Arquivo de 2 de Junho de 2007

Se você morresse neste momento, qual seria o seu legado?

Alguns empreendedores se atiram de forma tão intensa aos seus negócios a ponto de se esquecerem que, tudo, tudo mesmo pode acontecer, como por exemplo a morte.

Sendo assim, se você morresse agora, subitamente, sem poder deixar um único bilhete, sua empresa sobreviveria por quantos anos?

Teria pessoas prontas para conduzir o negócio na sua ausência?

Você deixaria algum legado, por menor que fosse?

E para finalizar:

Por quais motivos você seria lembrado?

Adicionar comentário 2 de Junho de 2007 às 18:25 Sergio Oliveira

O legado do Comandante Rolim

tapete vermelho - tapete vermelho
Quem não se lebra do lendário Rolim Adolfo Amaro, ou simplesmente Comandante Rolim, que a partir de um sonho construiu uma empresa de classe mundial e que, mesmo após a sua morte continua a ser líder no setor de aviação civil brasileiro, estou falando da TAM.

Em 1960, com 18 anos, ele vendeu uma lambreta para pagar o curso de piloto e tirar o seu primeiro brevê, após, foi contratado para pilotar numa empresa de Táxi-Aéreo em São José de Rio Preto/SP

Tabalhou na Táxi Aéreo Marília, muitos não sabem, mas antes de se tornar dono da TAM, Rolim foi seu piloto. Ao sair da TAM foi trabalhar na Amazônia como piloto particular, época em que comprou seu primeiro avião, um Cessna. Após dois anos já tinha dez aviões monomotores.

Foi co-piloto na VASP e comandante na Líder Táxi Aéreo.

Em 1976, portanto, 16 anos após tirar o seu brevê, Rolim adquire a totalidade das ações da TAM, que a época era uma pequena empresa de táxi aéreo.

Sua grande tacada foi em 1990, com a TAM já um pouco maior, quando o Comandante Rolim apostou todas as suas fichas na compra dos dois primeiros Fokker 100 (jatos com capacidade para 107 passageiros), acreditando na modernização da aviação regional e na sua expansão. Em 1996 já eram aproximadamente 30 aeronaves F- 100.

Acertou na mosca e isso permitiu um crescimento acelerado, em apenas uma década transformou-a em líder nacional no setor de aviação, recebendo vários prêmios nacionais e internacionais.

A TAM passou a ser uma empresa admirada e copiada nas suas práticas de gestão e no trato com o cliente.

A morte do Comandante Rolim, aos 58 anos, após a queda de um helicóptero, em 08/07/2001, interrompeu essa intensa trajetória de sucesso, marcada por inúmeros atos de ousadia.

Parei para imaginar, se ele estivesse vivo, como estaria enfrentando todos os fatos acorridos desde a sua morte, a atual crise dos controladores de vôo e principalmente a concorrência com a GOL.

Estudando a história da TAM você percebe as sacadas geniais desse empreendedor, que muitas vezes pôs em risco tudo o que tinha construído, tamanha era sua crença no futuro da empresa.

Um grande líder, um exímio estrategista, dentre as várias qualidades a de visionário era a que mais me impressionava.

A criação do slogan: “Jeito TAM de voar”, passando pela idéia de estender o tapete vermelho na porta das aeronaves e ficar ali, cumprimentando os passageiros, desde as primeiras horas da manhã, no aeroporto de Congonhas, demonstrava o profundo respeito que tinha pelo bem mais valioso da sua empresa, o cliente.

Outra criação sua foi a Carta do Comandante, onde Rolim, com a simplicidade de um bom contador de histórias dividia conosco suas idéias sobre a condução da empresa e como percebia seus clientes.

Sem falar do Museu “Asas de um sonho”, idealizado em vida, porém entrou em funcionamento após a sua morte.

Foi uma lição de empreendedorismo, pena que sua melhor fase foi tão breve. Tenho certeza que ele teria inovado em muitos outros fatos, que certamente seriam copiados pelos empresários brasileiros.

Vocês devem estar se perguntando por que me lembrei disso agora? Vou explicar.

Recentemente li uma entrevista no Jornal Valor, com Maria Claudia Amaro, filha do Comandante Rolim, que aos 40 anos, acaba de assumir o conselho de administração da TAM, com o firme propósito de “atualizar” a empresa, e deixar para trás a crise de identidade que a empresa entrou após a morte do seu Pai.

Prestes a completar seis anos da morte do Comandante Rolim, imagino o quanto foi duro manter a TAM como líder de mercado, com a GOL mordendo nos calcanhares.

A figura de Rolim era quase que um mito e se confundia com a imagem da TAM, tamanha era sua presença na mente do todos os empregados e clientes.

Este foi seu legado, as idéias se eternizam, mas esta imagem que antes era tão forte foi se enfraquecendo, e com o passar do tempo, é preciso que alguém preencha esse espaço deixado por ele e seja a nova cara da TAM.

Meus filhos não saberão quem foi o Comandante Rolim, podem até conhecer a sua história, mas não darão nenhum crédito a ela. Para eles a TAM será comparada de igual para igual com a Gol e outras que venham a surgir, por isso é importante que entre numa nova fase, recupere sua identidade e crie um novo motivo pelo qual as pessoas renovem a admiração pela empresa.

Esse é o desafio que caberá a Maria Cláudia Amaro, na condição de Presidente do Conselho de Administração da TAM.

Desejo-lhe sucesso!

2 comentários às 18:08 Sergio Oliveira


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