Quem financia minha idéia?
2 de Julho de 2007 às 22:26 Sergio Oliveira | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 4002
Um leitor do nosso blog enviou o seguinte questionamento:
“- Pretendo montar meu próprio negócio.
Sou Analista de Sistemas, com anos de experiência em Assistência Técnica em computadores, portanto, penso em abrir um negócio neste ramo. Meu sócio, não tem conhecimento em informática, mas tem amplo conhecimento em gestão empresarial. Lendo o artigo SOCIEDADES – UMA QUESTÃO DE EQUILÍBRIO, cheguei à conclusão que temos até então, dois dos três pilares: Conhecimento Técnico e Capacidade Gerencial. Mas ainda não temos totalmente o primeiro pilar: recursos financeiros.
O que você sugere para que possamos obter este último, porém, importante pilar para esta nossa nova empreitada?“
Caro Empreendedor,
Quando o recurso financeiro é o que falta para iniciar o negócio, estando os dois outros pilares fundamentais já atendidos, diria que vocês já trilharam boa parte do caminho a ser percorrido antes de abrir as portas.
A quantidade de empreendedores com recursos financeiros suficientes, mas sem uma boa idéia é muito maior do que o inverso, até por que boas idéias não são vendidas nas esquinas.
Veja que seu negócio nasce a partir de uma experiência adquirida na sua profissão atual. Isso é bastante interessante, imagino que você identificou uma necessidade não atendida neste nicho de mercado e implantará seu negócio oferecendo diferenciais que seus futuros concorrentes ainda não despertaram para eles.
Onde então buscar os recursos financeiros para complementar o valor necessário para abrir o negócio?
Antes de dizer onde, é preciso esclarecer qual o tipo de dinheiro que seria o mais recomendado para complementar o que falta e viabilizar a idéia:
- Tem que ser dinheiro de longo prazo, de preferência de alguém que se interesse em tornar-se sócio do negócio. Se não encontrar esse sócio e tiver que ser financiamento/empréstimo, atente para o prazo, o ideal que seja sempre maior que 24 meses, com carência (no mínimo seis meses) e juros menores que 1,5% ao mês.
Quaisquer condições menos favoráveis que essas poderão deixar seu negócio em dificuldades para honrar os compromissos das parcelas mensais.
Vamos às alternativas, vou listar algumas, das menos para a mais prováveis fontes de financiamentos que podem ser acessadas por novos empreendedores, isso não significa que são as únicas:
a) Bancos – A maioria dos bancos exigem que as empresas tenham pelo menos um ano de faturamento para terem acesso às linhas de crédito disponíveis. O máximo que você conseguirá de bancos, antes dos doze meses de faturamento comprovado será linhas de curto prazo, geralmente para antecipar os cheques pré-datados recebidos dos seus clientes. Desconheço algum banco que tenha linhas de crédito específicas para financiar a abertura de pequenos negócios.
b) Empresas de Capital de Risco (Venture Capital) – Você terá que elaborar um plano de negócios, esboçando a sua idéia, de forma detalhada e submetê-lo as empresas de Venture Capital, para análise. Sem querer desanimá-lo, o índice de aprovação é menor que 1% do total dos planos analisados. Eles buscam características específicas como negócios em setores com alto potencial de crescimento, baseado em inovações tecnológicas, ineditismo, dentre outras. No Brasil já temos a Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP), pode ser o ponto de partida para conhecer melhor do que se trata. Tem também um artigo escrito por mim, aqui no blog, no ano passado: A VORACIDADE DO CAPITAL DE RISCO.
c) Fundos de investimentos em empresas (Private Equity) – Você já deve ter lido ou visto alguém falando sobre a possibilidade de financiamentos via fundos de Private Equity, porém, esta é uma alternativa que não se aplica aos pequenos negócios. Eles se interessam por negócios que já faturam algumas dezenas de milhões de reais. Para conhecer um pouco mais sobre o tema veja o artigo da revista Amanhã, edição Junho/07, que fala da origem do Private Equity.
d) Anjos Investidores (Angel Investor) – Trata-se de Pessoas Físicas, endinheiradas (se é que existe este termo) com disposição para investirem em empresas, entrando como sócios no contrato social e auxiliando na gestão. Condição básica: Que os fundadores sejam preparados para tocar o negócio, que ele tenha alto potencial de crescimento, seja inovador, garanta margem de lucro esperada e ofereça uma boa liquidez quando chegar a hora de ir embora. Ao entrar, os anjos já definem o prazo máximo que irão permanecer. Quer conhecer um pouco mais, leia o artigo do Sebrae/SC sobre Anjos Investidores e acesse o site do Gavea Angels.
e) Dinheiro de parentes e amigos – por incrível que pareça, estes são os principais investidores em novos negócios no Brasil e no mundo, nove entre cada dez negócios que estréiam por aqui, tiveram injeção de recursos financeiros de uma destas duas fontes.
Não que eu desacredite nas demais, em momentos específicos e para empresas específicas elas serão úteis, ocorre que as exigências são tantas que o novo empreendedor fica pelo caminho e volta para os parentes e amigos, onde acaba se financiando. Aí você entende por que 99% das empresas brasileiras têm origem familiar.
Imaginemos que todas as fontes citadas não se tornaram realidade, resta então ver o quanto você e seu sócio têm no bolso e avaliar se vale a pena arriscar. Simplificar ao máximo, sem perder a essência da idéia. Se for possível, siga em frente.
A boa notícia é que após o primeiro ano de faturamento as portas dos bancos se abrem, inclusive para acesso a recursos do BNDES, os quais possuem, hoje, os menores juros disponíveis no mercado.
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3 Comentários Faça seu próprio
1. Marcelo Ferreira Gonçalves | 7 de Julho de 2007 às 09:53
Completando tudo isso que o sergio colocou no artigo, só venho a acrescentar que sem um bom consultor a coisa fica um pouco dificil, pois uma pessoa de fora com uma visão melhor voce erra menos, isso eu falo por experiência propria, tenha um consultor para dar direção nas suas decisões, abraços Marcelo
2. Alexandre Schumacher | 13 de Julho de 2007 às 14:45
Tenho uma empresa constituida e estou a busca de investidor em um projeto de revalorização de polietileno e mecanismo de desenvolvimento limpo.
Todo mundo fala de efeito estufa, mas em lugar nenhum consigo apoio para implantar meu projeto.
Um consultor do SEBRAE, me disse, seu projeto é o melhor que eu analisei nos ultimos anos…. muito bem… mas não me ajudou em nada, só me disse o que eu sabia.
Uma empresa de fomento do RS, me disse, podemos financiar 50% do projeto, desde que voce comprove os outros 50% e de garantias reais… ótimo porem sabiam desde o inicio que eu não tinha capital e nem bens para dar de garantia.
Estamos abertos a propostas de negócios.
3. José Cláudio Lima Sales | 4 de Outubro de 2008 às 19:12
Quero Abrimina Empresa;
tenho locau bem previlegiado não alugado,sedido.
emprego com salario de 3 salario minimo
altonomo.
Mais no momento não tenho condições de compra meus equipamentos.
O que eu faço?
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