Arquivo de Junho de 2007

Um novo tempo, uma vida nova!

trigo - trigoConto a você leitor uma história real, de um amigo o qual acompanhei a transformação recente ocorrida em sua vida, que julgo, ele soube superar com bravura.

Um competente vendedor, formou-se em administração de empresas, entrou como estagiário num importante multinacional e fez uma carreira brilhante, chegou a Diretor Comercial, após 25 anos de dedicação exclusiva a empresa.

Como a história se repete, a empresa que trabalhava foi comprada por uma outra multinacional maior ainda e foi implantado um comitê de integração (das duas empresas), cujo objetivo divulgado era realizar a aproximação de culturas possibilitando o trabalho na nova estrutura com sinergia.

Como uma nova estrutura, nestes casos, passa pela redução de cargos, todos esperavam ansiosamente as mudanças.

Um dia, ao chegar ao trabalho foi convidado para participar de uma reunião com o Presidente, ato de rotina, só que ao entrar na sala percebeu que não seria uma reunião comum, estava lá o tal Comitê de Integração, e o tema em pauta era tratar da desintegração dele, como Diretor, como empregado, como profissional e não tem como ser diferente, como ser humano. Em suma, ele estava demitido. Rápido e certeiro com um míssil, dispararam uma frase pré-fabricada, mais ou menos assim:

“– Prezado Cláudio, você ajudou a construir esta empresa, temos consciência disso, somos muito gratos, mas com a venda teremos que unificar a Diretoria Comercial e a opção do novo acionista foi pela permanência do Diretor da empresa que nos comprou, é com tristeza que te comunicamos o fato. Todos os seus direitos serão pagos e agradecemos imensamente os 25 anos que trabalhou conosco. Preocupados com os empregados que estão sendo desligados da Companhia, contratamos uma empresa de recolocação de profissionais, está aqui o endereço, você terá acesso a cursos e acompanhamento psicológico já incluído no pacote. A vida continua, desejamos sorte.”

Sem abraços, sem lágrimas, foi assim, ato sumário, quem demite não chora, creio que até comemora, por dentro. (Antes ele do que eu…mas o próximo pode ser eu… o último a sair apagará a luz…)

Parado ali, naquela sala, pediu alguns minutos para se recompor, passou um filme em sua mente, foram 25 anos de dedicação exclusiva, inúmeras viagens ao exterior, por longos períodos, 24 horas a disposição. Reuniões até as 22:00 hs ele perdeu a conta de quantas. Sábados e domingos, raros. Seus filhos cresceram e ele não viu. Chegou atrasado na festa de noivado da filha (o vôo internacional atrasou) e outros casos mais, tudo em prol do crescimento da Companhia.

Sem perceber, tinha até perdido sua identidade própria, era comum se apresentar como Cláudio da empresa X, e assim era conhecido, tamanha era a simbiose entre ele a empresa. Simbiose essa que acabava de ser interrompida, abruptamente.

Por toda a dedicação, por todas as realizações, ele não esperava que a demissão o alcançasse. Mas, estava ali, sem o chão para pisar e desempregado.

Como chegar em casa e contar para a família? esse é um dos momentos mais difícieis.

Como tinha um bom cargo, sua renda anual superava R$ 200 mil/ano, além dos benefícios. Sempre foi controlado financeiramente, sem excessos e luxos conseguiu reunir recursos financeiros da ordem de 550 mil reais. Já considerando o acerto da empresa e a poupança que fizera ao longo do tempo.

Nem é preciso dizer o que aconteceu a partir daí, distribuiu inúmeros currículos, contatou todos os amigos que poderiam fazer indicações e ficou aguardando, ansiosamente, o que não aconteceu:
• um novo emprego, com renda similar ao que estava. Teve várias ofertas, as melhores garantiam renda três vezes menor do que ele ganhara outrora.

Com 47 anos, desempregado, precisava tomar uma atitude.

As mudanças de cidade na sua carreira foram constantes, contabilizava sete mudanças em 25 anos. Por onde passou ele construiu casas para morar e com isso adquiriu uma boa experiência, e até mais do que isso, passou a gostar da atividade, por diversas vezes havia colocado esta como uma das hipóteses para ocupar seu tempo quando aposentasse.

Após algumas pesquisas, tomou a decisão, comprou um terreno num condomínio fechado e construiu a primeira casa, era uma forma de ocupar o tempo, sabia que teria no mínimo um retorno melhor do que a aplicação financeira e estaria com a mente ocupada, ou invés de se martirizar e ficar pensando no fim do mundo.

Para sua surpresa, depois de nove meses de construção, antes mesmo de terminar a pintura, a casa já estava vendida. Isso ocorreu em 2005. O lucro que obteve foi superior a sua última renda anual.

Em 2006 continuou na atividade, conseguiu construir e vender dois outros imóveis e lucrou o dobro da sua última renda anual com Diretor Comercial.

Em 2007 registrou a sua empresa, uma construtora, e os negócios vão muito bem, obrigado.

Recuperou sua auto-estima, sua identidade e sua vida.

Faz uma caminhada toda manhã, busca os netos na escola e respira aliviado, sua vida passou a ter outro sentido.

Às vezes se pega a pensar como estaria se ainda estivesse como Diretor Comercial, como todo empregado dedicado sonhava em ser Presidente, todo seu esforço foi nessa direção, mas rapidamente volta a realidade e se orgulha de estar construindo, agora, o futuro da SUA PEQUENA EMPRESA!

4 comentários 23 de Junho de 2007 às 08:41 Sergio Oliveira

Sociedades – uma questão de equilíbrio!

Equilibrio - Equilibrio
Alguns amam, outros odeiam, afinal, temos como fazer uma avaliação correta deste eterno conflito de opiniões?

Creio que sim.

Os empreendedores firmam seus pontos de vista a partir das experiências pessoais, e não tem nada de errado nisso.

Se vivenciaram experiências de sucesso, aprovam.
Se sofreram experiências negativas, reprovam.

A decisão de compor uma sociedade dependerá muito da sua condição no momento da abertura do negócio, considerando três pilares fundamentais:

1) Disponibilidade de recursos financeiros
2) Conhecimento técnico
3) Capacidade gerencial

A situação ideal seria que você, no momento de iniciar o negócio tivesse ao mesmo tempo:

a) Todo o dinheiro necessário para implantar o negócio.
b) Conhecimento profundo do processo produtivo/comercial a ser adotado.
c) Capacidade gerencial básica.

Sendo assim, você poderia se dar ao luxo de abrir o negócio compartilhando a gestão com bons profissionais contratados, sem ter que abrir mão do poder de decisão.

Ocorre que é raro encontrar uma pequena empresa iniciante onde o fundador congregue todos os três pilares básicos. O mais comum é que o novo empreendedor tenha como ponto forte apenas um dos três.

Imagine esta nova empresa sustentada por um tripé, portanto, os três pilares são vitais para mantê-la em pé, a ausência de um deles já significa um negócio fragilizado no nascedouro.

De uma forma bastante simplista, a percepção desta fragilidade e o desejo de acertar é que levam o futuro empreendedor a sair em busca de sócios para participar da materialização da sua idéia.

As sociedades, na sua essência, visam a soma das forças, onde o objetivo principal é chegar o mais próximo possível da condição ideal, que permita a nova empresa se apresentar ao mercado com a estrutura mínima necessária e em equilíbrio.

2 comentários 14 de Junho de 2007 às 08:31 Sergio Oliveira

Ato de coragem ou Empreendedorismo?

StockCarView - StockCarView
Qual é o momento mais propício para adotar na sua empresa uma modelo de gestão que seja voltado para a construção de uma empresa sólida, dinâmica, inovadora e rentável?

Na minha opinião, este momento é a partir do desenvolvimento da idéia, antes mesmo da abertura do negócio.

Sei que as condições, no início, nem sempre são as mais favoráveis, grande parte do empreendedorismo no nosso país é por necessidade, negócios iniciados com pouco dinheiro, sem apoio nenhum e com muita força de vontade, quase uma questão de sobrevivência pessoal e familiar.

Esses negócios podem ser classificados como um ato de coragem, antes mesmo de serem considerados uma ação de empreendedorismo.

Vários empreendedores que alcançaram o sucesso dizem que se tivessem planejado o negócio da forma recomendada e avaliado as condições que eles tinham naquele momento, eles nunca teria iniciado o negócio.

Reconheço esse realidade, até por ter vivido experiências similares, mas, esse início tão turbulento, no fio da navalha, não pode ser justificativa para que não se tenha um mínimo de organização e controle implantado depois que o negócio começou a funcionar, isso é a expressão daquela famosa frase, que nem sei quem criou: “ Trocar o pneu com o carro em movimento”, não é opção mais segura, mas, as vezes pode funcionar.

Já não sei mais o que é certo ou errado, isso para mim são rótulos, prefiro raciocinar em outros termos: Sucesso e Fracasso.

- Sucesso - quando deu certo!
- Fracasso - Quando tenho que voltar a estaca zero e começar tudo de novo. (custa caro, mas é um bom combustível para o empreendedor).

3 comentários 9 de Junho de 2007 às 09:37 Sergio Oliveira

Muita filosofia e pouco dinheiro no bolso!

filosofia - filosofia
Conheço empreendedores que iniciaram o seu negócio próprio, conhecem quase tudo na teoria, mas na prática, se perdem na condução do negócio.

Por mais que alguns críticos tentem relevar a segundo plano, a experiência acumulada na condução de negócios faz uma grande diferença.

Uma coisa é saber que um dia sua empresa terá uma crise financeira, a outra é viver uma crise financeira e passar várias noites sem dormir, e o pior, sem nenhuma solução a vista.

Treinar um empregado, investir no seu desenvolvimento, prepará-lo e depois perdê-lo para a concorrência, é dolorido, mas, muitas vezes você não tem nada a fazer naquele momento, um aumento de salário, para apenas um empregado pode contaminar toda a equipe. Logo, o termo reter talentos que você tanto estudou, volta para os livros e você vive então a dura realidade da limitação financeira imposta pelo porte do seu negócio.

Todos sabem que o lucro é fundamental, mas poucos conseguem chegar até ele e tocá-lo (dinheiro em caixa sobrando no final do mês). Para alguns isso parece até utópico. Já escutei depoimentos assim:

- “Estou a oito anos trabalhando, todos os dias arduamente e ainda não tirei nada da empresa. Tudo que ganho é reinvestido, quando chegará a minha hora?”
São angustias como essas que incomodam vários pequenos empresários, mas a trajetória é longa e os passos são lentos, é mais parecida com uma prova de resistência do que com uma prova de velocidade.

Algumas considerações e questionamentos podem te ajudar a encontrar uma luz no fim do túnel:

1) Seja prático e simples, passe a mão num lápis, papel e calculadora, faça você mesmo as contas e encontre as respostas:

- Sua empresa ganha ou perde dinheiro?
- Qual a sua margem de lucro por produto e total?
- Qual o faturamento mínimo mensal necessário para cobrir todas as despesas?
- Tem alguem ganhando dinheiro com negócios iguais ao seu?
- Se tem, o que você poderia copiar?

Feito as contas, conhecendo esses números básicos da empresa experimente implantar algo assim:

“NADA SUBSTITUI O LUCRO” (copiei do primeiro mandamento da TAM)

- Feche todos os ralos por onde vazam dinheiro, adquira fama de pão duro. ( Todos tem que ter esse sentimento e valorizá-lo).
- Gastos só para o que for essencial e tiver ligação direta com o cliente.
- Demita empregados ociosos, os que permanecerem tem que acumular funções. (Por que só você tem que viver no limite?)
- Crie metas mensais de resultado, de produtividade individual e envolva toda a equipe na busca destes desafios. Celebre ao conquistá-las.

As melhores soluções são sempre as mais simples e partem do óbvio.

Se depois de todas as tentativas, ainda não sobrar dinheiro no bolso….

… pare, respire fundo e não tem jeito, começe tudo de novo…

2 comentários 5 de Junho de 2007 às 07:48 Sergio Oliveira

Se você morresse neste momento, qual seria o seu legado?

Alguns empreendedores se atiram de forma tão intensa aos seus negócios a ponto de se esquecerem que, tudo, tudo mesmo pode acontecer, como por exemplo a morte.

Sendo assim, se você morresse agora, subitamente, sem poder deixar um único bilhete, sua empresa sobreviveria por quantos anos?

Teria pessoas prontas para conduzir o negócio na sua ausência?

Você deixaria algum legado, por menor que fosse?

E para finalizar:

Por quais motivos você seria lembrado?

Adicionar comentário 2 de Junho de 2007 às 18:25 Sergio Oliveira

O legado do Comandante Rolim

tapete vermelho - tapete vermelho
Quem não se lebra do lendário Rolim Adolfo Amaro, ou simplesmente Comandante Rolim, que a partir de um sonho construiu uma empresa de classe mundial e que, mesmo após a sua morte continua a ser líder no setor de aviação civil brasileiro, estou falando da TAM.

Em 1960, com 18 anos, ele vendeu uma lambreta para pagar o curso de piloto e tirar o seu primeiro brevê, após, foi contratado para pilotar numa empresa de Táxi-Aéreo em São José de Rio Preto/SP

Tabalhou na Táxi Aéreo Marília, muitos não sabem, mas antes de se tornar dono da TAM, Rolim foi seu piloto. Ao sair da TAM foi trabalhar na Amazônia como piloto particular, época em que comprou seu primeiro avião, um Cessna. Após dois anos já tinha dez aviões monomotores.

Foi co-piloto na VASP e comandante na Líder Táxi Aéreo.

Em 1976, portanto, 16 anos após tirar o seu brevê, Rolim adquire a totalidade das ações da TAM, que a época era uma pequena empresa de táxi aéreo.

Sua grande tacada foi em 1990, com a TAM já um pouco maior, quando o Comandante Rolim apostou todas as suas fichas na compra dos dois primeiros Fokker 100 (jatos com capacidade para 107 passageiros), acreditando na modernização da aviação regional e na sua expansão. Em 1996 já eram aproximadamente 30 aeronaves F- 100.

Acertou na mosca e isso permitiu um crescimento acelerado, em apenas uma década transformou-a em líder nacional no setor de aviação, recebendo vários prêmios nacionais e internacionais.

A TAM passou a ser uma empresa admirada e copiada nas suas práticas de gestão e no trato com o cliente.

A morte do Comandante Rolim, aos 58 anos, após a queda de um helicóptero, em 08/07/2001, interrompeu essa intensa trajetória de sucesso, marcada por inúmeros atos de ousadia.

Parei para imaginar, se ele estivesse vivo, como estaria enfrentando todos os fatos acorridos desde a sua morte, a atual crise dos controladores de vôo e principalmente a concorrência com a GOL.

Estudando a história da TAM você percebe as sacadas geniais desse empreendedor, que muitas vezes pôs em risco tudo o que tinha construído, tamanha era sua crença no futuro da empresa.

Um grande líder, um exímio estrategista, dentre as várias qualidades a de visionário era a que mais me impressionava.

A criação do slogan: “Jeito TAM de voar”, passando pela idéia de estender o tapete vermelho na porta das aeronaves e ficar ali, cumprimentando os passageiros, desde as primeiras horas da manhã, no aeroporto de Congonhas, demonstrava o profundo respeito que tinha pelo bem mais valioso da sua empresa, o cliente.

Outra criação sua foi a Carta do Comandante, onde Rolim, com a simplicidade de um bom contador de histórias dividia conosco suas idéias sobre a condução da empresa e como percebia seus clientes.

Sem falar do Museu “Asas de um sonho”, idealizado em vida, porém entrou em funcionamento após a sua morte.

Foi uma lição de empreendedorismo, pena que sua melhor fase foi tão breve. Tenho certeza que ele teria inovado em muitos outros fatos, que certamente seriam copiados pelos empresários brasileiros.

Vocês devem estar se perguntando por que me lembrei disso agora? Vou explicar.

Recentemente li uma entrevista no Jornal Valor, com Maria Claudia Amaro, filha do Comandante Rolim, que aos 40 anos, acaba de assumir o conselho de administração da TAM, com o firme propósito de “atualizar” a empresa, e deixar para trás a crise de identidade que a empresa entrou após a morte do seu Pai.

Prestes a completar seis anos da morte do Comandante Rolim, imagino o quanto foi duro manter a TAM como líder de mercado, com a GOL mordendo nos calcanhares.

A figura de Rolim era quase que um mito e se confundia com a imagem da TAM, tamanha era sua presença na mente do todos os empregados e clientes.

Este foi seu legado, as idéias se eternizam, mas esta imagem que antes era tão forte foi se enfraquecendo, e com o passar do tempo, é preciso que alguém preencha esse espaço deixado por ele e seja a nova cara da TAM.

Meus filhos não saberão quem foi o Comandante Rolim, podem até conhecer a sua história, mas não darão nenhum crédito a ela. Para eles a TAM será comparada de igual para igual com a Gol e outras que venham a surgir, por isso é importante que entre numa nova fase, recupere sua identidade e crie um novo motivo pelo qual as pessoas renovem a admiração pela empresa.

Esse é o desafio que caberá a Maria Cláudia Amaro, na condição de Presidente do Conselho de Administração da TAM.

Desejo-lhe sucesso!

2 comentários às 18:08 Sergio Oliveira


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