A empresa familiar e a entrada de sócios capitalistas
21 de Abril de 2007 às 22:21 Sergio Oliveira | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 1650
Essa é a segunda pergunta do nosso Leitor Beto, postada aqui no blog, que julgo de interesse comum, por isso compartilho com todos o que penso sobre o assunto:
2) Abrimos o capital da empresa familiar para crescer e não ficar para trás ou ficamos restritos ao mesmo negócio e ficamos sem sócios ?
Vou considerar que quando você se refere a “abrir o capital”, significa a entrada de sócios capitalistas, pois, para realizar uma oferta inicial de ações na bolsa de valores sua empresa já não seria mais pequena, estaria inclusive saindo do porte médio para grande. (Faturamento superior a 60 milhões ano)
Por ser uma empresa familiar é muito importante reunir para conversar as pessoas que tem o poder de decidir. Digamos que seja o Pai o fundador e ainda esteja na primeira geração. Então, Pai, mãe e filhos que já trabalham no negócio têm que analisar o estágio atual da empresa e pensá-la no futuro, onde vocês pretendem chegar. A partir daí traçar um plano para os próximos anos, penso em algumas alternativas:
a) Manter o negócio sob o controle familiar, mas buscar uma profissionalização - Vejo esse processo em curso nas pequenas empresas de sucesso quando ultrapassam um faturamento entre 3 e 5 milhões/ano, o que exige mais controles e uma dinâmica profissional na empresa. É prudente, a partir daí, compartilhar a condução do negócio com profissionais contratados no mercado, para suprir as deficiências de gestão dos sócios.
b) Optar por maximizar a rentabilidade, modernizando e otimizando o negócio, sem crescer muito - Conheço empresas que fizeram a opção de ter uma taxa crescimento menor que a média do setor. Nem sempre o crescimento desmedido é sinal de sucesso. A medida de sucesso empresarial que tenho é uma trilogia:
- Lucro Liquido para remunerar os sócios e permitir a empresa se modernizar.
- Empregados satisfeitos e bem pagos.
- Clientes felizes com os produtos e serviços ofertados.
c) Admitir sócios no negócio – essa é uma decisão que deve ser calculada e muito bem pensada, principalmente se o seu negócio e rentável e está equilibrado. Faça na reunião do seu conselho familiar (aqueles que gerem o negócio hoje) três perguntas:
- Por que precisaríamos de um sócio?
- O que a empresa e nós ganhamos com uma chegada de um sócio?
- O que temos a perder com a chegada de um sócio?
Se a sua necessidade é de um sócio capitalista, para aportar dinheiro no negócio, ele exigirá uma Plano de Negócios ou um Projeto de Crescimento, indicando oportunidades de mercado, nichos futuros a serem atendidos, projeções financeiras, qualificações dos proprietários, em suma, qual a segurança que vocês oferecem como sócios e para onde pretendem levar a empresa. Se você tiver isso em mãos e for consistente, por que não conseguir esses recursos em bancos, via financiamentos BNDES?
Apresente suas idéias de crescimento a pelo menos três bancos, se nenhum se interessar pelo seu projeto, alguma coisa está errado nele, precisa ser melhorado. Fundamente melhor.
Com a queda da taxa selic os bancos estão com rios de dinheiro que estavam alocados em títulos públicos e que, a partir de agora terão que ser direcionados para o crédito, principalmente para o financiamento do crescimento das empresas, isso faz com que eles estejam mais receptivos.
Se a decisão final for realmente admitir na empresa um novo sócio, a família tem que estar conciente que terá que dividir o poder e passar a prestar contas a um estranho, coisa que até então não acontecia. Alguns fundadores não admitem tal situação.
E, como sugestão, esteja acompanhado de um excelente advogado. A redação do novo contrato social será de fundamental importância para que seus interesses sejam preservados na nova empresa que surgirá após a inclusão do sócio capitalista.
Publicação arquivada em: Estratégia, Gestão Financeira
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2 Comentários Faça seu próprio
1. Marcelo Ferreira Gonçalves | 22 de Abril de 2007 às 08:13
Eu concordo com o Sergio, ja passei por diversos momentos dificies na empresa e apareceram pessoas para oferecer sociedade, mas pensei depois de todo sofrimento que ja tivemos, vale a pena colocar uma pessoa para termos que dividir depois que a empresa começar a caminhar, sendo que nos passamos a pior parte que é o começo, e se o Beto a empresa dele ja esta caminhando, porque não entrar num BNDS que é mais interessante para o grupo? Em vez de colocar uma pessoa como socio, porque dai é mais uma pessoa para voces terem que dar explicações.
2. Eliberto Fell - Beto | 26 de Abril de 2007 às 08:33
Bom dia Marcelo e Sérgio, td bem?
Agradeço as considerações. A questão é mais estratégica.Não seria nem tanto “momentos difíceis”, mas, sim evitar a entrada da concorrência e “amarrar” um funcionário qualificado. É que esse funcionário(farmacêutica), já demonstrou interesse em ter seu prórprio negócio e, como nosso município é pequeno não temos nenhum concorrente atualmente no segmento e foi aí que surgiu essa possibilidade de oferecer uma parte da sociedade, visando eliminar três fatores consideráveis: Evito um concorrente, valorizo um bom funcionário, motivo ele mais ainda e, “elimino” um funcionário muito dispendioso na folha. Além do negócio atual(farmácia de manipulação) quero colocar uma drugstore junto, assim o investimento necessário viria da parte minima do novo sócio e não necessito entrar no mercado financeiro, se bem que crédito tem à vontade e com juros aceitáveis.
Um abraço.
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