Famílias Milionárias, Filhos Perdidos.
18 de Março de 2007 às 22:12 Sergio Oliveira | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 786
Toda fortuna, via de regra, está ou já esteve ligada a uma atividade empreendedora, bem sucedida, que permitiu a geração de riquezas e a acumulação de patrimônio.Algumas famílias milionárias que já estão acima da 2ª geração, fizeram a opção de abandonar a atividade empreendedora e vivem hoje exclusivamente das rendas proporcionadas pelo patrimônio já constituído, sejam alugueis, rentabilidade de aplicações financeiras ou mesmo a venda de alguma propriedade para a manutenção do padrão de consumo e estilo de vida.
São nesses ambientes que são educados os filhos nascidos nessas famílias com alto poder aquisitivo, onde, comumente predomina a ausência de limites e por esse e outros motivos, vejo uma dificuldades enorme de acertarem na educação de seus filhos.
A forma como os pais se relacionam com o dinheiro, a maneira como lidam com os ímpetos de consumo (roupas, calçados, jóias..), as atividades de lazer (viagens freqüentes para o exterior, hotéis caros) e a aquisição de bens (carros, casas, sítios, barcos….) é que estabelecem na mente dos filhos os parâmetros aos quais estão submetidos, isso compõe o ambiente diário deles e influencia diretamente na formação de suas personalidades.
Conheço algumas exceções de comportamento, mas a regra é apresentar sinais exteriores de riqueza e fazer o máximo de propaganda disso, como forma de valorizar o status quo e os tornarem diferentes dos simples mortais.
Observo o comportamento de algumas dessas crianças e me assustam os ensinamentos que recebem e que levarão para a vida adulta sob a forma de conceitos:
1) Em casa: Os empregados são pessoas pobres, que não tiveram sorte na vida e hoje trocam seus serviços por um salário mensal insignificante (menor que a diária de um bom hotel), e tem que estar sempre sorrindo por terem esse emprego. Eles (filhos) se assemelham a príncipes e princesas e assim devem ser tratados. Neste território a lei é feita por eles.
2) Na escola: Freqüentam a melhor escola da cidade, os filhos aprenderam (em casa), que, se não existir aluno não existirá a escola e muito menos o professor, por conseqüência, os professores são seus empregados também, e por isso, lá eles podem quase tudo. Quando as coisas fogem do controle, pelo excesso de absurdos, a mãe ou o pai vai até a escola e estará tudo resolvido (geralmente vão só nesses momentos). O filho renova a sua credencial para continuar a desrespeitar as pessoas, desde o professor, o colega de sala de aula e, é lógico o faxineiro, infeliz deste, que não se cansa de catar os papéis que são arremessados ao chão.
3) Na vida social: Como foram “criados no meio” aqui eles tem assuntos de sobra, o repertório é vasto. Tudo deles é melhor do que dos outros, e o que eles não tem, é simples, é só comprar, as idas freqüentes ao shopping servem para isso. Vai do celular, o Ipod, a coleção de tênis, o Playstation 3, o game PSP e as roupas, sempre de grifes famosas.
4) Sobre o patrimônio: Esse é um assunto que não deveria lhes interessar, coisa de criança é futebol (se menino) ou brincar de boneca (se menina), mas é assustador quando resolvem repetir o que escutam em casa e acabam gravando:
a. “Lá em casa tem tanto carro que meu pai teve que alugar garagem para guardar todos.”
b. “Todo ano tenho que ir para a Disney em julho!”
c. “Minha casa é melhor do que a casa de todos os meus amigos.”
d. “Meu pai comprou uma moto nova que custou mais de R$ 100 mil…Quando crescer vou ganhar uma também!”
e. “No aniversário da minha mãe ela só aceita o presente do meu pai se as jóias forem compradas na H. Stern.”
E vai por aí afora, podemos observar que quase na totalidade, os valores dessas crianças estão alicerçados no ter, a posse de bens materiais e a demonstração explicita de poder (muitas vezes inconsciente) suplantam quaisquer virtudes que eles tenham, e tem, não duvide, só não foram trabalhadas no momento correto.
No plano pessoal encontramos uma criança triste, carente e distante dos pais, tão distante que as vezes nem os reconhecem mais como tal, a babá tem mais autoridade.
Na essência toda criança é igual, algumas pedem mais atenção e cuidados, outras menos, mas todos desejam afeto, proteção e necessitam de boa orientação para aprenderem a ter uma vida familiar e social saudável.
Ideal seria que as bases dessa educação fossem alicerçadas no respeito ao próximo, onde o ser suplanta o ter, e que o ter fosse apenas um detalhe, que passasse despercebido, pelo menos até que essa criança tenha consciência do que representam os valores matérias, de que nasceu numa família rica e a partir daí construa seu próprio destino.
O que deveria ser o ambiente ideal para a formação de jovens com futuro promissor, prontos para empreender, seja nas artes ou nos negócios, é na realidade uma fábrica de jovens sem rumo e sem destino, desinteressados e que não se sentem desafiados por nada, pois, já estão atendidos em todas as suas necessidades e desejos materiais. Vivem na sombra dos pais.
Transformam-se em adultos frágeis, possuidores de um grande vazio por não ter construído e nem conquistado nada, já lhe entregaram tudo pronto.
Esse é um dos motivos pelos quais as fortunas trocam de mãos de tempos em tempos, e surgem os novos ricos, que depois de algumas gerações, se esquecem de suas origens e….. cometem os mesmos erros.
Tal constatação só reforça a idéia de que:
” as oportunidades sempre existirão!”
Publicação arquivada em: Capital Humano, Gestão Financeira
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1 Comentário Faça seu próprio
1. Manuel | 19 de Março de 2007 às 09:42
Muito legal esse texto, Sérgio.
Estou completando 27 esse ano e não venho de uma família rica, mas classe média.
Sinceramente? Não sei o que é pior, você ser rico e se achar o rei do pedaço ou estar no meio termo e subjugar quem está abaixo e idolatrar quem está acima.
Não tive educação financeira nem planejamento em casa e hoje corro atrás do prejuízo feito doido. E olha que minha família não vem de um passado de posses, mas vem de um presente consumista.
Hoje, pegando o elevador aqui no trabalho, vi um dos faxineiros comentando com outro que trocou seu celular com um colega e voltou R$450,00 na troxa. Fiquei perplexo! Ninguem pensa em guardar, projetar. O que importa é mostrar agora. O futuro deixa pra depois.
As oportunidades sempre existirão, dá pra perceber, e provavelmente em maior quantidade agora.
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