Arquivo de Janeiro de 2007

Conservador demais? Não importa, seja você!

Conheci um empresário que tem uma história interessante:

Dezoito anos atrás, após ser demitido da empresa que trabalhava, era mecânico de manutenção da planta industrial, recebeu a proposta de continuar a realizar os mesmos serviços, desde que constituísse uma micro-empresa para tal finalidade.

E assim ele fez, como não lhe restava alternativas, era melhor tentar do que ficar desempregado. Foi o que pensou num primeiro momento. Se atirou na aventura com todos os bônus e os ônus que esperam um empreendedor de primeira viagem.

O negócio que começou como manutenção industrial, regado de incertezas, foi delineando o seu caminho e hoje, 18 anos depois, se transformou numa empresa de automação industrial, com faturamento anual que supera R$ 2 milhões de reais/ano. São 55 empregados conectados 24 horas nas demandas dos clientes.

Centralizador demais…

Nada acontece na sua empresa sem que ele saiba.

Econômico demais…

Anda pela empresa catando clips, parafusos e apagando luzes. Faz vistoria nas impressoras e na Xerox para avaliar o desperdício de papel e toner.

Paternalista demais…

Conhece todos os empregados pelo nome, aconselha a todos, de divórcios a casos de alcoolismo.

Seguro demais…

No time de futebol da empresa ocupa a posição de goleiro titular, além de técnico é claro. Tem uma defesa reforçada e só saem para o campo do adversário no contra-ataque. O jogo é feio, mas o time já conquistou o tri-campeonato regional jogando dessa forma. Os troféus conquistados são exibidos na sala de reuniões ao lado das certificações de qualidade e reconhecimentos recebidos na condição de prestador de serviços com qualificação padrão internacional.

Assertivo demais…

Cuida pessoalmente do contato com os principais clientes, renovações de contratos e negociações com novas empresas.

Detalhista demais….

Ganhou prestigio através da qualidade dos serviços que sua empresa presta, com pontualidade e senso de urgência. Não importa a hora, seus técnicos estarão lá prontos para encontrar as soluções.

Conservador demais…

Tem recusado com frequência novos contratos, diz que sua empresa já atingiu o tamanho que sempre desejou e que agora quer se especializar no que faz, proporcionar aos seus empregados que participaram da construção da empresa, uma melhor qualificação profissional e melhores condições de vida.

O que ele ganha com isso?

Empregados comprometidos demais…

Os empregados trabalham por projetos, em células auto-suficientes, vestem a camisa da empresa com a mesma crença que soldados kamikasi vestem a farda para a missão fatal.

Se Centralizador, Econômico, Paternalista, Seguro, Assertivo, Detalhista ou Conservador demais, não importa, não acredito em rótulos, acredito sim em identidade interna e externa, que seja valorizada pelos empregados e reconhecida pelos clientes, por menor que seja a sua empresa, isso fará toda a diferença!

Estava me esquecendo, tem outra característica marcante que não é do empresário e sim da empresa que ele construiu:

Lucro líquido demais….

2 comentários 30 de Janeiro de 2007 às 22:20 Sergio Oliveira

Independência Financeira x Negócio Próprio

Recebi um e mail da leitora Ana Cristina, com o seguinte questionamento:

- Tenho 30 anos, um bom emprego e pretendo dentro de 15 anos montar um negócio próprio e conquistar a minha independência financeira, qual o melhor caminho?

Cara Ana Cristina, você estabeleceu dois objetivos no seu planejamento de futuro, conquistar os dois ao mesmo tempo é uma meta ousada, porém realizável. Dependerá apenas de você, sua determinação e atitudes para transformá-los em realidade.

Qual é o melhor caminho?

Na minha opinião devemos começar pelos conceitos. Os dois temas, negócio próprio e independência financeira possuem conceitos distintos.

Negócio Próprio - Você deverá identificar uma oportunidade de negócios, após estudos, pesquisas e observações. No momento julgado oportuno irá formalizar a abertura da empresa e iniciará as atividades. Contratando empregados, comprando, vendendo e no final do mês a empresa precisa apresentar um lucro líquido, que representará o retorno do capital investido, em parcelas mensais.

Independência Financeira - Significa não ter mais que trabalhar, seja como empregado ou como patrão. Ter a liberdade de decidir o que fazer do seu tempo, curtir filhos, netos, viajar, etc.., com a tranqüilidade de saber que os rendimentos obtidos nos investimentos serão suficientes para custear as suas despesas mensais e permitir que você viva a vida como planejou viver, sem grandes compromissos profissionais.

Observe que, além de conceitos distintos os dois objetivos são independentes e até certo ponto conflitantes, por isso é preciso detalhar bem as premissas no seu plano de futuro.

Se conquistar a independência financeira significa ter a liberdade de trabalhar quando quiser, abrir o negócio próprio significa não ter essa liberdade.

A sua proposta me diz: ” Vou trabalhar bastante para ter tranquilidade daqui a quinze anos e em seguida vou trocar essa tranquilidade por novos desafios”. Não há nada de errado nisso, so é preciso refletir bem se é isso mesmo que você quer!

Alguns questionamentos e dicas:

1) Se fosse hoje, qual seria o valor que estaria disposta o investir na abertura do negócio próprio?

2) Qual é a renda necessária, levando-se em consideração seus hábitos de consumo, que deverá ter e que permitirá a independência financeira planejada?

3) Com esses dois valores conhecidos, sabendo que o prazo para poupar será de 15 anos , faça uma estimativa do valor que deverá acumular no futuro e da poupança mensal necessária para atingí-lo.

4) Se o valor a ser poupado mensalmente for suportado por sua renda atual, inicie de imediato, se não, existem três possibilidades: aumente o prazo de acumulação de recursos, busque aplicações mais rentáveis ou reduza o valor total a ser acumulado no final do prazo.

5) Revise seu plano periodicamente e veja se suas as projeções de rentabilidade estão se confirmando.

6) Como estará acumulando recursos é importante que passe a ler mais (jornais e revistas) sobre mercado financeiro e oportunidades de investimento, existem uma série de alternativas além da poupança.

7) Conhecer mais sobre Gestão de Finanças Pessoais e Planejamento Financeiro é fundamental, recomendo a leitura de três livros sobre o assunto:

- Investimentos - Mauro Halfeld - Editora Fundamento

- Seu futuro financeiro - Louis Frankenberg - Editora Campus

- Dinheiro - os segredos de quem tem - Gustavo Cerbasi - Editora Gente

8) Como você terá um tempo considerável pela frente, faça cursos sobre gestão empresarial e aprenda o máximo que puder sobre a administração de uma pequena empresa, isso te fortalecerá e dará maior segurança quando chegar a hora de administrar a sua.

Concluindo, não existe um único caminho , várias são as alternativas para chegar nos seus dois objetivos. É primordial que você tenha firmeza nos seus propósitos, pois, muitas serão as tentações que você sofrerá pelo caminho e que tentarão te seduzir a gastar mais do que ganha e viver o hoje em detrimento do amanhã. Não acredite nisso, viva sim o hoje, mas não abra mão de construir o seu amanhã como você sempre sonhou!

13 comentários 28 de Janeiro de 2007 às 22:12 Sergio Oliveira

Onde estão as melhores idéias para se administrar uma pequena empresa?

lampadinha - lampadinha

Na minha mente?
Na sua?
Nas revistas sobre negócios? (superficiais demais!)
Nos livros sobre gestão empresarial? (técnicos e extensos demais!)
Nas experiências vividas pelos empreendedores? (dispersas demais!)

Onde estarão então?

De forma isolada em nenhum deles!

Vejo boas idéias por toda parte, fragmentadas, desconexas, e dessa forma não produzem a sinergia necessária para provocar qualquer transformação positiva no ambiente empresarial.

Observe que, em gestão de pequenas empresas, os principais temas são reeditados ano após ano, colocam neles uma roupagem nova, mas os conceitos básicos são os mesmos.

Essa prática movimenta a indústria de edição de revistas, livros e palestras sobre gestão e negócios.

Somados todos os esforços, muito se diz, pouco se transforma. Na vida real posso afirmar que quase nada se evoluiu em termos de profissionalização nas pequenas empresas.

É como se os nossos empresários estivessem isolados numa ilha, náufragos, consumidos pelo instinto de sobrevivência, vivem apenas para garantir o hoje, como se o amanhã fosse algo tão incerto que não valeria a pena pensar nele.

O que fazer?

Essas boas ideais e melhores práticas precisam ser condensadas e ordenadas, seguindo a linha do bom senso, um roteiro, que seja simples, de fácil aplicação para o pequeno empresário, que no decorrer do dia representa diversos papéis nesse teatro que é a atividade empreendedora no nosso país.

Quem dará o primeiro passo?

Qual é o melhor modelo de gestão para fazer a sua pequena empresa crescer e dar lucros?

Construa o roteiro que mais se aplica ao seu negócio, não espere que alguém lhe entregue pronto ou venda sob forma de consultoria, isso não acontecerá!

3 comentários 21 de Janeiro de 2007 às 20:17 Sergio Oliveira

Férias do Empreendedor - você merece!

Se tem algo que fica extremamente comprometido quando iniciamos o nosso negócio próprio são as férias, principalmente nos primeiros anos, quando investimos tudo o que temos e ainda ficamos devendo. É assim com quase todos os empreendedores de primeira viagem. Sem férias e muitas contas para pagar.

Todo o esforço passa a ser direcionado para o incremento das vendas e a busca incessante de lucros que permitam manter o equilíbrio financeiro. Salvar a empresa das negras estatísticas de fechamento que assombram a todas as pequenas empresas brasileiras até o quinto ano de vida passa a ser prioridade total, só que esse instinto de sobrevivência cobra um preço muito alto se o negócio não foi corretamente planejado.

No meu primeiro negócio, foram sete anos de muita luta, atuavamos no setor de alimentação. Durante a semana a preparação da matéria prima e a produção ocupavam grande parte da nossa atenção, sendo que os nossos melhores dias de faturamento eram nos finais de semana e feriados.

Foram sete anos de muito aprendizado e apenas algumas semanas de folga. Hoje olho para o passado e vejo que, se não ganhamos o dinheiro que gostaríamos, recebemos sob a forma de experiência, que foi riquíssima e que nos credenciou para os passos seguintes.

Se tem algo que aprendi e que carrego comigo até hoje é que nós somos reféns das nossas escolhas, portanto, se você está acostumado com 30 dias de férias todos os anos, totalmente despreocupado, esse mundo não existe na vida dos empreendedores, pelo menos para a grande maioria.

Lançar-se na empreitada de um novo negócio é um desafio e tanto, que consumirá as economias financeiras, exigirá esforços e sacrifícios de toda a família, principalmente esposa (o) e filhos.

Converse bastante em casa, avalie. Uma garantia de equilíbrio na família é ter uma renda alternativa, de forma que não dependam de retiradas mensais do novo negócio para sobreviver. (Isso é dificílimo, poucos conseguem, o comum e misturar vida pessoal com o caixa da empresa).

Se você puder avaliar com calma a idéia de empreender, pare e pense:
- Sente-se completamente preparado?
- Sua família está plenamente convencida dos sacrifícios no presente em troca de benefícios futuros?

Se não, o melhor a fazer é adiar um pouco o sonho do negócio próprio, aumentar as economias, envolver a família no projeto e escolher um novo momento.

Já vi diversos casamentos acabarem a partir da abertura de negócios mal planejados. Um promete que dará tudo certo , o outro apesar de não acreditar, concorda para não desapontar, e ao final, os dois se enganaram e sobram os desentendimentos.

Outro dificultador são as famílias que querem manter o padrão de vida e de conforto que tinham quando o Pai/Mãe eram empregados de empresas que pagavam gordos salários. Isso pode ser desastroso quanto iniciamos os novos negócios e a palavra de ordem passa a ser economia.

Se empregado ou empreendedor, não importa, todas as pessoas merecem um descanso, precisam se desligar um pouco e não existem meses melhores para isso do que em dezembro/janeiro, quando avaliamos o ano que passou, analisamos o rumo que nossas vidas tomaram, se estamos felizes, o que poderíamos melhorar e o que pretendemos para o ano que se inicia.

De alguma forma, mesmo que esteja consumido pelo seu negócio, tente sair pelo menos uma semana, faça uma boa reflexão, recupere o seu equilíbrio, curta sua família, afinal, vocês merecem e 2007 promete ser um grande ano.

Você precisará estar renovado para perceber e aproveitar as melhores oportunidades!!!

Bom descanso!!!

1 comentário 10 de Janeiro de 2007 às 14:40 Sergio Oliveira


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