O fracasso como ponto de partida
Procure na literatura sobre negócios quem se aventura a escrever sobre os fracassos que teve e o quanto aprendeu com isso, encontrará pouco ou quase nada.
Vivemos numa sociedade que cultua o acerto, o êxito e a riqueza. De preferência se vierem bem rápido, como nas novelas. O personagem já nasce rico e com o cargo de Presidente de uma próspera empresa, sempre imponente e luxuosa.
Comparações a parte, volto para realidade em que vivemos, mais precisamente no Brasil, um país em desenvolvimento e que se apresenta como uma das quatro nações que prometem ascender a condição de nação rica nos próximos 20 anos. (Compõe o quarteto de nações que tem sido chamadas de BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China.)
Ocorre que uma nação rica é formada por empresários ousados, competentes, que se preparam para empreender, não tem medo de fracassar e recebem apoio da família, da sociedade e do governo.
Outro ponto fundamental no nosso país é mudar a forma como são tratados os empreendedores que fracassam, é como se de repente ele mudasse de cor ou adquirisse uma doença grave. As pessoas se afastam deles temendo que fracasso empresarial seja sinônimo de azar e mais que isso, seja contagioso.
Quando o negócio dá errado, chegam os catastrofistas de plantão:
- Te falei que você deveria ter estudado e arrumado um bom emprego público como seu pai, que trabalhou a vida inteira, se aposentou e vive uma vida tranqüila!
- Se você tivesse me escutado não teria saído do seu emprego, salário garantido no final do mês, férias de 30 dias, agora está aí, desempregado, gastou todo o dinheiro, com dívidas e sem saber que rumo seguir!
Já escutei esses discursos do atraso tantas vezes que perdi a conta, as pessoas que pensam dessa forma não tem culpa, a educação que receberam as condicionaram para pensar desta forma. Mais uma vez voltamos ao ponto crucial que determinará o sucesso ou fracasso de uma nação: O nível de educação da sua população e o quanto ela foi preparada para empreender.
Experimente entrar num banco para falar do seu novo negócio e inserir na conversa histórias dos seus negócios anteriores que não deram certo, os cheques devolvidos , os protestos, que você levou anos para recuperar, que agora está mais experiente e que não cometerá os mesmos erros. Se fizer isso os seus possíveis limites de crédito, se forem aprovados serão reduzidos pela metade.
Poucos no nosso país estão preparados para aceitar o fracasso como uma etapa da jornada empreendedora e conversar sobre ele de forma madura. O ideal é acertar sempre, mas isso não é a realidade em nenhum país do mundo, o que podemos é aumentar as chances de êxito a partir de práticas que levem a isso.
O que posso afirmar é que prefiro realizar negócios com empresários que já tiveram experiências de insucesso profissional, caíram no fundo do poço, escalaram suas paredes, avaliaram os erros cometidos, se qualificar e iniciaram um novo negócio, no mínimo suas histórias de vida são mais interessantes.
1 comentário 11 de Novembro de 2006 às 17:49 Sergio Oliveira