Arquivo de Setembro de 2007

Todo homem é um mercador em certa medida.
Adam Smith, 1776 - A riqueza das Nações.
A arte do comércio é milenar, por mais que a modernidade avance os fundamentos básicos serão mantidos. Ainda hoje as rotas comerciais da seda asiática, que foram a espinha dorsal das relações entre as nações do ocidente o do oriente, iniciando por volta de 119 a.C., são realizadas pelos camelôs em parte do norte da África.
Sempre haverá um comprador, um vendedor e uma mercadoria negociada. Quem vende visa o lucro e quem compra tem uma necessidade a ser satisfeita.
Sempre foi assim? Não!
Por mais que nos achemos lindos e maravilhosos, os Paleoarqueológicos calculam que o homem moderno existe a pelo menos 40 mil anos. Os homens das cavernas eram exatamente como nós, com pensamentos semelhantes.
Já a idéia do comércio, presume-se que tenha nascido da troca de presentes, apenas como forma de agradar, reconhecer. Esse comércio primitivo tinha características de rituais, e nada a ver com necessidades materiais.
O pensamento do comércio na forma de agregar valor aos bens e em função disso gerar lucros, só foi possível a partir da interlocução entre os povos.
O período Neolítico, também chamado de idade da pedra polida (12.000a.C. a 4.000 a.C) foi o que marcou o fim da pré-história, pois terminou com o surgimento da escrita.
Foi nessa época que o homem se fixou em aldeias, desenvolveu a agricultura, a criação de animais e passou a viver em sociedades, o que permitiu o avanço cultural e o aumento da população.
O surgimento dos excedentes de produção possibilitou o comércio de troca entre as aldeias, o que posteriormente foi facilitado com a invenção do dinheiro.
No final do terceiro milênio a.C. as pessoas da Mesopotâmia começaram a usar lingotes de metais preciosos em troca de produtos. Primeiramente foi a prata como forma de pagamento. Com a adoção do ouro e da prata nas trocas, o surgimento das moedas foi uma questão de muito pouco tempo e que se transformaram no sistema monetário global ancestral no qual vivemos e trabalhamos hoje.
Entramos na era do dinheiro virtual e do comércio eletrônico, observe que evoluímos na forma, mas estamos calcados em criações e idéias que datam de pelo menos 2.500 a.C.,
Por maior que seja a evolução que esteja por vir, as pessoas ainda necessitarão de contato humano, as relações virtuais como são pregadas hoje pela grande mídia é ilusória e tem interesses diversos.
O comércio tradicional sobreviverá e as pessoas terão cada dia mais, prazer em poder entrar numa loja, conversar, tocar o que está comprando, e decidir o que levar. Faz parte da natureza humana.
29 de Setembro de 2007 às 18:14
Sergio Oliveira

Desde pequeno fui um apaixonado por negócios, acho que tudo começou no meu primeiro emprego, com dez anos de idade, numa frutaria, onde os primeiros ensinamentos se referiram a forma com tratar o freguês:
a) Quando o freguês entrar receba-o com um sorriso, diga Bom Dia, Boa Tarde..
b) Em seguida pergunte: “ Em que posso ajudá-lo”?
c) Se o freguês pedir desconto arredonde a conta para baixo, mesmo que seja centavos..
d) Se alguém retornar reclamando de frutas ou verduras compradas troque de imediato (não questione), e ainda peça desculpas pelo transtorno causado!
e) Ao final, agradeça pela preferência e encerre a venda com um sonoro: ” VOLTE SEMPRE, A CASA É SUA!!!”
Era uma pequena frutaria de bairro, mas grande foi o aprendizado obtido ali.
De uma forma bastante prática entendi como se ganha e se perde dinheiro.
Toda manhã chegavam as compras do CEASA, colocávamos nas prateleiras, tudo o que era vendido virava dinheiro no caixa e que sobrava era prejuízo, pois teria que ser descartado.
A nossa contabilidade era semanal, na sexta-feira à tarde fechávamos o caixa, reservávamos o dinheiro para os pagamentos da semana seguinte e o excedente era o lucro. Quanto maior o lucro maior a comissão que eu recebia.
Se ficasse sentado atrás do balcão só cobrando, vendia uma determinada quantia, quando ia para o salão e fazia a atendimento em pé conversando com o freguês enquanto ele comprava, sugerindo que levasse isso ou aquilo a mais, as vendas quase dobravam e não tínhamos sobras, com isso o lucro aumentava.
Mais de trinta anos se passaram, os conceitos de atendimento de clientes evoluíram, centenas de livros foram escritos sobre o tema, milhares de palestras proferidas, estudos aprofundados sobre comportamento de clientes, software de ultima geração (CRM) onde se registram todos os passos dos clientes durante a sua vida, enfim, um universo de novidades tecnológicas e o atendimento a clientes ainda é um grande enigma para a maioria das empresas.
Gosto das práticas simples, elas são fáceis de implantar, todos entendem a mensagem e se bem dimensionadas vão direto ao ponto, sem rodeios.
Quando me disponho a comprar algo e entro numa loja quero receber atenção de alguém, mesmo que vá comprar uma agulha, tem que existir uma pessoa disposta a me atender e explicar sobre agulhas, afinal o negócio dela é vender agulhas.
A maioria das empresas se afastam desses conceitos básicos e enveredam por fórmulas complicadas demais, quando o que precisariam é prestar um pouco mais atenção na necessidade do seu cliente.
Isso pode ser obtido de uma maneira bastante simples e com baixo custo, como por exemplo, conversar com o cliente:
1) Qual a sua opinião sobre o atendimento recebido?
2) Encontrou tudo o que procurava?
3) O que precisamos melhorar para que você indique a nossa empresa para o seu melhor amigo?
Considero essas três perguntas matadoras, consumirá menos de 5 minutos do seu freguês e elas podem coletar dicas preciosas, desde que você esteja disposto a levar essas simples opiniões a sério.
28 de Setembro de 2007 às 22:05
Sergio Oliveira

O blog completou seu primeiro ano de vida hoje. Foi em 20/09/06, quando postei o primeiro artigo, como o nome: ” Liberdade de Expressão”.
Naquele momento, muitas dúvidas e apenas uma certeza: não dava mais para adiar o início, tinha vários artigos escritos em folhas de papel e que me incomodavam bastante por estarem ali adormecidos.
Sabia que seria mais um compromisso dentre tantos outros, mas este era especial, traria consigo a responsabilidade de manter o blog atualizado, mas por outro lado me aliviaria por ter implantado um projeto idealizado há alguns anos.
Num breve balanço deste primeiro aniversário pude perceber que, se não escrevi tudo o que gostaria, escrevi o que foi possível.
Alguns artigos consumiram semanas na sua elaboração, outros saltaram da minha mente direto para o blog, e em questão de horas já estavam revisados e editados.
Um exercício interessante e desafiador. Quando perguntado sobre o ato de escrever, O poeta Ferreira Gullar costuma citar E.S. Eliot: “O poeta não escreve para se emocionar, ele escreve para se livrar da emoção”.
Foram 95 artigos/post editados, que receberam 130 comentários, deixados por visitantes que totalizaram 25 mil acessos.
Aos que acessam o blog pela primeira vez recomendo uma visita aos artigos escritos desde setembro de 2006, como forma de conhecer melhor o conteúdo.
Confesso-me surpreso com a quantidade de leitores que o blog conquistou e isso só me motiva para continuar.
Obrigado,
Sérgio Oliveira
20 de Setembro de 2007 às 20:20
Sergio Oliveira

O que um médico tem para aprender com um veterinário?
Senão muitas coisas, algumas essenciais.
Vou explicar melhor:
- Como todo bom brasileiro também pago um plano de saúde.
Uso muito pouco, no máximo três vezes por ano, uma delas foi o ontem à noite.
Tive uma gripe que acabou numa forte dor no ouvido, o que me motivou a procurar um plantão médico.
E foi a qualidade do atendimento médico que chamou a atenção e me levou a escrever esse artigo.
Experimentei a consulta mais rápida de toda a minha vida. Durou exatos 90 segundos. Foram três perguntas, dentre elas respondi que estava com uma forte dor no ouvido e que incomodava bastante.
Ela mais do que depressa pegou o aparelho, examinou apenas o meu ouvido direito e já sentou e prescreveu uma injeção a base de cortisona, um antibiótico e um antiinflamatório.
Fiquei parado a sua frente, sentado, pasmo e perguntei:
- Eu: Pronto? É só isso?
Resposta: Sim!
- Eu: Não vai nem medir a febre?
Resposta: Não precisa…
Detalhe: Ela não levantou a cabeça uma única vez, olhava apenas para o computador enquanto perguntava e depois para a receita para escrever.
- Eu de novo: Que ótimo! Muito simples, rápido e prático! Tá moderno esse atendimento né?
Sai do consultório, fiquei na sala ao lado esperando para receber a medicação e nossa nobre Médica saiu para o corredor para…..Bater Papo!!!!!!
Já não se fazem médicos como antigamente, medicina virou comércio, o atendimento é no padrão fast food, se possível em pé para não demorar.
O paciente que ao comprar o plano de saúde virou cliente, hoje já é tratado como gado.
Sou do tempo em que o médico usava martelinho para medir os reflexos e uma consulta durava mais que uma hora.
Por coincidência pago também um plano de saúde para o meu cachorro, o nome dele é Scooby e todas as vezes que levo ao veterinário ele é tratado pelo nome. Tem uma ficha eletrônica com todo o seu histórico, fotos, peso, vacinas e suas consultas duram em média 30 minutos. Hoje os veterinários já conseguem diagnosticar e medicar até depressão canina. Vejam só!
Existe um preocupação grande, por parte dos veterinários da clínica, com a saúde do meu cachorro. Se fico mais do que 60 dias sem levá-lo no consultório a secretária liga e pergunta se está tudo bem com o Scobby e se eu gostaria que fosse feita uma consulta à domicílio, com o acréscimo de uma pequena taxa.
Isso é novo para mim, e me impressiona. Nunca imaginei que chegaríamos ao ponto de um cão receber cuidados médicos melhores do que um “paciente Ser Humano”.
Se continuarmos nessa evolução em breve as pessoas irão querer trocar o seu plano de saúde por um plano animal, vão se sentir mais seguras.
A chance do Scooby morrer por receber uma medicação errada é muito menor que a minha que foi consultado em 90 segundos.
Atendimento é relação de confiança e ninguém conseguirá mudar isso, nunca. Qualquer que seja o ramo de atividade, em qualquer lugar do mundo.
Só para encerrar, ao sair do consultório, joguei a receita no lixo, não sou louco de tomar um medicamento prescrito em 90 segundos.
A minha nobre médica se comportou como aquele ditado antigo: “ Para quem só tem martelo, todo problema é prego.”. Não sei se incompetência ou falta de respeito, mas ambos são condenáveis para um profissional se forma sob o juramento de um código e ética, alías um dos mais bem elaborados que já vi.
Que me desculpe a moderna medicina mercantilista, hoje já marquei uma consulta com meu médico a moda antiga, pagarei particular e terei direito a martelinho no joelho e atenção.
A jornada continua, mas para isso precisamos estar vivos!
19 de Setembro de 2007 às 06:14
Sergio Oliveira

O pensamento positivo é o combustível que dá a força necessária para seguirmos em frente e persistir, por maior que sejam as dificuldades e obstáculos que encontraremos pelo caminho.
Ele é o companheiro inseparável dos empreendedores de sucesso, que exalam positivismo e convicção quando agem, lideram e edificam seus projetos profissionais e pessoais.
Um grande erro é atribuir ao pensamento positivo o status de veículo que nos levará na direção dos nossos sonhos. Ele não tem todo esse poder.
Cientificamente nunca se conseguiu provar o poder da mente como força que move ao nosso encontro as coisas que nós desejamos. A chance disso acontecer é de 0,3%, portanto nula.
Por outro lado, desconheço pessoas pessimistas que alcançaram o sucesso duradouro em suas jornadas empresariais.
Inegável que adotar atitudes positivas e transformadoras contribui sobremaneira para a pavimentação da estrada que levará ao sucesso empresarial.
12 de Setembro de 2007 às 08:12
Sergio Oliveira
O artigo “Um erro, um acerto e a concorrência” é o segundo mais lido de todos os que já foram publicados aqui no blog.
Sua edição foi em 08/04/07, antes mesmo da grande imprensa nacional perceber que a nova bebida cairia no gosto dos consumidores.
Um breve história do que aconteceu de lá para cá pode ser vista no artigo divulgado pela revista Exame, no link “Vende como Água”, o qual fala do surpreendente sucesso alcançado pela H2OH em 11 países.
Um belo exemplo de ousadia, que forçou a Coca-Cola a abaixar os preços de todos os seus produtos, coisa que a muito tempo não se via.
9 de Setembro de 2007 às 21:15
Sergio Oliveira

“…finalmente, constrangidos pela fatalidade, sentimos que a vida já passou por nós sem que tivessemos percebido.”
Sêneca, A Brevidade da Vida, (7 a.C. - 65 d.C.)
Tenho dedicado um bom tempo para entender como aproveitar melhor esse tal de “tempo”.
É um exercício diário, parece que tudo que está a nossa volta conspira para que você saia dos trilhos e não consiga cumprir aquilo que planejou.
A analogia que mais gosto quando reflito sobre o tempo é a de uma torneira pingando.
De gota em gota perde-se meio milhão de litros de água em 30 anos.
O que isso tem a ver com a sua vida?
Conheço pessoas que tem muitos planos, mas não conseguem se organizar, são reféns da eterna “falta de tempo”, estão sempre “atrasados”, a vida está sempre “corrida demais” para pensar em parar para ordenar, que seja a respiração, que já o livraria de um infarto.
Ter o tempo ao seu favor é a grande sacada, isso hoje é sinônimo de riqueza e luxo.
As pessoas se tornaram prisioneiras nos próprios castelos, sempre querem mais, sem saber para que, estão fixadas em comprar, ter, possuir….
Vou no caminho inverso, defini o que realmente importa para mim, elegi as minhas prioridades, calculei o quanto preciso para viver dentro do meu conceito de qualidade de vida, tomei as decisões e respondo por elas.
Descobri que o prazer está nas pequenas coisas, como sentar a noite para contar histórias para meus filhos ou simplesmente deitar numa rede e sentir a brisa.
Cada um dá valor naquilo que representa as suas verdades, fiz do meu discurso a prática, e a cada dia sinto a leveza de poder decidir o meu destino.
Hoje tenho o tempo a meu favor!
7 de Setembro de 2007 às 00:05
Sergio Oliveira

“…foi a visão do dia e da noite,dos meses, das revoluções dos anos, que nos fez encontrar o número, que nos deu a noção de tempo.
Platão, Timeu (360 a.c.)
Medir o tempo como um padrão universal surgiu da observação, sobretudo das posições relativas dos corpos celestes, que são regulares, cíclicas e, portanto previsíveis.
Essa é uma das idéias mais antigas e duradouras do mundo, a ponto de ninguém arriscar uma data para a sua origem.
As observações celestes foram a base para o desenvolvimento de medidores de tempo, que se assemelhavam a calendários, que utilizavam registros das fases da lua e o movimento do sol.
A partir daí a idéia evolui e chegamos ao relógio que conhecemos hoje, desde então a vida nunca mais foi a mesma.
Passamos a ser regidos (para não dizermos controlados) pelo objeto que transformou nossas vidas.
Considero que nos tornamos uma legião de “escravos do tempo”, tamanha é a interferência que uma simples medição causou em nossas vidas.
Gosto de Santo Agostinho (397 d.c), que antecipou o pensamento mais moderno acerca do tempo, ao perceber, naquela época que o tempo não tem “existência” fora da mente.
Vivemos sob o conceito linear de tempo, onde temos um começo, e a partir daí delineia-se a trajetória.
O dia continuará sendo medido em horas, mais precisamente 24 horas, para você distribuir todos os seus compromissos e ainda buscar o tão sonhado equilíbrio entre trabalho, lazer e família.
Sem contar que, pessoas atarefadas não têm qualidade de vida, muito menos “tempo” para construir boas idéias.
Se forem as novas idéias as sementes que deram origem a negócios inovadores, um bom começo para se tornar um empreendedor de sucesso é rever seu conceito de tempo e a freqüência na qual você está conectado.
“O que é o tempo? Quando ninguém me pergunta eu sei. Quando tento responder, não sei.”
Sto. Agostinho, Confissões (397 d.c.)
2 de Setembro de 2007 às 10:37
Sergio Oliveira

Passei essa semana consumido por reuniões de negócios, ócios do ofício.
Se me perguntares se gosto de reuniões, digo que não!
Gosto de conhecer pessoas interessantes, com histórias de vida. Não necessáriamente isso precisa ser em salas de reuniões. Pode ser num banco de praça onde possamos desfrutar da sombra de uma árvore, saboreando um delicioso sorvete ou suco de frutas.
Tenho um necessidade vital de arejar meu cérebro, quer me enlouquecer e fechar numa sala e ficar falando, falando, falando,…. esse é o pior modelo que já inventaram, principalmente se o objetivo for a busca de soluções.
Por que não fazer diferente?
- Há, por que sempre foi feito assim!
Isso para mim não é resposta, sinto muito, vivo noutra freqüência.
Aliás, quero viver 100 anos, como Oscar Niemeyer, uma história de trabalho regada a muita paixão pelo que faz.
Intrigante, ele tem como o seu lema a afirmação: ” A vida é mais importante do que a arquitetura” . (Imaginem se ele tivesse priorizado a arquitetura….)
- Qual é o real significado dessa frase?
Não sei, mas olhando a sua trajetoria de vida e obra, cada um pode tirar suas próprias conclusões.
As minhas opções já fiz, quero mergulhar nas atividades que me dão prazer, sem que tenha que abrir mão da vida, ela sim é mais importante, é a fonte de toda a inspiração.
Neste momento vivo a fase de transição e você?
1 de Setembro de 2007 às 09:49
Sergio Oliveira