Arquivo de Junho de 2008

O Empreendedor do Futuro

futuro - futuro

Olho para a frente e tento imaginar como será o empreendedor do futuro. Vejo um profissional com bom domínio dos conceitos básicos de gestão e em condições de conduzir o seu negócio.

Alguns sinais me levam a pensar assim, os quais compartilho:

A) A pesquisa realizada em 2007, pelo Sebrae, com o título “Fatores Condicionantes e Taxa de Sobrevivência e Mortalidade das Micro e Pequenas Empresas no Brasil 2003-2005”, identificou que o percentual de sobrevivência, de pelo menos dois anos, saltou de 51% em 2002, para 78% em 2005, por uma série de fatores, dentre eles uma melhor qualificação e capacitação do empreendedor. Esse comportamento é crescente e tende a se consolidar, graças ao apoio de entidades como SEBRAE, FEDERAÇÕES ESTADUAIS (FIESP, FIERJ…), ASSOCIAÇÕES COMERCIAIS…

B) As universidades já tratam o tema empreendedorismo como uma matéria essencial na preparação de administradores, contadores, economistas, engenheiros e advogados. Cursos de graduação em empreendedorismo, autorizados e reconhecidos pelo MEC já são 17, fora os demais que estão em processo de reconhecimento e centenas de pós-graduação. Essa popularização explica por que estamos migrando de empreendedores por necessidade para empreendedores por oportunidade. (ver pesquisa GEM 2007)

C) O desenvolvimento de planos de negócios é um exercício praticado por jovens conectados, que já perceberam que o emprego estará cada dia mais escasso. (2800 candidatos por vaga foi a média de inscritos para as vagas de trainee mais cobiças, ofertadas por multinacionais de 1ª linha neste ano, no Brasil.)

Mas, se o futuro será realmente com empreendedores mais capacitados, em qual arena será travado o duelo da competição empresarial, na busca por maiores fatias de mercado e clientes?

Em minha opinião, a vitória dependerá da habilidade em realizar as conexões corretas entre as diversas informações e comportamentos que estão em processo de formação/consolidação e que serão os vetores da nova era empresarial.

Num rápido exercício e sem a pretensão de esgotar o assunto, aponto cinco tendências para essa nova era:

1) A capacidade do empreendedor de estabelecer parcerias com colaboradores, fornecedores e clientes. Por incrível que pareça percebo as pessoas voltando a valorizar a confiança, a ética e o respeito nas relações comerciais e pessoais. Cumprir o combinado, sistematicamente, terá mais valor que um contrato assinado.

2) Os pequenos negócios se agruparão em forma de caravana, (para se fortalecer) onde a cada parada ela se reabastece, equipa, dispensa, contrata e segue viagem num formato adaptado às necessidades do novo trecho que será percorrido. Essa parada será adequada a cada grupo de empresas, seja por semana, mês, semestre, ano…, cada grupo de afinidade praticará um intervalo de tempo específico.

3) Cada dia que passa nós entramos mais na era das rupturas, reais, planejadas e também das forçadas (fictícias). Saber diferenciá-las será decisivo. Novas tecnologias, novas experiências, exercerão uma pressão muito grande nas decisões. Transitar no “novo” mundo exigirá muita cautela e precisão. As mudanças necessárias ao negócio do seu vizinho podem não se aplicar ao seu. Estar preparado para fugir das verdades absolutas e dizer não a algumas propostas será vital.

4) O nível de tolerância com empresas que poluem, devastam, contamina o solo, descartam resíduos não tratados, contratam trabalhadores informais, utilizam mão de obra infantil e que não garantam seus produtos e serviços, será próximo de zero.

5) Transformar a realidade a sua volta, para melhor, será o grande desafio de uma empresa. Assim que ela deverá ser percebida: Responsável, simples e útil para a construção de um futuro melhor, em todos os sentidos.

Qual o prazo que o empreendedor tem para se adequar?

- Depende, o futuro pode ser a partir de amanhã para alguns e daqui a dez anos para outros.

O que realmente importa é que seja dado o primeiro passo na direção de aproveitar cada ação diária para construir uma identidade, uma estratégia de sucesso, é que esta possa se converter no grande diferencial da sua empresa para os clientes.

Adicionar comentário 20 de Junho de 2008 às 00:44 Sergio Oliveira

Um mundo de faz de conta

corpo - corpo
É incrível como o mundo corporativo real se transforma em reino da fantasia com extrema facilidade e as pessoas passam a assumir personagens e a interpretar papéis.

O roteiro geralmente é escrito pelo empresário, o cenário é o ambiente da empresa, os atores principais vão dos sócios até os principais executivos.

Alguns empregados atuam como atores coadjuvantes e a grande maioria são apenas figurantes. Estão de corpo presente, mas a alma está distante. Aliás, a alma sequer foi convidada para assistir os ensaios.

O espaço para brilhar não é franqueado a todos, comporte-se, figurante é figurante, ator principal é quem fica em evidência, nada de coadjuvante tentar roubar a cena.

Nas empresas de sucesso o empreendedor de fibra dispensa o dublê e assume de fato o seu papel, salta do carro em movimento, entra na frente da bala e dá a vida para salvar seu empreendimento. Isso é empolgante e todos vibram juntos, se sentem parte da construção de um filme com longas batalhas, que são vencidas uma a uma e quando percebem estão arriscando a sua vida também em cada cena filmada.

Assim são construídas as histórias que são coroadas com as grandes vitórias.

Quando me perguntam qual é a formula do sucesso sempre digo:

- “A fórmula de sucesso está sempre por ser construída, cada empresa tem a sua própria e terá que ser manipulada, o que você precisa é estar disposto a aprender como juntar os ingredientes que darão vida ao elixir da prosperidade.”

Adicionar comentário 9 de Junho de 2008 às 21:05 Sergio Oliveira

Eu faria diferente, e você?

equilibrista - equilibrista

Por que alguns gestores parecem perder a razão em determinados momentos e conduzem suas empresas guiados por uma fé cega, em direção ao abismo?

Todas as vezes que presencio tais situações, o primeiro pensamento que me vem à mente é: “Alguém vai se machucar!”.

A princípio, são sempre os mesmos, os empregados. Na busca dos culpados pelos erros o dedo sempre aponta para baixo. Demite-se alguns e depois de perceber que os problemas não foram solucionados, partem a procura de outras vítimas. Raras foram às vezes que vi o comandante maior assumir, de primeira mão, que ele faz parte do problema.

A legitimidade no comando é testada a cada momento, os empregados percebem se o gestor tem a condição de estar onde está ou é mais um pedra no caminho da sobrevivência e crescimento da empresa.

Seria mais fácil se o gestor maior estivesse disposto a escutar, com o canal de comunicação aberto para captar as contribuições e processá-las de forma séria. A questão é que, na mesma caixa onde são postados os elogios ao modelo atual de gestão, também são colocadas as críticas e propostas que divergem do direcionamento atual do comando da empresa. É aí que começa o problema.

A grande realidade é que são raros os chefes que gostam de ser contrariados, e mais raros ainda os que estimulam isso. A controvérsia é um poderoso combustível no estímulo da criatividade. Só que ela precisa ser, no mínimo, tolerada.

Imagine uma empresa onde todos pensam exatamente igual.
Na realidade essa empresa não existe, o que existe sim, são empregados que se moldam para agradar o chefe, são excelentes camaleões. A cada chefe novo um comportamento novo.

Esse é um veneno distribuído em conta gotas, com o tempo os empregados abandonam o que possuem de mais valioso, sua opinião própria, sua capacidade de criar e por fim, a dignidade. Limitam-se apenas a cumprir o papel que lhe foi determinado. É o começo do fim. O cemitério é de longe o lugar mais seguro.

A grandiosidade de um líder é medida pela busca incessante de pessoas que trabalhem na sua equipe e que tenham um pré-requisito básico, sem o qual não se qualificam para ocupar a vaga:

Ser mais competente que o próprio chefe, mesmo que seja pensando diferente dele!!!

Adicionar comentário 7 de Junho de 2008 às 19:41 Sergio Oliveira

Grau de investimento e empreendedorismo

grau de investimento - grau de investimento

A forma como você observa tudo o que acontece a sua volta formará sua opinião, que influenciará as decisões que serão tomadas na condução do seu negócio e que, de alguma forma contribuirão para o sucesso ou o fracasso do seu empreendimento.

Estar atento as mudanças e realizar as leituras de cenário é ponto chave para um correto direcionamento da decisões. O momento atual pede isso, mais do que nunca.

Um fato extremamente relevante aconteceu na nossa economia nos últimos dias, o Brasil conquistou a nota “Grau de Investimento”, atribuída pelas agências internacionais de classificação de risco, que de forma simples, significa que o nosso país passa a ser considerado pelo mercado financeiro global uma nação capaz de honrar os seus compromissos e um local seguro para que os grandes investidores internacionais possam colocar os seus ativos sem o risco de sofrer um calote.

É lógico que isso não aconteceu por acaso, parte da lição de casa foi cumprida, como o controle da inflação, saneamento das contas públicas e fortalecimento da democracia.

Somos destaques no cenário mundial na produção de carne bovina, carne de frango, soja, minério de ferro, além do etanol e das recentes descobertas de reservas de petróleo na bacia de Santos, que projetam o Brasil como um dos grandes fornecedores de combustíveis da nova era.

A soma de todos esses fatores positivos concedeu ao Brasil uma credencial com a qual ele poderá construir a sua própria história nos próximos anos.

Quem serão os atores? NÓS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Algumas transformações importantes já estão presentes ou virão a partir desse reconhecimento do nosso país, em todos os aspectos:

- Os investimos externos em aplicações financeiras tendem a ser elevados. Considerando que apenas os fundos de pensão americanos e europeus, que só aplicam em países que tenham a nota de grau de investimento ou superior, administram recursos financeiros estimados em U$ 17 trilhões, dá para imaginar o que está por vir.

- Os investimentos diretos (atividades produtivas) em novas empresas e a ampliação das já existentes devem superar os U$ 50 bilhões em 2008. Somente as fabricantes de automóveis anunciaram, no mês de maio, investimentos superiores a U$ 5 milhões, para ampliação da capacidade produtiva nos próximos anos.

- A taxa de juros real da economia tende a se estabilizar no médio prazo, de dois a três anos, e sofrerá reduções que podem chegar a 50% da taxa atual. Isso aconteceu na Índia, por exemplo, após o grau de investimento.

- O valor total dos empréstimos contratados, para pessoa física e jurídica, atingiu na semana passada a marca de 36% do PIB, superando o valor de R$ 1 trilhão. Esse movimento será crescente, em direção aos percentuais praticados por economias desenvolvidas, que se situam na faixa de 90% do PIB. Esse dinheiro vai para empresas ampliarem a sua capacidade de produção e também é tomado por consumidores ávidos por gastar, que retroalimentam a cadeia da demanda por produtos e serviços.

- Quando o assunto é consumo, são 26 milhões de novos consumidores que emergiram das classes D e E e passaram a compor a nova classe C. Assistimos neste momento um novo movimento de parte da classe C em direção a classe B. Isso tem nome, é a tão sonhada mobilidade social que alavanca países em crescimento.

GARGALOS: Como nem tudo são flores, temos ainda grandes gargalos a serem corrigidos, como:

- melhoria do sistema educacional, saúde, segurança, estradas, portos, aeroportos e o risco de colapso no setor de energia que pode não suportar o crescimento previsto para os próximos anos. Tais problemas devem ser tratados com seriedade mas não apresentados como motivos para justificar que não conseguiremos superar essas barreiras.

FANTASMAS: O grande fantasma que assusta neste momento é a volta da inflação, que desta vez não é um fato isolado no Brasil, e que assombra as principais economias mundiais. Numa análise rápida, podemos dizer que lá fora foi impulsionada pela alta exagerada no preço dos alimentos e do petróleo, que já superou os U$ 130, o barril. Aqui tivemos um fato extra que foi o crescimento do consumo interno, possível a partir da estabilidade econômica, crescimento do emprego formal e aumento real da renda.

FORMULAS MÁGICAS:
A velha e discutível receita de aumento dos juros, todas as vezes que a economia dá sinais de recuperação, como forma de contê-la, agora está em cheque. Com o grau de investimento, tal prática provocará entrada acelerada de dólares em busca dos maiores juros reais pago no mundo, valorizando ainda mais o câmbio, que já compromete bastante a competitividade das nossas empresas exportadoras.

A opção é acreditar que as empresas brasileiras serão capazes de aumentar a produção para suprir a nossa demanda interna, a tempo de controlar a inflação.

Para isso o governo já se antecipou e lançou a nova política industrial, com redução de impostos para alguns setores e aumento nos prazos de financiamentos, como no caso do FINAME que teve seu prazo para pagamento ampliado de cinco para dez anos, além de outros incentivos. Sei que é insuficiente, mas é melhor do que nada.

A atenção agora se volta para a criação de ambiente favorável para a expansão dos negócios e o incentivo de novos projetos e inovação. O objetivo é dar essa importante passo agregando valor aos nossos produtos e serviços ao invés de nos consolidarmos como um importante exportador de comodities.

Abusos de preços podem e devem ser combatidos com importações, até que a nossa produção local seja ajustada. Segundo estudos divulgados pela revista Veja,de 28/05/08, pag. 53, o Brasil é um dos países mais fechados do mundo quando o assunto é a importação de bens e serviços, com relação ao PIB, apenas 9%, comparado com a Argentina 19%, México 32% e Chile 33%.

CONCLUSÃO:
Se para muitos éramos um pais desconhecido ou uma promessa de futuro que nunca se concretizaria, hoje somos destaque nos principais jornais do planeta como Wall street journal, The New York Times e Financial Times.

O mundo olha para o Brasil neste momento e o exercício do empreendedorismo se faz mais necessário do que nunca. As oportunidades estão a nossa frente e devem ser aproveitadas.

Os grandes investidores já chegaram e marcaram posições. Posso estar enganado, mais um movimento que está por vir é a chegada de empreendedores de médio porte, primeiro vindos de países com língua portuguesa e espanhola e em seguida de todas as partes do mundo.

Como um país hospitaleiro que é o Brasil, ele acolherá bem esses empreendedores e vale lembrar que a melhor forma de atuarem por aqui é buscando parcerias com empresas locais. Falo de negócios de médio porte com faturamento anual entre R$ 5 e R$ 60 milhões/ano, com forte base tecnológica e profundos conhecedores do nosso mercado. Negócios ainda desprezados pelos grandes investidores internacionais, mas com grande atratividade para investidores de porte médio que queiram participar deste momento único do nosso país.

A pergunta do dia é:

- Sua empresa está preparada para receber uma proposta de investimento? Se não,

Pare!

Prepare-se!

e Dispare!

Na direção de um novo tempo e das novas oportunidades. Esta é a nova ordem no Brasil!!!!!!

Adicionar comentário 1 de Junho de 2008 às 18:54 Sergio Oliveira