Arquivo de Dezembro de 2006
Ricardo Semler mais uma vez surpreendeu. Seu novo livro é um passeio por suas loucas idéias, originais e que dão certo.
Dezoito anos separam seu novo livro do “Virando a Própria Mesa”, sua primeira publicação. O que antes eram idéias radicais, mas que ainda necessitavam de serem provadas, hoje são as bases do crescimento das empresas de Semler, que já passam de 3000 empregados.
Se fosse sintizar qual é a essência de Semler diria que é a sua capacidade de acreditar nas pessoas e
permitir que elas se sintam parte da edificação do futuro das empresas nas quais trabalham.
Alguns vêem as experiências implantadas por ele como revolucionárias, na minha opinião, são também simples e obvias, e é por isso que incomodam tanto os gestores tradicionais.
O novo livro é fonte de idéias para todos aqueles que tentam fazer algo diferente nas suas empresas e não sabem ou não tem a confiança necessária para promoverem as mudanças que gostariam. Uma demonstração explicita de determinação e capacidade de realização.
Além das suas contribuições para a criação de um novo modelo de gestão empresarial ele ainda fundou uma escola com um método de ensino inovador que prepara os alunos para a vida ( e não para o emprego). Criou uma fundação, transferiu para ela parte dos seus lucros, através da qual se propôs a transformar a realidade de uma comunidade na cidade de Campos do Jordão/SP, resgatando a dignidade e dando sentido a vida dessas pessoas.
Ricardo Semler é uma das três personalidades que mais admiro no meio empresarial do nosso país, esperei os dezoito anos, pacientemente, li praticamente todas as reportagens que foram publicadas sobre ele, assisti entrevistas, freqüentei palestras e posso dizer, valeu a pena esperar, o livro ficou muito bom, de leitura fácil, divertido em alguns momentos, e acima de tudo, contagiante.
21 de Dezembro de 2006 às 15:59
Sergio Oliveira
Quando o assunto é gestão de pessoas, observo que alguns gestores se tornam confiantes demais e se julgam exímios conhecedores do comportamento dos empregados, pois, acham que já vivenciaram muitas experiências e isso lhes credenciam a parar no tempo e começar a dar pareceres sobre a alma humana e a realizar julgamentos.
Permita-me decepcioná-los ao recordar que o ser humano é uma espécie em evolução e por isso não existe linha de chegada em gestão de pessoas. É uma corrida que recomeça a cada instante.
Considere o dia seguinte sempre como um novo ponto de partida. Análise a sua própria vida e veja a imensidão de fatos que ocorrem a partir do momento que você deixa a empresa ao final do expediente, até o seu retorno no dia seguinte.
O seu empregado irá para casa e poderá encontrar sua esposa/marido feliz ou triste, receber uma ligação dos familiares dando uma notícia alegre ou trágica, seu filho pode ser aprovado na escola com honras ou reprovado, ele pode ter tido uma noite tranqüila ou passado em claro refletindo sobre os rumos que a sua vida tomou.
No dia seguinte, ao retornar a empresa, ele será uma pessoa um pouco diferente do dia anterior, pode ter tomado a decisão de pedir desculpas por um ato impensado, parar de fumar, iniciar na academia de ginástica ou se dedicar mais à empresa e isso passará a nortear as suas ações a partir de então.
Imagine que você chegou na empresa pela manhã e resolveu dar um feedback para esse empregado, fixado no que conhecia dele até o dia anterior, você poderá cometer um grande erro.
Desconheço pessoas que abram a sua vida por completo, portanto, o que sabemos das pessoas que conhecemos e das quais trabalham na nossa empresa é uma parte muito pequena das suas vidas, a qual estão dispostas a revelar. Digamos, uns 10%. Os demais 90% ficam armazenados em seus cérebros, pensamentos que os tranqüilizam ou infernizam a cada momento. Vale o ditado popular: “Cada cabeça uma sentença”.
O equilíbrio, que passou ser objeto de desejo de muitos parece estar cada dia mais distante das pessoas. É privilégio de poucos monges budistas. Seres comuns que habitam o mundo real não encontram a senha para entrar nesse plano espiritual.
Observe a sua volta, na sua empresa e veja que, a quantidade de pessoas equilibradas e com um senso de direção da própria vida tem sido cada dia menor.
Os empreendedores, empresários, gestores ou líderes, dê o nome que você quiser dar, prefiro me referir as “pessoas que comandam pessoas”, esses são os principais responsáveis pela construção do equilíbrio no ambiente de trabalho, o que guardadas as proporções, provocará imensos reflexos na vida pessoal de cada um deles, com extensão nas famílias.
Pessoas desequilibradas são sinônimas de perda de produtividade, baixa criatividade e ausência de compromisso com a empresa.
Pessoas felizes dão a vida por uma causa justa e, defender a empresa na qual trabalham, que lhes respeita, permite a troca de idéias, remunera corretamente e oferece oportunidades de crescimento pode ser a causa que tanto procuram para se agarrarem e darem sentido as suas vidas.
Faça suas apostas!!!
14 de Dezembro de 2006 às 22:00
Sergio Oliveira
A mudança de rota, saindo da condição de empregado para a condição de empreendedor depende de várias ações, que são difíceis de serem coordenadas, porém não são impossíveis de serem realizadas.
Se algum dia decidir escalar montanhas, terá que conhecer e passar a conviver com pessoas que curtam essa prática esportiva, aprender as técnicas, adquirir os equipamentos necessários e treinar bastante, começando a escalar as menores e aumentando os desafios a medida que for ficando mais experiente.
Tornar-se um empreendedor é bastante similar, principalmente com relação a busca de pessoas que tenham as mesmas aspirações e que possam te auxiliar de alguma forma.
Você está sozinho com a sua idéia e seus sonhos?
Quem mais poderia estar contigo e ajudar a melhorar seus planos e projetos de futuro?
Não sei qual é o seu objetivo, mas posso te afirmar que, quanto maior for o número de pessoas que entendam do que pretende fazer, você puder conversar, maior será a bagagem de informações obtidas e isso te fará pensar bastante, se está fazendo um bom negócio ou entrando numa fria.
Uma forma inteligente e barata de testar a sua idéia e colocá-la sob a forma de plano de negócios e tentar conseguir um sócio para comprar uma parte da sua empresa antes mesmo dela ser iniciada. (Mesmo que essa não seja a sua intenção)
Comece com parente e amigos, depois ofereça para investidores. Se você conseguir convencer alguns deles, pode ser que esteja no caminho correto.
Se após a apresentação da sua idéia eles passarem a te evitar, com medo de que volte a tocar no assunto, pare e pense, sua idéia pode não ser tão boa assim. Vale a pena elaborar mais, aprofundar os estudos e refinar a proposta. Se mesmo assim continuar não empolgando ninguém pode ser o caso de descartá-la e pensar em outras alternativas.
Os negócios mais interessantes que conheço foram construídos a partir de um sonho e uma dose cavalar de persistência. Poucos acertaram da primeira vez. Sabendo disso invista todo o tempo necessário nesta fase, antes de partir para efetivar o seu negócio próprio, certamente estará pavimentando o caminho para uma iniciativa de sucesso.
1 de Dezembro de 2006 às 22:15
Sergio Oliveira