Arquivo de Outubro de 2008
Caros leitores acho que ficaremos loucos se tentarmos entender o que está acontecendo nos mercados financeiros mundo a fora, principalmente se a nossa difícil missão for tentar decifrar o comportamento do mercado de ações, que vive dias de euforia, crescendo 10% e no dia seguinte caindo 12%, quem entende?
- Garanto que eu não!
Não minha opinião, o que agrava o problema é que tem muita gente tentando interpretar e explicar, o que não conhecem por completo.
São os mesmos que semanas antes do agravamento da crise, no mês de agosto/setembro estavam numa acalorada discussão se a bolsa de valores de São Paulo iria fechar o ano com 80 mil pontos ou se seria mais perto de 85 mil.
Essa era discussão e naquele momento não vi ninguém falando que em outubro estaríamos apostando no dia que ela cairia abaixo de 30 mil pontos.
Hoje tudo indica que teremos mais um dia de cão no mercado financeiro, tudo graças a entrevistas de personalidades importantes que fariam um grande favor se ficasse de bico fechado, eles abrem a boca e os mercados despencam, qual o conteúdo da fala?
Geralmente o que já foi dito nos dias anteriores, portanto nenhum fato novo, o que muda é o repetidor da noticia.
A repetição das velhas notícias já é o bastante para as pessoas correrem e venderem suas ações, complicando mais ainda a situação.
Tenho uma proposta interessante para resolver a tal crise atual:
Vamos decretar um luto mundial de 30 dias, com algumas regras claras:
1) Todas as autoridades ficam proibidas de falar, principalmente o Lula. (nada de gripinha, marolinha, pergunte ao Bush…. chega de bravatas)
2) Fechar as bolsas de valores, mundo a fora, pelos mesmos 30 dias, com o índice do dia, reabrir após o luto.
3) As pessoas comuns entram em processo de reflexão e seguem para os seus trabalhos e suas empresas e fazem o que sabem de melhor: produzir.
4) Baixar um decreto celestial obrigando as televisões e jornais a procurar e divulgar só as boas notícias, as boas idéias que irão contribuir para a recuperação da economia mundial e a melhoria da vida das pessoas. (Acho que eles vão sofrer bastante….)
5) Libere geral ao final do 30º dia, de preferência num sábado, creio que as pessoas estarão mais serenas e poderemos ter um recomeço pós-diluvio.
O texto está chegando ao fim e me esqueci de dizer quem seria o defunto a ser velado, que na realidade seria um velório duplo:
- O Sr. Oportunismo e a Sra Irracionalidade, que já iriam tarde!
24 de Outubro de 2008 às 07:39
Sergio Oliveira

Respondo a mais um e-mail, agora solicitando a minha opinião sobre liderança e que traz consigo a pergunta clássica:
- Liderança é um dom que as pessoas nascem com ele ou pode ser aprendida durante a vida profissional?
Arrisco dizer que já li bastante sobre liderança, dediquei boas horas ao estudo e observação dos comportamentos de quem se propõe a ser um líder.
Hoje tenho uma opinião formada sobre o assunto e sinceramente acho que me cansei do tema, depois de tantas decepções com falsos lideres, pode ser por isso que pouco escrevo sobre liderança.
Mas vamos lá:
Liderança para mim é a habilidade mais simples de ser explicada, conceituada e praticada a qual resumo em poucas palavras:
- Liderança é a gestão pelo EXEMPLO!!!
Simples né?
Só isso?
Pois sim!!!
Fácil de falar, dificílimo de praticar.
Diria que conheci durante minha vida pouquíssimas pessoas que foram coerentes na liderança.
Algumas pessoas confundem (creio que propositadamente) a prática da liderança como sendo uma ferramenta gerencial para enganar as equipes. Essa é a triste realidade.
Liderança e ética são primas irmãs.
O cidadão pode até ser ético e não ter habilidades de liderança, mas nunca existirá um Líder verdadeiro que não seja ético.
Já presenciei diversas situações, onde o suposto líder, após conduzir uma reunião com seus empregados e apresentar um discurso estruturado e convincente, faz algum comentário ou adota uma prática que contradiz por completo o que acabará de propagar.
O grande desafio de um lider é repetir quando esta num ambiente privado, sem ser observado, os comportamentos que ele emula quando está em público.
Isso é a prática da liderança, isso é exemplo, o exercicio da dupla personalidade pode ser entedido como uma tentativa de manipulação de pessoas.
Liderança é ter coerência entre discurso e prática, ter a transparência como um pilar fundamental e ser ético em tempo integral.
Os líderes não são impostos, são reconhecidos pela equipe e na ausência de um lider formal legitimado eles se encarregam de eleger os seus verdadeiros líderes, mesmo que sejam informais.
21 de Outubro de 2008 às 07:47
Sergio Oliveira
Quando você está no meio de um grande problema, que parece impossível de ser resolvido, um primeiro passo a ser dado é tentar identificar o problema, de forma clara, isso já servirá de base para a busca de soluções.
O passo seguinte é saber se o tal problema foi criado dentro da sua empresa ou sua origem se deu no ambiente externo.
Se for criado no ambiente interno da empresa, a solução deverá ser caseira, meticulosamente elaborada para tratá-lo e eliminá-lo o mais rápido possível, pois, como foi dito, trata-se de um grande problema e isso pode expor a empresa a riscos.
Se for um problema que vem do ambiente externo, você não terá nenhum controle sobre ele, o máximo que conseguirá fazer é se preparar para não sofrer tanto os efeitos negativos que ele poderá causar a sua pequena empresa.
A sua ação é muito mais para neutralizar os impactos desse grande problema do que efetivamente para solucioná-lo, já que ele está fora do seu controle e gestão.
Gerenciamento de riscos, de uma forma bastante simples é listar tudo o que pode dar errado, em todas as áreas da sua empresa, eleger os mais relevantes e pensar em quais ações seriam executadas caso eles viessem a se tornar realidade.
De forma complementar, é importante a construção de pelo menos três cenários, um otimista, um de normalidade e um de catástrofe, vinculando a cada um deles os riscos relevantes selecionados e que tenham a possibilidade de ocorrer caso aquele cenário se confirme.
A construção da proteção contra os riscos deve ser elaborada pensando sempre no cenário mais pessimista, na maior exposição imaginável.
Se sua empresa estiver preparada para enfrentar o cenário mais pessimista estará teoricamente preparada para enfrentar as adversidades nos demais, onde os problemas seriam mais brandos.
O que é comum acontecer quando temos longos períodos de bonança é que as pessoas tendem a achar que investir tempo e dinheiro na preparação para enfrentar as adversidades é desperdício de recursos, quando na realidade isso se refere ao que a empresa tem de mais precioso a ser preservado, a sua sobrevivência.
É como achar que uma fábrica de papel por nunca ter pegado fogo fica desobrigada de contratar um seguro contra incêndio.
A crise econômica mundial atual deixa evidente a realidade, empresas centenárias, com faturamentos de bilhões de dólares não se prepararam para a crise que estava por vir e mais do que isso, realizaram operações financeiras de risco (apostas em derivativos) que nada tinham a ver com a sua atividade principal, aumentando mais ainda a sua exposição aos riscos e fragilizando sua capacidade de suportar crises.
O preço pelo descuido, para algumas, foi ter que vender parte ou toda a empresa pelo preço de liquidação, a 20, 30, 50% do valor real.
Fatos que ficarão marcados na história empresarial para sempre.
E nas nossas modestas pequenas empresas, o que fazer?
O fato de ser modesta não significa que tem que ser mal gerenciada.
Negligenciar o que acontece debaixo do seu nariz ou a sua volta é cometer os mesmos erros que essas grandes corporações cometeram.
Nos Estados Unidos o FED já admite a recessão, prevendo a recuperação da atividade econômica apenas em 2010.
Fatalmente teremos por aqui reflexos na nossa economia, o que pedirá de cada empresário bastante atenção e preparação.
Esteja pronto para tomar decisões rápidas, e de preferência as mais apropriadas para cada situação, isso poderá criar um ambiente favorável para sua empresa, o que permitirá que ela enfrente essa fase de turbulência sofrendo o mínimo possível.
O Produto Interno Bruto do Brasil crescerá este ano, segundo as previsões do Banco Central, algo em torno 5%, já para 2009 as provisões são da ordem de 4%. Isso é uma notícia extremamente importante é que traz segurança, significa que a crise por aqui será menos intensa e que podemos sair dela melhor do que entramos.
Se o crescimento será mantido, o fim do mundo ainda não será desta vez para o Brasil e as oportunidades estarão aí, bem a sua frente, mas antes precisam ser desvendadas e é fundamental que a sua empresa esteja em condições de identificar a aproveitar tais oportunidades.
Agilidade e Vitalidade são as palavras de ordem!
15 de Outubro de 2008 às 21:13
Sergio Oliveira
Olhe para a sua prateleira de produtos a venda e identifique se nela tem itens cujo o preço está atrelado a cotação do dólar, mesmo que parcialmente.
Se sim, dê uma avaliada no seu estoque e veja o quanto ainda tem para ser vendido.
Calcule o quanto o faturamento desses produtos representa do total das suas vendas mensais, se for bastante, se prepare para aumentar preços, isso será inevitável.
Ontem tivemos o dólar fechando o dia com a cotação em R$ 2,29. Era para ser maior, só não foi graças ao Banco Central que vendeu dólares para acalmar o mercado, já que em determinados momentos a cotação ultrapassou a barreira dos R$ 2,50.
Várias negociações de importação e exportação foram suspensas pelo fato de ninguém saber qual seria o valor do dólar para fechamento dos contratos, tamanha foi à oscilação.
Se considerarmos que o dólar em 1/08/08 era comercializado pelo valor de R$ 1,55 e ontem fechou o dia sendo vendido por R$ 2,29, faça as contas, a diferença de R$ 0,74 representa um aumento real no custo das mercadorias vendidas de 47,74%, se elas forem importadas e conseqüentemente seguirem a variação do dólar.
Dá pra subir 47% de um dia para outro? Impossível!
Algumas alternativas:
1) Se tem estoques, e já estão pagos, absorva parte destes ganhos, aumente um pouco os preços, coloque dinheiro em caixa, e passe a cotar diariamente seus fornecedores, faça compras menores, pois a tendência são as vendas diminuírem.
2) Se não tem estoques tente dividir o prejuízo com o seu fornecedor, pois, ele pode ter estoques comprados e pagos quando o dólar era R$ 1,55, com isso você repassa menos para os preços.
3) Se tiver que comprar e pagar com o valor do dólar do dia, e ele se mantiver neste patamar ou acima de R$ 2,29, calcule o seu preço de venda, veja se é possível uma redução de margem de lucro, se for possível faça.
4) Uma alternativa importante, mas que nem sempre é viável é a substituição por produtos que não tenham tanta dependência do dólar, mesmo que você fuja um pouco da sua proposta de negócios, se conseguir manter as vendas será válida como medida emergencial.
5) Esteja atento ao comportamento dos consumidores, se as vendas caírem muito, avalie a necessidade de realizar ajustes de estrutura como forma de reduzir despesas fixas.
6) Fique de olho no ponto de equilíbrio do seu negócio, se as vendas não atingirem o patamar mínimo necessário significa que naquele mês você terá prejuízo, isso sim é sinal de problemas pela frente.
Se você estiver preparado para gerenciar o seu negócio saberá o momento correto de tomar as decisões e isso fará toda a diferença perante os concorrentes.
O momento é de estar a postos e bastante bem informado!
9 de Outubro de 2008 às 08:02
Sergio Oliveira

Tenho acompanhado o desenrolar da crise financeira mundial, passo a passo, o assunto me interessa muito mais pelo fato histórico do que pela tragédia.
Ela já assumiu proporções magníficas e desde ontem já se admite a sua presença no Brasil.
A divulgação pelo Banco Central do Brasil de um plano para salvamento dos Bancos Brasileiros com dificuldades de captar dinheiro é a prova viva de que precisamos também estar preparados para enfrentá-la.
E na sua pequena empresa, quais são os efeitos imediatos?
Creio que o principal deles é para as pequenas empresas que financiam o seu capital de giro junto a bancos, principalmente desconto de cheques e duplicatas, assegure-se com o seu banco de que suas linhas de crédito serão mantidas, isso lhe dará tranquilidade para continuar vendendo com os prazos atuais.
Caso não tenha tanta certeza de que suas linhas de crédito serão mantidas, recomendo algumas ações:
1) Diminua os prazos de parcelamento de vendas em cheques e passe a praticar a venda parcelada nos cartões de crédito, as operadoras são mais estáveis e devem continuar garantindo o desconto da venda efetuada, como a taxa de antecipação do cartão é mais alta, tente negociá-la.
2) Evite comprar mercadorias para formar estoques, a partir do momento que estão dentro de sua empresa ou são capital próprio represado ou representa uma conta junto a fornecedores que precisará ser paga, aumentando a sua necessidade de capital.
3) A venda à vista é o melhor remédio, portanto, veja quais produtos você pode dar um desconto maior e deixe-os em evidência, isso fará uma bem danado para sua empresa, pois, colocará dinheiro em caixa, sem ter a necessidade de pagar juros ou depender de bancos.
4) Os fornecedores estão bastante assustados também, a tendência é de queda nas vendas, para todos, o que refletirá de imediato para o seu negócio e também para eles, portanto exercite duas práticas, se tiver que comprar a prazo negocie prazos maiores, se for à vista tente ampliar o desconto obtido, o momento é oportuno para negociar.
5) Suspenda investimentos que não sejam vitais, alguns projetos podem ser postergados se não estão ligados diretamente com a atividade da empresa. Tudo aquilo que consumir recursos financeiros e não colocar dinheiro no Caixa de imediato deve ser repensado.
Enfim, o momento pede cautela, observar atentamente o desenrolar dos fatos, sem no entanto entrar em pânico, se sua empresa tiver dinheiro em CAIXA, tudo ficará mais fácil, o aluguel, folha de pagamento, energia, água, fornecedores precisam ser pagos e não ter dinheiro para isso é um grande problema.
7 de Outubro de 2008 às 08:56
Sergio Oliveira