Arquivo de 1 de Junho de 2008

Grau de investimento e empreendedorismo

grau de investimento - grau de investimento

A forma como você observa tudo o que acontece a sua volta formará sua opinião, que influenciará as decisões que serão tomadas na condução do seu negócio e que, de alguma forma contribuirão para o sucesso ou o fracasso do seu empreendimento.

Estar atento as mudanças e realizar as leituras de cenário é ponto chave para um correto direcionamento da decisões. O momento atual pede isso, mais do que nunca.

Um fato extremamente relevante aconteceu na nossa economia nos últimos dias, o Brasil conquistou a nota “Grau de Investimento”, atribuída pelas agências internacionais de classificação de risco, que de forma simples, significa que o nosso país passa a ser considerado pelo mercado financeiro global uma nação capaz de honrar os seus compromissos e um local seguro para que os grandes investidores internacionais possam colocar os seus ativos sem o risco de sofrer um calote.

É lógico que isso não aconteceu por acaso, parte da lição de casa foi cumprida, como o controle da inflação, saneamento das contas públicas e fortalecimento da democracia.

Somos destaques no cenário mundial na produção de carne bovina, carne de frango, soja, minério de ferro, além do etanol e das recentes descobertas de reservas de petróleo na bacia de Santos, que projetam o Brasil como um dos grandes fornecedores de combustíveis da nova era.

A soma de todos esses fatores positivos concedeu ao Brasil uma credencial com a qual ele poderá construir a sua própria história nos próximos anos.

Quem serão os atores? NÓS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Algumas transformações importantes já estão presentes ou virão a partir desse reconhecimento do nosso país, em todos os aspectos:

- Os investimos externos em aplicações financeiras tendem a ser elevados. Considerando que apenas os fundos de pensão americanos e europeus, que só aplicam em países que tenham a nota de grau de investimento ou superior, administram recursos financeiros estimados em U$ 17 trilhões, dá para imaginar o que está por vir.

- Os investimentos diretos (atividades produtivas) em novas empresas e a ampliação das já existentes devem superar os U$ 50 bilhões em 2008. Somente as fabricantes de automóveis anunciaram, no mês de maio, investimentos superiores a U$ 5 milhões, para ampliação da capacidade produtiva nos próximos anos.

- A taxa de juros real da economia tende a se estabilizar no médio prazo, de dois a três anos, e sofrerá reduções que podem chegar a 50% da taxa atual. Isso aconteceu na Índia, por exemplo, após o grau de investimento.

- O valor total dos empréstimos contratados, para pessoa física e jurídica, atingiu na semana passada a marca de 36% do PIB, superando o valor de R$ 1 trilhão. Esse movimento será crescente, em direção aos percentuais praticados por economias desenvolvidas, que se situam na faixa de 90% do PIB. Esse dinheiro vai para empresas ampliarem a sua capacidade de produção e também é tomado por consumidores ávidos por gastar, que retroalimentam a cadeia da demanda por produtos e serviços.

- Quando o assunto é consumo, são 26 milhões de novos consumidores que emergiram das classes D e E e passaram a compor a nova classe C. Assistimos neste momento um novo movimento de parte da classe C em direção a classe B. Isso tem nome, é a tão sonhada mobilidade social que alavanca países em crescimento.

GARGALOS: Como nem tudo são flores, temos ainda grandes gargalos a serem corrigidos, como:

- melhoria do sistema educacional, saúde, segurança, estradas, portos, aeroportos e o risco de colapso no setor de energia que pode não suportar o crescimento previsto para os próximos anos. Tais problemas devem ser tratados com seriedade mas não apresentados como motivos para justificar que não conseguiremos superar essas barreiras.

FANTASMAS: O grande fantasma que assusta neste momento é a volta da inflação, que desta vez não é um fato isolado no Brasil, e que assombra as principais economias mundiais. Numa análise rápida, podemos dizer que lá fora foi impulsionada pela alta exagerada no preço dos alimentos e do petróleo, que já superou os U$ 130, o barril. Aqui tivemos um fato extra que foi o crescimento do consumo interno, possível a partir da estabilidade econômica, crescimento do emprego formal e aumento real da renda.

FORMULAS MÁGICAS:
A velha e discutível receita de aumento dos juros, todas as vezes que a economia dá sinais de recuperação, como forma de contê-la, agora está em cheque. Com o grau de investimento, tal prática provocará entrada acelerada de dólares em busca dos maiores juros reais pago no mundo, valorizando ainda mais o câmbio, que já compromete bastante a competitividade das nossas empresas exportadoras.

A opção é acreditar que as empresas brasileiras serão capazes de aumentar a produção para suprir a nossa demanda interna, a tempo de controlar a inflação.

Para isso o governo já se antecipou e lançou a nova política industrial, com redução de impostos para alguns setores e aumento nos prazos de financiamentos, como no caso do FINAME que teve seu prazo para pagamento ampliado de cinco para dez anos, além de outros incentivos. Sei que é insuficiente, mas é melhor do que nada.

A atenção agora se volta para a criação de ambiente favorável para a expansão dos negócios e o incentivo de novos projetos e inovação. O objetivo é dar essa importante passo agregando valor aos nossos produtos e serviços ao invés de nos consolidarmos como um importante exportador de comodities.

Abusos de preços podem e devem ser combatidos com importações, até que a nossa produção local seja ajustada. Segundo estudos divulgados pela revista Veja,de 28/05/08, pag. 53, o Brasil é um dos países mais fechados do mundo quando o assunto é a importação de bens e serviços, com relação ao PIB, apenas 9%, comparado com a Argentina 19%, México 32% e Chile 33%.

CONCLUSÃO:
Se para muitos éramos um pais desconhecido ou uma promessa de futuro que nunca se concretizaria, hoje somos destaque nos principais jornais do planeta como Wall street journal, The New York Times e Financial Times.

O mundo olha para o Brasil neste momento e o exercício do empreendedorismo se faz mais necessário do que nunca. As oportunidades estão a nossa frente e devem ser aproveitadas.

Os grandes investidores já chegaram e marcaram posições. Posso estar enganado, mais um movimento que está por vir é a chegada de empreendedores de médio porte, primeiro vindos de países com língua portuguesa e espanhola e em seguida de todas as partes do mundo.

Como um país hospitaleiro que é o Brasil, ele acolherá bem esses empreendedores e vale lembrar que a melhor forma de atuarem por aqui é buscando parcerias com empresas locais. Falo de negócios de médio porte com faturamento anual entre R$ 5 e R$ 60 milhões/ano, com forte base tecnológica e profundos conhecedores do nosso mercado. Negócios ainda desprezados pelos grandes investidores internacionais, mas com grande atratividade para investidores de porte médio que queiram participar deste momento único do nosso país.

A pergunta do dia é:

- Sua empresa está preparada para receber uma proposta de investimento? Se não,

Pare!

Prepare-se!

e Dispare!

Na direção de um novo tempo e das novas oportunidades. Esta é a nova ordem no Brasil!!!!!!

Adicionar comentário 1 de Junho de 2008 às 18:54 Sergio Oliveira