pico da crise financeira mundial), cerca de 70% dessas empresas valiam, naquela data, menos do que no momento da abertura de capital.

Por que isso aconteceu?

Você encontrará várias explicações, principalmente por parte dos bancos que coordenaram a oferta e gestores das empresas, mas tenho a minha opinião pessoal:

- Para se chegar ao preço que a ação será ofertada na sua estréia, de uma forma bem simplista, é analisada a condição atual da empresa (estrutura de ativos e passivos) acrescida das oportunidades de crescimento, como se fosse realizada uma precificação da empresa para venda naquele momento.

- Os projetos futuros irão gerar um fluxo de caixa, que incorporado aos resultados já recorrentes permitirá uma rentabilidade tal, que justifica o valor proposto por ação para a oferta inicial.

- Só compra a ação quem acreditou nas propostas.

- Ocorre que tudo não passa de projeções e expectativas, que passam a incorporar o prospecto da oferta inicial registrado na CVM, se transformando num compromisso formal a ser cumprido pela empresa.

- Caso esses compromissos e expectativas de geração de resultados não se confirmem, os resultados reais serão inferiores, reduzindo assim o valor projetado para empresa naquele momento, o que, automaticamente, provocará uma desvalorização no preço ação.

- A conta é matemática, se o resultado compromissado não se confirmar, a empresa valerá menos do que foi avaliada e o preço da ação cairá, mas quem perde efetivamente são aqueles tem ações dessas empresas na sua carteira de investimentos.

- Vale lembrar que uma parte considerável do dinheiro arrecadado nestas ofertas iniciais foi para o bolso dos acionistas majoritários e sócios controladores, que se transformaram em novos milionários e bilionários, como foi amplamente propagado pela imprensa.

- Dinheiro em espécie que esses controladores podem fazer o que quiserem e que nada sofre com a queda das ações, o que acabou acontecendo nos anos seguintes à abertura de capital. Isso sem falar das polpudas comissões que os agentes que prepararam as empresas para a abertura de capital receberam a título de comissão pelos serviços prestados.

- Se todas as empresas que abriram o capital através de oferta inicial de ações tivessem sofrido com desvalorização das ações poderíamos dizer que estávamos vivenciando uma tragédia financeira e que o mercado de ações no Brasil não funcionaria nestes novos tempos, mas não foi isso que aconteceu.

- Como explicar que empresas como a GP Investimentos, dentre outras na data da publicação da reportagem (30/07/08) acumulavam rentabilidade superior a 100%?

Considerando as empresas que perderam valor ficam alguns questionamentos:

Quantas delas entregaram o que foi prometido em termos de resultados?

- Será que seus projetos futuros foram superestimados?

- Será que os prazos de retorno desses projetos foram encurtados para antecipar geração de fluxo de caixa e com isso ter uma ação no lançamento com um preço melhor?

- De quem é a responsabilidade pelo cumprimento das metas que foram estabelecidas?

- As metas de resultados eram irreais?

- Onde estão os gestores que prometeram e não entregaram?

- Além do acionista minoritário, quem mais perdeu dinheiro com isso?

Guardadas as proporções a regra da entrega de resultados vale tanto para as grandes como para as pequenas empresas, a diferença é que uma grande empresa com capital aberto e ações listadas em bolsa é obrigada a tornar público os seus resultados e assim os acionistas e analistas conseguem verificar se ela está conquistando resultados e crescendo, já na pequena empresa a ausência de controles e a dificuldade na apuração de resultados dificultam as conclusões.

É lógico que essa análise crítica só faz sentido balizando pelo comportamento das bolsas até o mês de julho de 2008, onde ainda estávamos numa condição de normalidade, o que veio depois, nem Freud explica…

Adicionar comentário 6 de Novembro de 2008 às 08:19 Sergio Oliveira


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